Os governos do PT na Presidência da República, incluindo os três mandatos de Lula, não têm se notabilizado pela luta contra a corrupção, nem pela segurança pública.
Nós tivemos o Mensalão, que foi condenado pelo Ministro Carlos Ayres Britto, quando ainda era presidente do Supremo Tribunal Federal. Ocorreu também o Petrolão, no governo da presidente Dilma, que o Ministro Joaquim Barbosa igualmente condenou. Além disso, houve a Lava Jato que, apesar das confissões dos corruptos e corruptores, teve seus atos perdoados pelo Supremo, embora saibamos que o crime de corrupção se configurou.
Recentemente, os jornais noticiaram que o ex-presidente do INSS (nomeado em 2023, no terceiro mandato do governo Lula) também foi preso por desvios de dinheiro que, evidentemente, prejudicam quem necessita dos recursos, visto que se trata de uma classe menos favorecida.
A corrupção é o pior que pode existir num país. Foi este o princípio que sempre procurei ensinar nas aulas que ministrei para futuros advogados, juízes e magistrados, bem como nos concursos dos quais participei, examinando candidatos.
Governos corruptos fazem com que o povo não confie no Estado e no Poder Público. E, o que é pior, sinalizam que o próprio povo também pode ser corrupto para sobreviver. Dessa forma, reitero minha convicção, que venho defendendo ao longo de toda a minha vida: a corrupção é o pior mal que pode existir dentro de um governo e deve ser combatida com toda a força.
A reincidência de grandes escândalos de corrupção, transversal a diferentes gestões e poderes, impõe um questionamento crucial sobre a efetividade e a independência das instituições de controle no Brasil. O ciclo de descoberta de desvios (como o Mensalão, Petrolão e a Lava Jato), seguido pela anulação de atos judiciais ou a revogação de condenações, sinaliza uma fragilidade sistêmica que transcende o embate político-partidário. Este padrão não apenas compromete a confiança pública na administração estatal, mas também corrói a própria segurança jurídica, essencial para o desenvolvimento econômico e social.
Ao permitir que grandes casos de corrupção prescrevam ou sejam revisados por questões formais, sem a devida responsabilização, o Estado envia uma mensagem perigosa de impunidade estrutural, que desestimula o serviço público ético e perpetua a cultura de desvio em vez da moralidade intrínseca que se espera.
A única forma de se poder, realmente, avançar é não ter corrupção no país. Quando corruptos e corruptores confessam e são perdoados, ou quando vemos que em todos os mandatos (Lula 1, Lula 2, Dilma 1, Dilma 2 e Lula 3) houve processos em que a corrupção aparece, isso é muito ruim para o país. E o apelo que sempre faço àqueles que estão no poder é que lutem para combater esse mal.
Não é justo que as pessoas que necessitam de recursos sejam lesadas para beneficiar poderosos que estão no governo. Neste sentido, os principais jornais do país têm noticiado e criticado em seus editoriais o que aconteceu no INSS.
Desvios em órgãos como o INSS, que visam o benefício de indivíduos poderosos, ilustram de forma dolorosa como a busca por lucro ilícito por parte de agentes estatais detrai recursos essenciais que deveriam mitigar a pobreza e a desigualdade. Este crime contra o patrimônio público configura um grave atentado à dignidade humana e ao princípio constitucional da solidariedade social. A cada centavo desviado de fundos previdenciários, de saúde ou educação, aumenta-se a distância entre o que o Estado promete e o que ele entrega, transformando a corrupção em uma das principais barreiras à construção de uma sociedade mais justa e equitativa e consolida as estruturas de exclusão e miséria no país.
Entendo, pois, que aquele que deseja seguir a carreira pública — seja como burocrata, servidor ou político — em primeiro lugar, deve ter plena consciência do princípio da moralidade que, dentre os cinco princípios fundamentais do artigo 37 da Constituição Federal é, a meu ver, o mais importante.
Não se trata de uma moralidade apenas formal, que se limita a cumprir a lei, mas sim de uma moralidade intrínseca, um sacerdócio de servir ao povo, de procurar realmente, por ter escolhido o serviço público, servir ao público e não servir-se dele.
