Dia das Mães: 7 formas de apoiar mães de pessoas com autismo e outras neurodivergências

0
1

Atitudes práticas 

A maternidade é cercada por aprendizados, adaptações e desafios diários. Quando se trata de mães atípicas — aquelas que cuidam de filhos com neurodivergências como autismo, TDAH, dislexia, discalculia, dispraxia e síndrome de Tourette — essa realidade pode ser ainda mais intensa, exigindo maior disponibilidade emocional, organização da rotina e o enfrentamento de demandas constantes.

Nesse contexto, o suporte de familiares, amigos e da sociedade se torna essencial. Para o psicólogo Filipe Colombini, especialista em parentalidade e neurodivergências, contar com uma rede de apoio estável é fundamental para preservar a saúde mental dessas mães. “A sobrecarga não vem apenas da rotina, mas da sensação de estar sempre em alerta e, muitas vezes, de carregar essa jornada sozinha. Quando essa mulher se sente acolhida, ela ganha fôlego emocional para sustentar os desafios do dia a dia”, explica. 

O especialista também destaca que ter com quem contar faz diferença concreta na vivência da maternidade atípica. “Não se trata de eliminar as dificuldades, mas de garantir que essa mãe tenha apoio para dividir seus desafios ao longo do caminho. Esse amparo contínuo transforma completamente essa experiência.” 

“Ou seja, fortalecer a rede de apoio é um passo essencial para promover mais qualidade de vida às mães atípicas e suas famílias, além de contribuir para a construção de uma sociedade mais empática, inclusiva e consciente”, afirma o especialista.

A seguir, confira 7 formas de apoiar a maternidade atípica, segundo o psicólogo Filipe Colombini:

  1. Faça parte da rede de apoio de forma ativa
    Não só ajudar de forma pontual, mas estar presente de maneira contínua contribui muito com uma rotina exaustiva de uma mãe atípica. Atitudes como se interessar pelas necessidades da família e se disponibilizar para ajudar em diferentes momentos traz mais segurança emocional para a mãe. “Rede de apoio não é só estar disponível quando sobra tempo, mas se comprometer com a presença. Isso faz com que essa mãe se sinta acolhida e amparada de verdade”, destaca Filipe.
  2. Ofereça ajuda prática no dia a dia
    A rotina de uma mãe atípica costuma ser intensa, com consultas, terapias e cuidados constantes. Por isso, pequenas ações práticas fazem grande diferença. Preparar uma refeição, auxiliar com tarefas domésticas ou cuidar da criança por algumas horas são atitudes que aliviam a sobrecarga. “Esse tipo de suporte permite que a mãe tenha momentos de respiro e consiga reorganizar sua energia física e emocional”, diz Colombini.
  3. Respeite o tempo e os limites dessa mãe
    Cada criança tem suas particularidades, e cada família possui sua própria forma de lidar com os desafios. Comparações, julgamentos ou opiniões não solicitadas podem aumentar ainda mais a pressão emocional. “É importante entender que não existe um padrão único de maternidade. Respeitar os limites e as escolhas dessa mãe é uma forma de cuidado e empatia”, explica o psicólogo.
  4. Busque informações sobre a neurodivergência
    Buscar informações sobre as condições da criança é um passo importante para acolher melhor essa família atípica. Isso ajuda a reduzir preconceitos, evita interpretações erradas e contribui para uma convivência mais acolhedora. “Quando o entorno entende melhor a realidade da criança, a mãe deixa de carregar sozinha o peso de explicar e justificar situações do dia a dia”, ressalta o especialista.
  5. Promova inclusão nos diferentes ambientes
    A inclusão não deve acontecer apenas no discurso, mas também na prática. Adaptar ambientes, flexibilizar rotinas e acolher as necessidades da criança são atitudes que impactam diretamente na qualidade de vida da família. “Quando a sociedade se adapta, a mãe deixa de viver em constante estado de alerta. Isso reduz o estresse e favorece o desenvolvimento da criança”, ressalta Colombini
  6. Pratique a escuta ativa e o acolhimento emocional
    Muitas mães atípicas enfrentam sentimentos de exaustão, culpa e solidão. Ter um espaço seguro para falar, sem julgamentos ou interrupções, é fundamental. “Ouvir com atenção, validar emoções e evitar minimizar as dificuldades são formas simples, mas extremamente potentes de apoio emocional”, afirma o psicólogo.
  7. Incentive e viabilize momentos de autocuidado
    O cuidado com a criança costuma ocupar grande parte do tempo dessas mães, fazendo com que elas deixem suas próprias necessidades em segundo plano. Por isso, incentivar e possibilitar momentos de descanso, lazer ou autocuidado é essencial. “Cuidar de si não é um luxo, é uma necessidade. Quando essa mãe consegue se reconectar consigo mesma, ela também se fortalece para cuidar do outro”, afirma o especialista.

