‘Dou nota 10’

Samuca se abre para o aQui e faz uma análise do seu governo

Hoje, quinta, 31, o cidadão Elderson Samuca Ferreira da Silva, o popular Samuca, ainda terá algumas horas pela frente para sentar-se na principal cadeira do Palácio do 17 de Julho, na Praça Sávio Gama, no Aterrado. A agenda oficial está em aberto, mas quem o conhece sabe que, a qualquer instante, o prefeito, que ficou polêmico nos últimos meses, pode se levantar e visitar, pela última vez no seu mandato, um bairro da cidade do aço para se despedir da população. Afinal, amanhã, sexta, 1, dará posse ao seu principal adversário, o prefeito eleito Antônio Francisco Neto.

aQui: O senhor está preparado para voltar a ser o volta-redondense Edelrson?
Samuca: Sempre fui o Elderson, apesar de agora o Samuca fazer parte do meu nome mesmo: Elderson Samuca Ferreira da Silva. Minha vida sempre continuou a mesma. Não tenho hábitos de ir para noites, festas. Sou uma pessoa caseira, passeio com a minha esposa, família. E estou preparado para agora, sem o mandato, seguir minha vida como servidor público.

aQui: O que fará daqui em diante? Vai, inicialmente, tirar férias, certo? Mas e depois? Como vai viver profissionalmente?
Samuca: Retorno à minha carreira como servidor público federal no meu órgão de origem. Já recebi algumas propostas para continuar na vida pública, mas isso está sendo analisado. O que posso dizer é que, onde estiver, sempre estarei defendendo a gestão pública. Mas vou analisar bem, mas a princípio retorno ao meu cargo.

aQui: Valeu a pena ser prefeito nos últimos 1460 dias?
Samuca: Demais! Tenho certeza que fiz o que pude pela nossa cidade, diante de uma das mais graves crises que tivemos na cidade. Teve greve dos caminhoneiros, crise nos governos Federal e Estadual que nos deixou sem repasses financeiros, prisão de governador, eleição conturbada para presidente, e agora a pandemia da Covid-19. Isso sem falar na dívida bilionária que herdamos. Ou seja, tenho total convicção que só conseguimos tocar a prefeitura, mantendo os serviços públicos, ampliando, abrindo Rodovia do Contorno, Restaurante Po-pular, entre outros, por conta de uma gestão eficiente. Se fosse um político à frente da prefeitura, tenho certeza de que nada disso tinha sido conquistado. Isso só foi possível porque fizemos gestão.

aQui: Quais foram os piores dias dos últimos quatro anos? Por quê? E os melhores?
Samuca: Cada dia na prefeitura, com uma crise do tamanho que enfrentamos, era uma batalha. Mas lógico que desatar tantos nós foram os dias mais marcantes, como a abertura da Rodovia do Contorno (na época chamada Rodovia do Transtorno), a Clínica de Diálise, que permite que centenas de pessoas não viagem longamente para fazer tratamento; a compra do Santa Margarida; a revolução no Transporte de Pacientes para outras cidades. Ganhar o prêmio ‘Prefeito Empreendedor Nacional’, do Sebrae, em duas categorias, o prêmio ‘Prefeito Amigo da Criança’ e sermos reconhecidos como uma das cidades mais transparentes do Rio, também é motivo de orgulho.

aQui: Quais foram as medidas que tomou e que hoje não tomaria? O caso Paulinho do Raio-X seria uma?
Samuca: Durante quatro anos, tomamos medidas que, depois, se mostram erradas. Isso é normal. Mas como sempre digo: segui a convicção de que estávamos buscando o melhor para a cidade. O caso do Paulinho do Raio-X é a prova de que me coloquei a disposição do meu município. Corri risco para demonstrar à nossa cidade que o tempo de corrupção tinha passado. Eu mesmo o denunciei aos órgãos competentes e isso ficou provado com sua prisão em flagrante pelo MP e Defesa Civil. Fiz certo.

aQui: Quando o senhor decidiu andar com seguranças?
Samuca: Quando as primeiras ameaças chegaram a mim. Nosso governo foi estruturante e mexemos no interesse de muitos poderosos. Além do caso Paulinho do Raio-X, lembro que enfrentei as empresas de ônibus, os postos de combustíveis desburocratizando a liberação para abertura de novos postos, entre outros. Isso não me intimidou e nem me imobilizou, mas me fez tomar mais cuidado com minha segurança.

aQui: O senhor inspirou a criação de centenas de memes, qual foi o mais engraçado? E o que mais o incomodou?
Samuca: Isso é uma questão interessante. Por sempre divulgar tudo nas redes sociais, nosso governo abriu espaço para esse tipo de coisa. Não me recordo de memes que me incomodaram. O que me incomoda é a mentira, fake news, e isso tivemos muito. O meme mais engraçado acho que foi o que me comparava com o Beiçola, aquele personagem da Grande Família. Eu mesmo fiz essa piada com amigos porque meu cabelo estava grande.

aQui: Alguns casos típicos de traição ocorreram no seu governo – exemplo o de Maycon Abrantes, vice-prefeito. O que ocorreu? Por que o senhor nunca se licenciou para que ele pudesse ter o gostinho de sentar na cadeira do chefe do Poder Executivo da mais importante cidade do sul do estado?
Samuca: Na verdade, ele chegou a assumir o cargo como prefeito durante um período de férias que tirei, entre 2018 e 2019. Mas o Maycon exerceu funções importantes no nosso mandato, como secretário de Ação Comunitária e presidente da Cohab. Infelizmente, por descompatibilidade, acabamos nos afastando.

