SINDICAL: CSN ignora pedidos de Odair e apresenta proposta diferente, que é rejeitada na mesa
A segunda rodada de negociações da campanha salarial dos trabalhadores da CSN não foi nada produtiva. A empresa apresentou uma proposta, e o Sindicato a rejeitou. Tem mais. Nem vai levá-la à apreciação dos metalúrgicos. A rejeição passa por dois pontos importantes.
O primeiro é que a siderúrgica não ofereceu o reajuste salarial baseado no INPC, índice tido como básico para reajustar os salários e repor o poder de compra do trabalhador. Em abril, o INPC fechou em 3,77%, e a CSN ofereceu apenas 2% para quem ganha até R$ 5 mil e 1% para quem ganha acima deste valor. “É inadmissível”, resumiu Odair Mariano, presidente do Sindicato.
O segundo ponto é mais delicado: a CSN ignorou a pauta apresentada pelo Sindicato e não contemplou praticamente nenhum dos itens sociais expressos no documento. Nem mesmo a política de valorização da trabalhadora foi citada na oferta da CSN. A empresa ofereceu um abono (2025) de 2,23 salários para os trabalhadores operacionais, pagos em duas parcelas, nos meses de junho e novembro.
Ofereceu ainda um cartão extra no valor de R$ 900, também divididos em duas parcelas, como compensação pelo banco de horas, e um pequeno reajuste de 2% no cartão-alimentação, que passaria dos atuais R$ 1.090,26, para R$ 1.112,07. “A proposta não contempla sequer a recomposição das perdas inflacionárias, o que representa redução do poder de compra dos trabalhadores. Diante disso, a negociação não avançou”, pontuou Odair.
A oferta da CSN apresentou ainda um auxílio-creche no valor de R$ 735,61, bem distante dos R$ 1.000 pedidos pelo Sindicato. Os demais itens propostos na pauta não foram citados, mas a empresa se comprometeu a manter os itens sociais que foram oferecidos no acordo anterior.
Não e não
Para Odair, a oferta da CSN era, e é, inaceitável. “Não podemos aceitar um acordo que ignore a reposição da inflação. Isso significa perda direta no salário do trabalhador. A categoria merece respeito e valorização, e essa proposta está muito distante disso”, ressaltou. A mesma postura teve o diretor jurídico, Leandro Vaz, que classificou a proposta da CSN como “extremamente frágil”. “Não garantir a recomposição inflacionária fere o princípio básico de preservação do poder de compra. O sindicato não vai compactuar com retrocessos”, avisou.
Até o fechamento desta edição, a CSN não havia chamado o Sindicato para uma nova rodada de negociações. A data-base foi dia 1º de maio e o Sindicato já renovou o prazo, para garantir a continuidade das negociações sem prejuízo para o trabalhador.