Mais sobre Filipe Colombini: psicólogo, fundador e CEO da Equipe AT, empresa com foco em Acompanhamento Terapêutico (AT) e atendimento fora do consultório, que atua em São Paulo (SP) desde 2012. Especialista em orientação parental e atendimento de crianças, jovens e adultos. Especialista em Clínica Analítico-Comportamental. Mestre em Psicologia da Educação pela PUC-SP, entre outras. 

Ser mãe de mãe
Por Deborah Dubner*

Antes de virar avó, nunca me falaram sobre o impacto de ver a nossa filha se tornar mãe. Sempre ouvia das avós sobre a emoção de ter netos. Uma amiga me contou do seu amor oceânico pelos netos quando soube que eu viraria avó. Sim, era verdade! Mas quando virei avó, além desse amor profundo, vivo e transbordante que senti, fui visitada por algo singular, completamente surpreendente: a emoção de ser mãe de mãe.

Uma nova presença me habitou ao me tornar mãe de mãe. De um instante para outro, nós passamos a compartilhar um olhar cúmplice: ambas sabemos o que é ter filhos. Logo nos primeiros dias, ela entendeu o vácuo de respostas, a insegurança do primeiro banho, as dúvidas que nunca cessam. 

Nos encontramos nessa cumplicidade: tornamo-nos duas mães, não apenas mãe e filha. E isso mudou tudo, pois adentramos mais profundamente no mundo uma da outra. Porque agora, de alguma forma, ela sabe. 

Ser mãe de mãe me tirou definitivamente do protagonismo tantas vezes desafiador, para apenas apoiar. Com todo o amor que eu posso entregar e todo o respeito que ela merece receber. Com o maior cuidado, eu procuro ser a rede para ela descansar e o abraço que alivia sono, dores, dúvidas ou lágrimas. 

Olhando minha filha, que em seis anos virou mãe de três, eu me surpreendo com o quanto ela sabe o que eu não sabia. Já estive nesse lugar antes e no tempo do coração, foi ontem. Não foi fácil e foi maravilhoso. Ela também sabe: é maravilhoso e não é fácil. 

Ser mãe de mãe também tem me ensinado sobre o momento de falar e o momento de calar. Eu posso ter vivido mais, mas não cabe a mim decidir o que é melhor para meus netos. Uma resposta amorosa ajuda. Uma opinião invasiva atrapalha.

Por isso, ser mãe de mãe me expande e me recolhe. Ganhei a sabedoria geracional da avó, mas as decisões não me pertencem. São da mãe, não da filha. Procuro servir com humildade e cuidado. 

Outro aprendizado absolutamente essencial nesta trajetória é sobre o limite tênue entre o amor à família e o amor-próprio. Quando dizer sim? Quando dizer não? Como navegar de forma leve e verdadeira, sem a âncora da culpa tingindo as relações? Como compor as necessidades de todo o sistema, a vontade de estar presente de corpo e alma, com os momentos de respiro e vida pessoal?

Ser mãe de mãe tem sido uma travessia viva e profunda. A filha continua lá, olhos brilhantes, sorriso de criança crescida. Mas a mãe resplandece em gestos simples de beleza, segurança e amor que transborda aos meus netos. 

Não sei exatamente que mãe eu era quando esta mãe que vi nascer era apenas um bebê em meu colo. Mas olhando minha filha, sei que alguma boa semente foi plantada, para florescer essa tão linda mãe 27 anos depois. 

Virar avó me ofertou um bônus especial: ser mãe de mãe!

Deborah Debner é psicóloga e escritora, autora de sete livros sobre autoconsciência, evolução pessoal e Psicologia, com uma boa dose de poesia. Palestrante TEDx, especialista em Neurociência e Psicologia Positiva, é também graduada em Ciência da Felicidade e professora de pós-graduação em Motivação e Resiliência.