Por Mateus Gusmão
Parecia algo impos- sível de acontecer em pleno 2023, de tão surreal. Mas, infelizmente, acon- teceu. No dia 7 de janeiro, em São Paulo, Vitor Augusto Marcos de Oliveira, 25, foi vítima de uma parada cardíaca. O ‘xis’ da questão é que ele procurou atendimento médico, mas foi recusado em três unidades de saúde da capital paulista, já que as três, isso mesmo, as três unidades não tinham equi- pamentos para atender pessoas com obesidade mórbida, como era o caso de Vitor, que pesava 195 quilos. Ele morreu dentro de uma ambulância esta- cionada em frente ao Hospital Geral de Taipas enquanto aguardava a chegada de uma maca especial. Com a demora, não resistiu.
O caso chocou tanto os paulistanos que o Mi- nistério Público abriu in- quérito contra os hospi- tais para apurar a morte de Vitor. Afinal, Vitor percorreu 53 quilômetros dentro de uma ambulân- cia à procura de socorro. Não conseguiu. Diante do caso, o aQui quis saber se a rede de Saúde de Volta Redonda estaria preparada para atender pessoas com obesidade mórbida. De acordo com o Palácio 17 de Julho, os volta-redondenses que estão ‘acima do peso’ podem ficar tranquilos.
É que a moderniza- ção das unidades de saúde do município é constante e, até o presente momen- to, não foram registrados problemas de atendimen- to a pacientes acima do peso na rede pública de Volta Redonda. “A
prefeitura ressalta que a Saúde está preparada para atender pacientes obesos, e sempre busca melhorar sua estrutura continua- mente”, destacou, ressal- tando que em agosto do ano passado o Hospital do Retiro adquiriu um elevador elétrico para a transferência de pacientes em leitos de CTI (Centro de Terapia Intensiva). “O aparelho tem a função de mover, no próprio leito, pacientes com mobilidade reduzida devido a enfer- midades, deficiências físi- cas, idosos ou obesos. Além disso, o equipa- mento também pode au- xiliar na reabilitação de pessoas acamadas”, desta- cou a secretaria de Comu- nicação do governo Neto.
A Secom foi além. Garante que o Hospital Regional, no Roma, recebeu, em dezembro de 2022, um aparelho de ressonância magnética comprado pela prefeitura de Volta Redonda. Deta- lhe: o equipamento pode atender pessoas com obe- sidade mórbida. “O apa- relho é um dos mais mo- dernos do país e vai aten- der toda a região, e tem, entre seus diferenciais, a capacidade de carga da mesa de exames, que suporta até 250 kg, a maior capacidade de um equipamento da região,
podendo realizar exames com facilidade em pacien- tes obesos”, destacou.
O aQui também pro- curou a secretaria estadual de Saúde para saber detalhes do atendimento no Hospital Regional. “A direção do Hospital Regi- onal do Médio Paraíba Doutora Zilda Arns Neumann informa que atende todos os pacientes, inclusive com obesidade grave, em leitos adequados, além de ter toda a estrutura necessária para a assistência, como elevadores, por exemplo”, garantiu.
Outra unidade que se diz pronta para atender casos como o de Vitor é o Hospital Unimed Volta Redonda. “O hospital tem uma estrutura preparada para receber pacientes com obesidade mórbida. A unidade conta com cama hospitalar, macas, mesas cirúrgicas, cadeira de rodas e equipamentos adequados para procedimentos cirúrgicos, sendo referência em cirurgia bariátrica na região”, destaca.
Nota da Redação
O aQui também procurou o Hospital Santa Cecília, do Grupo ICC, que, até o fechamen- to desta edição, não deu retorno. Já a assessoria de comunicação do Hospital Hinja não foi encontrada para falar do caso.
Obesidade maior
Se em Volta Redonda o atendimento para pes- soas com obesidade pare- ce estar garantido, isso não é uma regra. Pelo menos é o que indica um estudo da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), que desenvolve um Programa de Certificação e Acredi- tação de profissionais e hospitais com o objetivo de elevar os padrões de qualidade dos serviços no atendimento de pacientes com obesidade. A diretoria da SBCBM propôs, em outubro de 2022 ao Ministério da
Saúde, suporte técnico e científico para auxiliar na avaliação e certificação de hospitais do país, tendo em vista que possui mais de 2,5 mil cirurgiões especializados no trata- mento da obesidade.
Para o presidente da SBCBM, Antônio Carlos Valezi, o tratamento ade- quado de pacientes com obesidade ainda é um desafio, e tragédias como a de Vitor se repetem com cada vez mais frequência. “As doenças relacionadas à obesidade são respon- sáveis por mais de 4,7 milhões de mortes em todo o mundo a cada ano, metade das quais ocorrem entre pessoas com menos de 70 anos de idade”, diz Valezi.

