ELEIÇÕES: Em busca de apoio no interior, Paes diz que fará governo municipalista
Mateus Gusmão
Liderando as pesquisas de intenção de voto para o governo do Estado do Rio, Eduardo Paes (PSD) deu mais um passo na estratégia de ampliar a sua influência além da capital – com foco especial no Sul Fluminense. Na quarta, 29, o ex-prefeito do Rio de Janeiro esteve em Volta Redonda para se reunir com mais de 200 lideranças da região no restaurante Toca do Pintado, no Bela Vista. O encontro foi articulado pelo presidente da Câmara, vereador Neném.
O objetivo era um só: costurar apoios, ampliar alianças e reduzir resistências em locais historicamente menos conectados ao núcleo político da capital. E Paes falou o que a plateia queria ouvir: a promessa de, caso seja eleito, ser um governo municipalista, com prioridade para o interior. “Eu não nasci no interior, eu nasci na cidade do Rio e já fiz muito pela minha cidade. Eu tenho muito orgulho de ter sido prefeito do Rio. E eu digo: a cidade do Rio de Janeiro só precisa do Estado na questão da segurança. Eu cheguei (como prefeito, grifo nosso) a emprestar dinheiro para o Estado, já assumi gestão de hospital estadual para reduzir custos do Governo do Estado”, pontuou.
Ainda dentro da linha municipalista, Paes foi além. “Eu aprendi uma coisa nos meus governos: a gente governa para quem mais precisa. Quem tem mais de dois filhos sabe disso que vou dizer. A gente ama os filhos de forma igual, mas sempre tem um filho que tem mais dificuldade na escola, é mais tímido, e a gente dá mais atenção para esse filho. Aprendi que governar é um pouco disso: você ajuda mais, dá mais atenção onde mais precisam”, acrescentou, garantindo que, com essa visão, o governador é tão decisivo para a Região Metropolitana quanto para o interior. “Eu não tenho a necessidade de, como governador, dar tanta atenção para a cidade do Rio em investimentos, coordenação de ações… É o interior que precisa ter mais atenção do Estado, com os prefeitos, vereadores, com quem conhece os municípios”, afirmou, arrancando demorados aplausos.
Paes aproveitou para deixar um recado aos prefeitos, vereadores e lideranças presentes ao encontro. Destacou que toda sua vida foi voltada para questões municipais. “Fui assim como vereador, subprefeito e prefeito. Quem entende do babado, quem entende do problema, são o prefeito e o vereador. Ninguém sabia mais dos problemas da cidade do Rio de Janeiro do que eu. Como tenho certeza que quem entende mais os problemas de Rio Claro é o prefeito Babton”, completou.
Aí, diante de uma plateia querendo ouvir justamente que o interior será uma prioridade, Paes emendou que, caso eleito, fará um governo municipalista. “É para ter trabalho. Não é ficar mandando capa de asfalto para as cidades. Não é só esse o papel. É dizer: ‘prefeito, de quais projetos estruturantes você precisa? O que quer de ajuda para criar projetos?’ Teremos um governo municipalista. Eu quero muito ser governador do estado do Rio e podem ter certeza que vou dar muito de mim, vou me dedicar muito. O Rio é possível. Dá para transformar”, pontuou.
Durante o encontro, Paes também tentou se desvincular da polarização política do cenário nacional entre Lula e Flávio Bolsonaro. “Essa eleição é do Estado do Rio de Janeiro e quem vai sentar na cadeira de governador não é o candidato a presidente da República. Vai ter gente que vota no Lula, no Bolsonaro, no Zema, no Caiado. Quem vai governar o Estado é quem vai ser eleito governador. Tem que pensar o Estado sabendo que nem o Lula, nem o Bolsonaro, nem o Zema e nem o Caiado vão sentar na cadeira de governador”, disse, sendo muito aplaudido.
Líder nas pesquisas
Por falar em Paes, o ex-prefeito do Rio lidera com folga a disputa pelo governo do Estado, como mostrou a pesquisa Genial/Quaest divulgada na segunda, 27, que colocou o atual presidente da Assembleia Legislativa do Estado, ?Douglas Ruas (PL), e o ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos) bem distantes da briga pela segunda posição. A pesquisa ouviu 1.200 eleitores no Rio de Janeiro entre os dias 21 e 25 de abril.
Paes aparece com 34% das intenções de voto, seguido por Ruas, com 9%, e Garotinho, com 8%. Em dois cenários sem Garotinho, Paes varia entre 39% e 40%, enquanto Ruas ?soma entre 11% e 10%. Nenhum outro ?candidato chega a mais ?que 3% nos três cenários testados. Também nos três cenários a soma de ?indecisos, brancos, nulos e ‘não vai votar’ é de pelo menos 40%.
A ?pesquisa aponta ainda que, em um segundo turno com Ruas, Paes teria 49%, contra 16% do pré-candidato do PL. Indecisos ?somam 16% e brancos, ?nulos e não vão votar somam 19%.

