Dilema

Volta Redonda quer retornar as aulas em agosto, mas secretária diz que vai depender da bandeira

Recentemente, a prefeitura de Volta Redonda divulgou entre os profissionais da Educação um link que dava acesso a um cadastro referente à vacinação. Foi o sinal de que as aulas poderiam ser retomadas. Poucos dias depois, a secretária de Educação, Therezinha Gonçalves, anunciou durante a eleição dos conselheiros do Fundeb (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação Básica) que a ideia do governo é reabrir as escolas com aulas presenciais já em agosto. O modelo a ser adotado será o mesmo de Barra Mansa: híbrido.
“Temos a previsão, com a curva se achatando, de retornar de forma híbrida. É uma previsão que depende, claro, da conjuntura, de todo o contexto, para se concretizar”, anunciou Tetê, referindo-se ao índice de contaminação da Covid-19. Vale lembrar que no início de abril, Volta Redonda estava na ‘Bandeira Roxa’, ou seja, nível mais perigoso para contágio. Caiu para a ‘Bandeira Laranja’ em maio, por conta da abertura de novos leitos de UTI e até por conta do ‘superferiado’ decretado pelo governo do estado.
A atual gestão da SME nunca escondeu que não tem a intenção de manter as escolas fechadas, mesmo diante da pandemia. No último dia 30, Tetê flexibilizou ainda mais as regras e exigiu que diretores, pedagogos, funcionários administrativos e de apoio voltassem a seus postos de trabalho em horário normal. E assim estão fazendo desde o dia 3 de maio. “Esclarecemos que o funcionamento tem por objetivo o atendimento contínuo à comunidade escolar e às demandas administrativas, principalmente às que se referem à preparação do ambiente físico para o momento que retornarmos às aulas presenciais”, dizia o documento, assinado por Virgínia Helena, subsecretária de Educação ao qual o aQui teve acesso.
O Sindicato dos Profissionais da Educação de Volta Redonda (Sepe-VR) viu com preocupação a iniciativa da SME. Em nota, sinalizou que pode seguir os passos de sua matriz, no Rio, que declarou greve. “O Sindicato dos Profissionais da Educação, inclusive em âmbito estadual, vem reiteradas vezes se manifestando em favor da vida da comunidade escolar como um todo, pois ela é única. Não é mais possível tolerar a quantidade de mortes causadas por um vírus para o qual já tem vacina. Diante disso, este sindicato defende que a volta às aulas deve acontecer apenas mediante vacinação não só dos professores, mas, também, de funcionários administrativos, da cozinha, da limpeza etc. Vale lembrar que o governo do Estado não respeitou essa prerrogativa e, portanto, a categoria decidiu por GREVE PELA VIDA”, criticou a direção colegiada.
Ainda de acordo com a nota dos sindicalistas, há uma série de pontos que devem ser levados em consideração para evitar a mortandade. “Sabemos que a maioria das escolas de Volta Redonda, assim como do Brasil inteiro, estão sucateadas. Banheiros mal equipados, espaços com pouca ou nenhuma ventilação natural e salas superlotadas. Em alguns bairros, principalmente da periferia, falta água constantemente no meio dia o que atrapalha seriamente a higienização do corpo docente e discente. Problemas antigos historicamente negligenciados pelos governos, mas que hoje são mortais em tempos de pandemia”.
Sobre a volta paulatina dos profissionais da Educação, a nota afirma que a SME já vinha colocando alguns em risco. “Há que se lembrar ainda que a secretaria de Educação já vem ensaiando esse retorno sem garantir a estrutura necessária. Na semana passada, foi emitido um documento exigindo que a equipe diretiva, pedagógica e técnica das escolas voltasse a seus postos de trabalho todos os dias a fim de atender a comunidade e organizar o espaço. Mas como se organiza o espaço se nem funcionários da limpeza as escolas têm em número suficiente, já que esses profissionais foram demitidos no auge da pandemia? Como se organiza o espaço sem EPIs, sem treinamento adequado para garantir os protocolos de higiene?”, questionou através do documento.
Por fim, os sindicalistas deram um recado à população. “Entendemos que manter os alunos fora da escola por todo esse tempo é cruel com o aprendizado, mas reabrir as escolas sem responsabilidade pode significar um morticínio para o qual não haverá solução. Sim, quanto mais tempo longe dos bancos escolares, mais difícil será recuperar o tempo perdido, mas é possível fazê-lo desde que alunos, professores e funcionários estejam vivos”, finalizou a nota.
João Marques, presidente do Sindicato dos Professores de Volta Redonda, que representa as escolas particulares e a Fevre, também desabafou sobre a provável volta às aulas em agosto. “O Sinpro tem de dizer que sempre esteve na defesa da categoria E que jamais “CAPITULOU”, ressaltou, garantindo que o órgão entrou com uma ação questionando a volta às aulas “sem vacinar todos os alunos, professores e profissionais da educação”.

Deixe uma resposta