Drible seco

Deley age e fala como candidato, mas dribla reportagem e diz que ainda não é hora de entrar em campo

Ex-jogador da seleção brasileira, o ex-deputado federal Deley de Oliveira anda experimentando uniformes de algumas legendas para ver qual veste melhor para retornar aos campos e vencer os adversários que terá pela frente até o jogo final, em outubro de 2022. Hoje, atuando como assessor especial do Palácio 17 de Julho, Deley conta com a ajuda do seu técnico, o amigo e prefeito Neto, para, caso seja escalado, voltar a Brasília e encarar um novo mandato parlamentar do Sul Fluminense, região que virou órfã desde que Deley foi varrido por uma ‘onda bolsonarista’ que elegeu até postes em 2018.
Em entrevista exclusiva ao aQui, Deley de Oliveira não assume que é candidato, nem que esteja para deixar o PTB, como se especula nos corredores do Palácio 17 de Julho. Se deixar a legenda, poderá procurar abrigo no PSD, no PL (do governador Cláudio Castro) ou voltar para o PV, partidos que sonham em tê-lo como candidato à Câmara, com o apoio do prefeito Neto, que poderá deixar o DEM.
“Pela história da minha vida, me acostumei aos grandes desafios, dentro e fora de campo”, pontuou Deley ao tentar convencer a reportagem do aQui que não é – mas que pode ser – candidato à Câmara. Detalhe: nos finais de semana, como não atua no Palácio 17 de Julho, Deley participa de alguns jogos (eventos) pelas cidades da região, em especial em Barra Mansa, também órfã de um bom parlamentar que a defenda em Brasília. O prefeito Rodrigo Drable, por exemplo, faz questão de acompanhar os dribles de Deley até pelos campos de grama sintética que vai inaugurando pela cidade.

aQui: Pelas postagens nas redes sociais, tem-se a impressão de que o senhor já está se preparando para disputar as eleições de 2022. Isso é certo? Vai tentar voltar à Câmara?
Deley de Oliveira: Neste momento, posso dizer com muita tranquilidade que está sendo extremamente gratificante poder ajudar o prefeito Neto na difícil missão de reerguer nossa Volta Redonda. Pela história da minha vida, me acostumei aos grandes desafios, dentro e fora de campo. Como deputado, tenho certeza de que poderia fazer ainda mais, representando melhor nosso governo e nossa cidade em Brasília. Isso não significa, no entanto, que serei candidato. Primeiro, temos de colocar a casa em ordem. As especulações se dão justamente por já termos feito tanta coisa em tão pouco tempo. Mas sabemos que ainda precisamos fazer muito mais.
aQui: Por que o senhor tem sido mais visto em Barra Mansa do que em Volta Redonda?
Deley: Estou todos os dias na prefeitura de Volta Redonda, trabalhando ao lado do prefeito Neto e sua equipe para reerguer nossa cidade. Nunca, no entanto, deixei de frequentar Barra Mansa. Nem nos tempos de garoto, nem nos tempos de jogador, nem como deputado e muito menos agora.

aQui: No início do mês, ao lado do prefeito Rodrigo Drable, o senhor participou da inauguração de um campo de grama sintética no bairro Siderlândia, graças a uma emenda de sua autoria. Por que demorou tanto tempo para a verba chegar a Barra Mansa?
Deley: O campo ficou lindo e vai beneficiar muita gente. Foi muito gratificante ver a verba ser tão bem utilizada pelo prefeito de Barra Mansa, garantindo um equipamento de qualidade para os moradores do Siderlândia.

aQui: Como analisa essa questão das verbas que os deputados federais podem destinar aos municípios? É um mal necessário?
Deley: O possível mal não está na verba, mas em quem a negocia e em quem a aplica. No meu caso, nunca tive meu nome envolvido em escândalos, em barganhas ou em mau uso de verbas públicas. Nada de Sanguessuga, Mensalão, Petrolão, rachadinha.

aQui: Como os parlamentares escolhem para quem mandar as emendas e o que ele (prefeito) tem que fazer?
Deley: Posso falar por mim. Não era eu quem escolhia, pois a mão era inversa. A necessidade da população é que movia a escolha.

aQui: Em campanha, os candidatos já são assediados pelos prefeitos, do tipo “preciso da verba para isso, para aquilo”? E todos os pedidos são atendidos?
Deley: Visitando as cidades, nós entendemos as necessidades da população, dos bairros, das comunidades. Procuramos sempre manter relações com pessoas de bem e bem intencionadas, independente do cargo.
aQui: Se o senhor for eleito, que lições levará para Brasília, levando em conta o tempo que ficou fora do poder?
Deley: Se eu for candidato, tentarei se eleito. Se for eleito, aprendemos todos os dias.

aQui: Hoje, três anos depois, fica a pergunta: por que o senhor não foi reeleito em 2018?
Deley: Havia uma onda que, graças a Deus, hoje vejo que acertei mesmo ao não querer surfar.

aQui: Em termos de valores, quanto o senhor destinou em emendas para Volta Redonda no último mandato? Todas chegaram e foram bem utilizadas?
Deley: Não estou preocupado nesse momento em somar valores, mas é olhar, 3ª Idade, Ginásios, creches, Postos de Saúde e muitas outras coisas. Mas sempre me dediquei a conseguir priorizar as necessidades de cada cidade, especialmente na região.
Foram dezenas de obras e projetos em Volta Redonda. E seria impossível dimensionar o quanto consegui, na medida em que nem tudo são emendas parlamentares. Inúmeras vezes fomos a ministros, governadores, secretários, sempre pedindo investimentos em especial para a região. Não dá, repito, para dimensionar isso.

aQui: E para Barra Mansa?
Deley: Como na resposta anterior, não estou preocupado nesse momento em somar valores, mas é olhar, como é o caso da retirada do Pátio de Manobras que é o maior sonho da cidade e que não consegui retomar. Mas sempre me dediquei a conseguir priorizar as necessidades de cada cidade, especialmente na região.
Foram dezenas de obras e projetos em Barra Mansa. E seria impossível dimensionar o quanto consegui, na medida em que nem tudo são emendas parlamentares. Inúmeras vezes fomos a ministros, governadores, secretários, sempre pedindo investimentos em especial para a região. Não dá, repito, para dimensionar isso.

aQui: O senhor já teria fechado apoio com quantos prefeitos da região? Quais?
Deley: Não estamos focados nisso no momento.

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