Corte nos salários

Não é de hoje que os servidores da prefeitura de Volta Redonda sentem arrepios toda vez que escutam o nome de Franco, o atual secretário de Administração do governo Neto. Que no passado tinha a fama de perseguir a todos. A raiva vai piorar. Entre as medidas propostas por Cláudio dos Santos, o temido Franco, para reduzir as despesas da máquina pública, uma se destaca: o corte de 30% a 40% das gratificações pagas a quem trabalha para o Palácio 17 de Julho. “Maior covardia”, disparou um deles ao receber a notícia.
Pedindo para não ter seu nome revelado, ele dá alguns detalhes. No Saae-VR, por exemplo, cerca de 140 pessoas terão os salários reduzidos. Todos são ocupantes de cargos de supervisão, gerência etc. “Eles irão perder 35% dos salários”, garante, indo além. “Na prefeitura, a redução será em cima das gratificações. A ordem do Franco é cortar as gratificações”, completou. “Vai ser um tiro no pé”, sentenciou.
Procurado pelo aQui na manhã de ontem, sexta, 29, no momento exato em que explodia uma greve dos funcionários do Saae-VR, lotados no Bela Vista, justamente pelos cortes determinados na folha de pagamento da autarquia, o prefeito Neto, através da secretaria de Comunicação, negou a decisão. “Não há nada disso, não. Só o decreto do dia 1 de janeiro”, informou, referindo-se ao Decreto 16.531, o que estabeleceu o estado de calamidade pública no município de Volta Redonda.
Braços cruzados
Sexta-feira, fim do mês, pagamento quase na conta, sol de rachar. O fim de semana dos funcionários do Saae-VR tinha tudo para ser ótimo. Mas qual não foi a surpresa deles ao pegar o contracheque bem cedo e descobrir que tinham perdido a gratificação de representação que, no caso específico da autarquia, pode representar praticamente todo o salário de dezenas de funcionários. Na maior parte dos casos, a sangria chegou a 50%. “Ia receber apenas R$ 600”, contou um dos que engrossaram a voz durante assembleia dos funcionários, realizada na sede, no Bela Vista, que decidiu por manter uma greve por tempo indeterminado, a primeira do governo Neto.
O diretor-executivo do Saae-VR foi pego de surpresa e correu ao encontro de Neto. Na volta, falando com os grevistas, Paulo Cezar de Souza, o PC, afirmou que tudo seria resolvido. E que tudo teria sido fruto do decreto, baixado pelo prefeito Neto, definindo uma redução de até 40% nos gastos da prefeitura, incluindo o corte de gratificações de representação, na prefeitura e em todos os outros órgãos públicos.
“Há uma diferença na gratificação do Saae-VR e da prefeitura. Mas como é preciso mandar a folha de pagamento para o banco com três dias de antecedência, usou-se o próprio decreto como base. Mas em grande parte do nosso pessoal a gratificação já é o salário, e como houve esse corte, o pagamento diminuiu muito”, argumentou.
Segundo PC, durante a conversa com o prefeito Neto, ficou estabelecido que a diferença será paga em uma folha suplementar, já na segunda, 1. PC informou ainda que a partir de fevereiro será feita uma análise mais detalhada das gratificações, caso a caso, tendo em vista a necessidade de economia da prefeitura. Para exemplificar, disse que houve um corte de cerca de 50% nos cargos comissionados no Saae-VR. “Haviam 52 cargos comissionados, agora são 21. Em muitos casos, as pessoas estão assumindo mais de uma posição – um diretor atuando como gerente – pelo menos até que se normalize essa situação financeira da prefeitura”, ponderou.
A ponderação não foi levada muito em conta, não. É que, segundo uma fonte, os funcionários do Saae decidiram manter os braços cruzados durante o final de semana, à espera da folha complementar. “Quando o dinheiro entrar, voltaremos a trabalhar”, disse um deles, pedindo anonimato. Segundo ele, todos os serviços de manutenção da rede e emergência, como falta de água, ficarão sem atendimento. Outro foi além. Lembrou que o Saae é uma empresa autônoma, e que fechou o ano de 2020 com R$ 6 milhões em caixa. “A folha salarial mensal consome apenas 25% do que o Saae arrecada. Por aqui, não há insolvência como no Palácio 17 de Julho”, ironizou. “Nós, funcionários do Saae-VR, estamos prestes a levar um golpe muito duro”, disparou, referindo-se ao corte das gratificações. “A retirada da gratificação de representatividade que o atual prefeito insiste em tentar tirar, de forma arbitrária do funcionário público, reduzirá em média 45% dos vencimentos de seus funcionários. Que fique claro: gratificação regida por lei aprovada na Câmara”, comparou.

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