Físico, mas nem sempre

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Banco Porto Real teve agências, mas elas desapareceram bem antes da venda ao Nubank; entenda

Pollyanna Xavier

 A compra do Banco Porto Real de Investimentos pelo Nubank reacendeu uma discussão nas redes sociais: afinal, o banco tinha ou nunca teve agências físicas? A resposta é que as duas versões estão corretas, desde que se olhe para momentos diferentes da história da instituição. Segundo apurado pelo aQui, o Banco Porto Real foi criado em 1992 e atuava como um banco comercial. Tinha agências físicas em Volta Redonda e em algumas cidades da região, como Resende e a própria Porto Real. Daí surgiu a polêmica dos leitores – alguns, inclusive, ex-correntistas ou funcionários da instituição.  

Só que o Banco Porto Real de Investimentos nunca teve agência física. E é aí que mora a confusão. As agências pertenciam ao antigo Banco Porto Real. Quando a instituição passou a operar como banco de investimento, com natureza jurídica diferenciada, elas foram fechadas. Isso aconteceu porque, de acordo com o Banco Central, esse tipo de instituição não tem a mesma função de um banco comercial e nem pode prestar serviços bancários tradicionais ao público. Sua atuação é voltada, principalmente, para operações estruturadas, mercado de capitais, administração e participação em investimentos, além da concessão de crédito direcionado à atividade produtiva. 

As agências do Banco Porto Real foram fechadas no final dos anos 90. Em Volta Redonda, por exemplo, o banco funcionava em um imóvel na Vila, na mesma calçada da Secretaria Municipal de Assistência e Prevenção às Drogas (Semapred), na Rua 16. Após o encerramento das atividades, o prédio virou um templo da Igreja Universal. Em Porto Real, a antiga agência deu lugar ao Banco do Brasil, que, anos depois, também encerrou as atividades. Atualmente, o imóvel abriga uma escola de cursos técnicos à distância.

Já em Resende, o prédio que sediou a agência na década de 1990, no Campos Elísios, hoje é ocupado por uma unidade do Magazine Luiza. Como banco de investimentos, o Porto Real está instalado em um imóvel comercial no bairro Nova Colônia, em Porto Real. Não realiza atendimento ao público e seu funcionamento é estritamente como o de uma instituição de investimento. 

Outra informação apurada pelo aQui é que o Banco Porto Real de Investimentos pertence ao segmento S4 no Banco Central. Na prática, isso significa que ele não é considerado de importância sistêmica e está enquadrado entre os bancos de menor porte dentro da segmentação prudencial adotada pelo BC. Seus créditos, por exemplo, incluem exposição total inferior a 0,1% do PIB brasileiro. Mas isso não afastou o interesse do Nubank. Muito pelo contrário. O principal ativo da instituição não era o tamanho da operação, mas a licença bancária concedida pelo Banco Central. E, mesmo enquadrado no segmento S4, o Banco Porto Real de Investimentos nunca esteve livre da fiscalização do BC, nem das exigências regulatórias aplicáveis às instituições financeiras.  

A parte boa é que, com a incorporação ao conglomerado do Nubank, a tendência é de que esse enquadramento deixe de considerar apenas o Banco Porto Real e passe a refletir a estrutura do grupo ao qual ele será integrado, conforme a organização societária aprovada pelo Banco Central. As informações foram apuradas junto ao BC. 

Relação com a Rica

Um dos pontos questionados por leitores do aQui, inclusive através de mensagens enviadas ao WhatsApp do jornal, diz respeito ao perfil do atual controlador do Banco Porto Real de Investimentos. Em julho de 2025, o Banco Central autorizou a mudança do controle societário da instituição para a LPGR Participações S.A., tendo como controlador final o empresário Luiz Phillippe Gomes Rubini. O nome dele é conhecido no meio empresarial por ter sido sócio do Grupo Fictor, que chegou a negociar a compra do Banco Master e também arrendou as granjas da Rica no Sul Fluminense. Conforme já noticiado pelo aQui, as granjas foram posteriormente devolvidas ao grupo Reginaves Indústria e Comércio de Aves Ltda, proprietário da marca Rica, após o Grupo Fictor pedir recuperação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo. 

Quanto à mudança de controle do Banco Porto Real de Investimentos, ela ocorreu há cerca de um ano, antes do anúncio da venda para o Nubank. O aQui teve acesso aos documentos que comprovam a alteração societária da instituição. Até o momento, porém, não há qualquer informação pública que estabeleça relação entre o Master, o Nubank e o Banco Porto Real de Investimentos. Os fatos conhecidos e publicados nesta reportagem e na primeira matéria do aQui sobre o tema (edição n.º 1516) mostram apenas a sequência cronológica das operações societárias registrada em documentos oficiais do Banco Central.

O Nubank deverá divulgar seu próximo balanço financeiro na quinta, 13, depois do fechamento do mercado. A expectativa é de que o grupo comente a aquisição do Banco Porto Real de Investimentos e apresente as estratégias para a instituição daqui para frente. A conferir.