Esta é a tecla que bati a vida inteira e continuarei afirmando: são 67 anos dedicados à advocacia e 61 como professor universitário. Embora me sinta muito perto de Deus me chamar, continuarei a dizer, enquanto Ele me permitir e eu ainda possa expressar algo: a corrupção é o pior mal que pode existir dentro de um governo e deve ser combatida com toda a força.
Neste sentido, tenho a esperança de que Deus tenha comigo a condescendência de me fazer como as árvores, que morrem em pé, pois desejo trabalhar e dizer o que penso, como cidadão, até o último dia da minha vida.

Ives Gandra da Silva Martins é professor emérito das universidades Mackenzie, Unip, Unifieo, UniFMU, do Ciee/O Estado de São Paulo, das Escolas de Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme), Superior de Guerra (ESG) e da Magistratura do Tribunal Regional Federal – 1ª Região, professor honorário das Universidades Austral (Argentina), San Martin de Porres (Peru) e Vasili Goldis (Romênia), doutor honoris causa das Universidades de Craiova (Romênia) e das PUCs PR e RS, catedrático da Universidade do Minho (Portugal), presidente do Conselho Superior de Direito da Fecomercio -SP, ex-presidente da Academia Paulista de Letras (APL) e do Instituto dos Advogados de São Paulo (Iasp).
Promessas de Ano Novo e a ilusão do “agora vai”
Marcelo Hugo da Rocha Todo fim de ano vem acompanhado do mesmo ritual: taças erguidas, fogos no céu e uma lista mental de promessas que, no calor da virada, parecem perfeitamente possíveis. “Dessa vez vai ser diferente”, repetem muitos, embalados pela euforia coletiva. No entanto, a ciência do comportamento mostra que esse entusiasmo dura pouco, e que as boas intenções raramente sobrevivem ao carnaval. Pesquisas indicam que a maioria das metas de Ano Novo fracassa antes do fim de fevereiro. O motivo?
Expectativas irreais, falta de planejamento emocional e o velho conhecido: o falso otimismo que confunde desejo com prontidão. Metas falham por má estrutura e não por má vontade. Criar uma lista de resoluções sem entender as emoções que a sustentam é como tentar construir uma casa sem fundação. A força de vontade é um recurso limitado, esgota-se com o tempo e com o estresse, como um músculo que cansa. Por isso, confiar apenas nela para manter a disciplina costuma levar à frustração. Ademais, muitos confundem empolgação com motivação duradoura. Como mostra a psicologia, a melhor é aquela que nasce do alinhamento entre o que se quer e o que faz sentido, a chamada motivação intrínseca. Quando a meta não conversa com valores internos, a procrastinação encontra terreno fértil. Outro equívoco é tentar mudar tudo de uma vez.
Grandes transformações dependem de pequenas vitórias cumulativas. Os micro-hábitos são um bom exemplo: ajustes sutis e consistentes que reprogramam o cérebro para mudanças sustentáveis. Em vez de metas genéricas como “vou ser mais saudável”, prefira algo concreto: “farei uma caminhada de 15 minutos antes do café da manhã, segundas, quartas e sextas”. Cada pequena ação é uma prova de que o recomeço está em curso. Mas não basta agir mecanicamente. A mudança só se mantém quando acompanhada de regulação emocional: a capacidade de reconhecer e lidar com as emoções que sabotam o progresso. Medo, ansiedade, culpa e autocrítica são obstáculos que paralisam decisões e alimentam o ciclo de adiamento. A saída é desenvolver consciência emocional: identificar o que se sente diante da meta, acolher o desconforto e seguir mesmo assim. Aqui está um roteiro prático para transformar promessas em conquistas em três passos simples:
1. Autoavaliação – Reflita sobre o que tem significado para você e por que deseja mudar.
1. Microplanejamento – Divida o objetivo em pequenas etapas concretas e mensuráveis.
1. Regulação emocional – Observe suas reações diante dos obstáculos e ajuste o ritmo sem culpa.
A virada de ano pode inspirar, mas não transforma por si só. A mudança acontece quando o entusiasmo da meianoite se converte em hábitos diurnos, sustentados por paciência, autoconhecimento e gentileza consigo mesmo. Porque, no fim das contas, o futuro não começa em 1º de janeiro, e sim, no primeiro passo que você escolhe dar hoje. *Marcelo Hugo da Rocha é psicólogo clínico e autor do livro “A Psicologia da Procrastinação”

