Edimar estava com cara de ‘poucos amigos’
Por Pollyanna Xavier
Desde março, quando a Justiça do Trabalho decidiu que dois diretores do Sindicato dos Metalúrgicos deveriam ser afastados do cargo por perda de vínculo, o relacionamento da diretoria executiva do órgão com o presidente, Edimar Miguel, estaria estremecido. Nos bastidores, o grupo reclamava que Edimar nada teria feito para evitar a saída dos companheiros e, de lá para cá, as divergências só teriam aumentado. Em junho, a campanha salarial da CSN desgastou ainda mais o relacionamento entre as duas partes. Culminou quando Edimar se recusou a assinar a pauta do acordo aprovado, em assembleia, pelos trabalhadores da UPV.
A gota d’água aconteceu em agosto, com a demissão da ex- advogada do Sindicato, Ana Paula Martins, que denunciou ter sido vítima de assédio moral por parte do advogado Tarcísio Xavier, assessor jurídico de Edimar. Alguns diretores chegaram a procurar o aQui para falar da existência do racha. Contaram detalhes do que acontecia no Sindicato e reclamavam do modo como Edimar tomava decisões sem ouvir os demais diretores. E não se conformavam (talvez por ciúmes) com o protagonismo dado por Edimar ao seu assessor jurídico, Tarcísio Xavier, e de como ele tinha (e ainda tem) mais poderes do que os próprios diretores.
Sempre nos bastidores, o grupo passou a esperar a reintegração de Odair Mariano e José Marcos (que foram afastados em março) para tentar instaurar uma ação administrativa (sindicância, mais especificamente) contra Edimar Miguel. A ideia seria tomar o Sindicato à luz do Estatuto. Tudo devidamente compartilhado com a reportagem do aQui, que, a cada matéria feita, enviava e-mail para o presidente, dando a ele espaço para se pronunciar. Nunca houve qualquer resposta.
Na última semana, porém, tudo foi por água abaixo… E o discurso mudou. Os cinco diretores que estariam rachados com Edimar assinaram uma nota de esclarecimento desmentindo a existência do racha. O que os levou a tomar tal atitude, ainda é oficialmente desconhecido. Odair Mariano, Leandro Vaz, José Marcos, Maurício Faustino e Alex Clemente passaram uma borracha no passado e, com certeza, esperam passar a conviver em paz com Edimar & Tarcísio.
Os cinco, inclusive, foram procurados pelo aQui, que lhes enviou um questionário, de forma simultânea, com sete perguntas idênticas, para que contassem o que tinha acontecido. Só que a resposta dos cinco foi unificada, ou seja, eles se juntaram e responderam como se fossem só uma pessoa. Uma pergunta, entretanto, ficou sem resposta. Justamente a que indagava se Tarcísio Xavier teria mais protagonismo que Edimar e até do que eles mesmos. O silêncio parece ser sintomático. O curioso é que um deles, José Marcos, antes da resposta coletiva de comum acordo, chegou a responder ao aQui. Depois o grupo pediu que a resposta fosse desconsiderada.
O aQui publica a seguir, na íntegra (sem revisão ortográfica), as perguntas e respostas do grupo a respeito do racha, que virou ex-racha, com Edimar. Aliás, Edimar foi novamente procurado pelo editor do jornal para falar sobre o vai e vem do grupo que pretendia tirar-lhe a cadeira. E mais uma vez o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos não aproveitou a chance de contar realmente o que acontece com sua diretoria executiva.
aQui – Vocês negam as divergências com a presidência do Sindicato dos Metalúrgicos? Grupo dos cinco – Não. Temos muitas divergências, diferenças de opiniões e visão política, mas buscamos de maneira democrática sempre um debate saudável na diretoria executiva para equacionar e chegarmos ao ponto de equilíbrio. O Assessor Jurídico Tarcísio, tem o seu papel importante na história de luta para que chegássemos até essa direção, com suas ações jurídicas, tem sim uma gratidão por sua pessoa, até mesmo ele é o advogado pessoal. Mas o Sindicato é dirigido pela a diretoria Administrativa e sua base, conforme o estatuto para qual todos foram eleitos. (SIC)
aQui – Vocês negam a possibilidade de a Executiva abrir uma ação administrativa (uma sindicância interna) contra o Edimar Miguel, com base no Estatuto do órgão? Grupo dos cinco – Sim, não temos nenhuma ação administrativa ou sindicância interna contra o Edimar Miguel, nossas ações e prerrogativas sempre são tomadas de acordo com o estatuto.
aQui – Essa ação teria a ver com o caso do assédio moral envolvendo a advogada e ex- funcionária do Sindicato, Ana Paula Martins?
Grupo dos cinco – Sobre esse assunto, existe um inquérito no MPT e uma ação judicial. Por tanto, nossas decisões internas será pautas no estatuto e na transparência em uma gestão que preza sempre a verdade. (SIC)
aQui – Vocês estão sempre participando das decisões tomadas por Edimar?
Grupo dos cinco – A resposta é sim e não; Isso mesmo, já houve várias decisões que, talvez, pelas demandas e mesmo interpretações distorcidas, foram tomadas pelo Presidente Edimar com as quais as não concordamos e nem fomos consultados. Isto é que não passaram pela reunião da Executiva. Porém esses casos, que precisam ser evitados, deverão ser tratados no órgão de nossa Executiva e resolvidos para bem de nossa categoria.
aQui – O assessor jurídico Tarcísio Xavier tem mais protagonismo com Edimar do que os diretores do próprio Sindicato?
Grupo dos cinco – Não responderam
aQui – O Edimar deixou de cumprir algum acordo com integrantes da Comissão Eleitoral? Quais?
Grupo dos cinco – Sim, de fato houve algumas pessoas da comissão de fábrica que ficaram descontentes com as promessas que não foram cumpridas, e uma delas é que ninguém ficaria para trás.
aQui – Vocês autorizaram o uso dos seus nomes na nota oficial do Sindicato desmentindo a matéria veiculada pelo aQui sobre o racha na Executiva? Caso positivo, o que os levou a fazer isso? Caso negativo, o que farão a respeito?
Grupo dos cinco – Sobre a pequena nota publicada pelo o sindicato: sim autorizamos os nossos nomes, porque ela trata apenas de desfazer que haja qualquer ação administrativa ou judicial contra Edimar Miguel ou Assessor Tarcísio. (SIC)
NOTA DA REDAÇÃO:
Responderam ao questionário o vice-presidente do Sindicato, Odair Mariano; o diretor Financeiro, Alex Clemente; o diretor jurídico, Leandro Vaz; o de Saúde e Segurança do Trabalho, Maurício Faustino; e o de Comunicação e Assuntos Socioeconômicos, José Marques.

