Em paralelo

Paulo Cesar de Oliveira Caldas, médico nascido em Volta Redonda, também está comemorando 69 anos de vida

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Por Emanueli Porfírio

Na próxima segunda, 17 de julho, Volta Redonda vai fazer uma grande festa para comemorar o seu 69o aniversário de fundação. Conhecida carinhosamente como a “cidade do aço”, ela coleciona histórias e estórias. É, por exemplo, o berço da industrialização brasileira e, graças à CSN, tornou-se conhecida mundialmente. Também registra, infelizmente, episódios lamentáveis, como a greve de 88, que terminou com a morte de operários da Usina Presidente Vargas. Politicamente, passou anos sem poder eleger seus prefeitos, que eram escolhidos pela Ditadura Militar.
Graças aos arigós, termo que voltou a ser usado no dia a dia de quem mora no município, Volta Redonda ao longo dos últimos 69 anos se transformou em um polo regional. Ou melhor, na capital do Sul Fluminense (leia a entrevista com o prefeito Neto nas páginas 6 e 7). Graças também às figuras ilustres que adotou como volta-redondenses e aos seus muitos ‘filhos’, que fizeram história ao longo desses 69 anos.
É o caso de Paulo Cesar de Oliveira Caldas, que nasceu em Volta Redonda no dia 7 de julho de 1954. Seus pais moravam no Monte Castelo e ele, vejam só, nasceu pelas mãos do doutor Nelson dos Santos Gonçalves, ex-prefeito, que o inspirou a seguir a carreira de médico. Foi até seu professor na Escola de Medicina de Vassouras, onde se formou.
Ex-integrante da Fanfarra de Volta Redonda, Caldas relembra seus tempos de estudante. “Eu estudei no Macedo (colégio). Era uma época muito boa, principalmente o ginásio, quando desenvolvíamos várias atividades. Jogávamos futebol de salão, tocava na Fanfarra, fazia teatro, praticávamos atletismo no Recreio do Trabalhador. Eu ia para o colégio de manhã, ia em casa almoçar e voltava para o colégio de novo”, relembra.
Ele vai além. Conta que, na época, os colégios funcionavam de segunda a sábado. “Sábado de manhã, normalmente, tínhamos aula de educação física. Não sei por que modificaram isso, era muito produtivo esse horário. Acordávamos muito cedo. Hoje você acorda às 7 da manhã, vai para o colégio, tem um monte de aula e não tem sábado, ou seja, o colégio não tem muita responsabilidade sobre o aluno”, avalia.
Apesar de a cidade do aço ter muitos pontos positivos e motivos para os moradores se orgulharem, com o passar do tempo, é inegável que, quando se trata de segurança, a situação piorou. Segundo Caldas, Volta Redonda era conhecida como uma cidade pacata. “Alguns bairros poderiam ser considerados mais violentos, mas era uma cidade pacata. O Eucaliptal tinha o ‘Morro dos Atrevidos’, o Santo Agostinho também era um bairro um pouco mais violento, mas não era essa violência que tem hoje. Hoje, você não pode andar na Vila depois das 18 horas que pode ser assaltado”, lamenta.
Quando fala da insegurança que reina em Volta Redonda, o médico lembra do que acontecia na sua época de estudante. “A segurança no município, por ser uma cidade estratégica por conta da CSN, era prestada pela polícia da CSN, com a ‘Rádio Patrulha’. Tinha ainda a cobertura da polícia do exército, que rodava os bairros. Ninguém podia ficar nas ruas depois das 22 horas, e a gente fazia, cumpria direitinho, não tinha problema nenhum”, contou ele, provando que, hoje, os tempos são outros.
Já em relação à saúde, o hoje médico Paulo Cesar de Oliveira Caldas conta que antigamente o Hospital da CSN era referência e atendia todos os municípios e bairros da “vizinhança”. “Tínhamos também o Hospital São José, o Santa Margarida, o São Camilo, que era um hospital basicamente particular, mas era muito bom. Hoje em dia estão todos fechados. Hoje, se você passar em frente ao São Camilo, dá vontade de chorar. Está totalmente abandonado”, desabafou, para logo completar. “O Hospital da CSN está muito aquém do que era básico”, completou.
Ainda sobre a saúde, Caldas diz que conhece Volta Redonda e crê que, apesar dos inúmeros postos de saúde espalhados pela cidade, ainda há muito o que melhorar. “Tinha basicamente dois postos de saúde na época, o Sandu, no Conforto, e o Pronto Socorro. Hoje, apesar de vários postos em todos os bairros, falta muito recurso humano. É uma dificuldade muito grande”, pontua.
Um dos assuntos que vem tirando a paz do morador de Volta Redonda nos últimos anos é a questão do pó preto da CSN. A situação não é nova para Caldas. “O pó preto existia, mas não era com tanta intensidade. Os bairros mais atingidos eram Conforto e Rústico”, afirma o médico, que relembra um dado muito importante para que todos entendam a situação. “Houve um erro de projeto. Era para a CSN ficar de um lado do rio e a cidade, do outro lado. A CSN ficou exatamente no meio da cidade, por isso que existe esse pó preto. Aumentou e muito depois que a CSN foi privatizada, e hoje está um inferno. A grande massa de Volta Redonda hoje tem problemas respiratórios por isso”, desabafou.
Apesar da poluição, Volta Redonda, segundo Caldas, era uma cidade pequena, mas tinha um glamour. “Eu conhecia todas as pessoas do bairro onde eu morava, o Monte Castelo. Hoje eu moro na Morada da Colina e não sei o nome do meu vizinho. As pessoas não se comunicam. Eu queria que Volta Redonda voltasse a ser como era”, disparou.
Em termos de estrutura, ele acredita que a cidade enfrenta um problema sério com relação ao trânsito. “Volta Redonda cresceu muito em termos de população, e hoje não tem espaço para mais carros. Quando inaugurou a CSN, poucos funcionários tinham carros; meu pai mesmo só foi ter um depois de 30 anos trabalhando na empresa. Então, hoje, a vida em Volta Redonda está muito difícil, a cidade está violenta, a educação – principalmente no Colégio Macedo, onde eu estudei – está muito aquém do que era.”, comparou.
Para encerrar, Paulo Cesar diz aos jovens que, para se construir um futuro, ‘é preciso muito trabalho, dedicação e empenho’. E que, apesar dos altos e baixos, no seu aniversário de 69 anos, deseja que a cidade do aço seja cada dia mais a cidade da saúde, do emprego, da segurança, do desenvolvimento e do crescimento. Amém.