aQui: Dá para revelar outros casos de traição?
Samuca: Tivemos alguns casos públicos de traição. Mas isso não vale muito a pena falar. Mas lembro que chamei para o governo pessoas que eu derrotei na eleição de 2016 para me ajudar, ajudar a cidade. E no primeiro momento que tiveram para me trair, fizeram isso. E o motivo aparente era um só: o poder!

aQui: Se o senhor estivesse passando pela Vila e desse de cara com algumas dessas pessoas – Neto, Baltazar, Nelsinho, Maycon, Dinho, Neném, Paulinho do Raio-X, Maurinho, Deley, Antônio Furtado, Rodrigo Drable –, o senhor pararia para conversar com elas ou mudaria de calçada?
Samuca: Não mudaria de calçada. Não tenho inimigos políticos. Tivemos adversários. Brigamos nas ideias. Quem não tem compromisso com a cidade, e sim com o poder, não falaria isso.

aQui: E com o presidente de CSN, Benjamin Steinbruch?
Samuca: Também. Benjamin Steinbruch foi um parceiro da cidade. E foi através da melhora de nossa relação com a CSN que tivemos avanços na cidade no setor de desenvolvimento econômico, como a aprovação pela Alerj e a regulamentação no Governo do Estado da criação do Polo Metalmecânico.

aQui: Por que a primeira-dama nunca exerceu qualquer função no Palácio 17 de Julho, como, por exemplo, comandar uma pasta de Ação Social, como é de praxe? Ela não quis ou o senhor preferiu mantê-la à distância do jogo político?
Samuca: Porque acredito que essa é uma forma de nepotismo e na nova política não se cabe mais esse tipo de nomeação, como de qualquer outro parente.

aQui: O senhor foi eleito atacando a “velha política” e a ela se aliou em várias oportunidades. Isso não teria influenciado a sua baixa votação nas eleições de 15 de novembro?
Samuca: Não avalio que me aliei à velha política. Me aliei a pessoas que, em dado momento, acreditei que poderiam ajudar a cidade. Afinal, todas as pessoas que se candidatam deveriam – em tese – ter um projeto para a cidade. Algumas pessoas dessa chamada ‘velha política’ demonstraram isso claramente para a cidade, ao buscar o poder pelo poder, me traindo durante a eleição de 2020.

aQui: O senhor aceita que errou ao ‘dar de bandeja’ a administração dos hospitais do Retiro e São João Batista as OSs envolvidas em escândalos? Teve política partidária (PSC) nesses dois casos?
Samuca: Não houve, em qualquer forma, dar de bandeja nada. Houve dois processos licitatórios e duas entidades vencedoras. Quando da assinatura do contrato, vale lembrar, nenhuma das duas teve nomes ligados a escândalos. E lembro: na primeira denúncia, eu mesmo levei todos os processos ao Ministério Público Federal e rescindi os contratos. Outra lembrança: não há qualquer citação de denúncia dessas OSs envolvendo Volta Redonda.
Só implantamos as OSs por conta de ter que resolver as contratações de RPAs na cidade, uma ilegalidade de mais de 20 anos. Entretanto, após ver o resultado da gestão das OSs, rescindimos os contratos. Os hospitais estão municipalizados.

aQui: O senhor acha que errou ao levar anos para ocupar – e, ainda assim, parcialmente – o antigo Hospital Santa Margarida?
Samuca: Não. A compra do Hospital Santa Margarida é um marco. Por falta de interesse, deixaram fechar essa unidade. Nós ocupamos dentro de um planejamento financeiro. A pandemia da Covid-19 atrapalhou e atrasou o processo de abertura. Mas isso foi feito e hoje tem leitos de retaguarda, centro de imagem, ambulatório de atendimento, Policlínica da Mulher e a sede da Secretaria de Saúde.

aQui: O senhor acha que errou ao criar um hospital de campanha para a Covid-19, em vez de usar o Santa Margarida para enfrentar a pandemia?
Samuca: No início da pandemia ninguém sabia o comportamento do vírus. Por todo mundo foram criados hospitais de campanha. O nosso teve um dos menores custos do Brasil. Fizemos o que tinha que ser feito. Graças a Deus e ao nosso trabalho de controle do vírus, não precisamos de tantos leitos igual preparamos.

aQui: Por que a maioria dos eleitores votou em Neto, seu principal inimigo político?
Samuca: Essa pergunta não sou eu que tenho que responder. Não tenho como avaliar essa questão. O que posso dizer é que gestão não é mágica e nunca vou mentir para a população de Volta Redonda.

aQui: Por fim, que nota daria ao seu governo?
Samuca: Diante das dificuldades que tivemos, dou nota 10. Infelizmente não conseguimos fazer tudo o que queríamos. Mas não peguei recursos do PAC I, PAC II, PAC III, Copa do Mundo, Olimpíada. Tivemos foi muita dificuldade, crise, dívida bilionária, greve dos caminhoneiros, pandemia da Covid-19… E mesmo assim entregamos Rodovia do Contorno, Arena Esportiva, Hospital do Idoso, três unidades básicas de saúde, dois centros odontológicos concentrados, a abertura da Clínica de Diálise, o Tarifa Comercial Zero, a Rua de Compras, a briga incansável por um transporte público de qualidade, entre tantas outras coisas. Gestão não é mágica e, como sempre digo, nossa administração é como árvore, ou 20 mil delas, que plantamos por toda a cidade. Os frutos da nossa gestão serão vistas por anos.

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