‘Corretor de empregos’

O prefeito Samuca Silva está rindo à toa. Não é para menos. Depois de perder algumas horas de sono por ter exonerado diversos servidores, ocupantes de cargos comissionados (CCs), que contavam até então com a proteção dos vereadores, que passaram a lhe infernizar a vida, uma boa notícia lhe foi repassada. Que comemorou em grande estilo. A de que Volta Redonda foi a cidade que mais gerou empregos em 2018 em todo o estado do Rio. Os dados são oficiais. São do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). “É um resultado histórico”, gabou-se Samuca, referindo-se ao fato de que os 2.295 postos de trabalho criados no ano passado fizeram de Volta Redonda a cidade líder absoluta em empregabilidade no estado do Rio.

 

O fato ganhou destaque na maioria dos grandes jornais e a indústria (leia-se CSN), com saldo positivo de 684 empregos, foi o setor que mais abriu oportunidades de trabalho na cidade do aço, seguido pela área de serviços, com 599 vagas e comércio, com outros 491 empregos. “Estamos colhendo os primeiros passos de 2018, que foi o ano do emprego”, pontuou Samuca em entrevista ao Programa Dário de Paula, na manhã de quinta, 24. Ele foi além. “As pessoas não têm dimensão do que é gerar saldo positivo em termos de emprego. A crise ainda está aí. Nós temos mais de 13 milhões de desempregados no Brasil e Volta Redonda dá sinais de superação”, comparou o prefeito, todo cheio de si.

 

O que pouca gente se lembra é que em julho do ano passado, Samuca já apostava em um futuro melhor, pelo menos para os voltarredondenses. Na época, ele comemorava os números do primeiro semestre da economia local, que já eram bons: a cidade contabilizava a criação de 440 postos de trabalho. “A segunda metade do ano será  melhor”, previa.

 

Samuca acertou. De julho a dezembro de 2018, Volta Redonda gerou mais 1.855 empregos com carteira assinada. “A população esperava que nós pudéssemos gerar empregos e que trouxéssemos empresas pra cá”, comentou, explicando o que fez a seguir: “A estratégia inicial foi o jovem, foi o primeiro emprego. Nós atacamos bastante essa questão e fizemos um processo de desburocratização muito forte, idealizando a abertura de novas empresas, diminuindo taxas, melhorando o ambiente de negócios, que era muito ruim quando nós assumimos. Investimos em infraestrutura e, principalmente, saímos do gabinete indo até as empresas. Viajei bastante. Viajei para outros estados atrás de empresas, como um verdadeiro corretor, com a pastinha de Volta Redonda embaixo do braço pra vender Volta Redonda para várias empresas”, revelou.

 

Ao falar das mudanças pelas quais a cidade passou, Samuca, é claro, estava se referindo à CSN, que vivia às turras – e vice-versa – com o ex-prefeito Neto. “A economia do Brasil mudou nesses últimos anos, e as condições hoje, se não são ideais, são melhores do que em 2015 e 2016, mas também foi preciso mudar o ambiente de negócios em Volta Redonda. Investimos na desburocratização, criando na cidade um ambiente de negócios, favorável ao empreendedor. Tornamos o processo de registro das empresas muito mais simples, abrimos canais constantes de diálogo com as entidades que representam os empresários, inclusive indo nas empresas conversar com os empresários. Passamos também a ter na CSN, maior empregadora e maior geradora de arrecadação de Volta Redonda, um interlocutor com quem se conversa com respeito e boa vontade, em vez de um adversário com quem só se interage através do Judiciário”, explicou Samuca.

 

Na entrevista a Dário de Paula e nos releases enviados aos jornais, Samuca abordou a questão dos prováveis investimentos que serão desenvolvidos em Volta Redonda. “Em 2019 nós vamos investir na mão-de-obra qualificada, na criação do pólo metalmecânico de empresas da famosa cadeia do aço. A CSN produz o seu aço (em Volta Redonda) e manda para fora do estado. É impressionante que as montadoras aqui do Sul Fluminense, que já é o segundo polo automotivo do Brasil, não compram um quilo de aço da CSN. Compram de Minas Gerais, onde é mais barato por oferecer incentivos fiscais. Temos que inverter essa lógica”, ponderou.

 

Para viabilizar a mudança, Samuca anda fazendo a sua parte. “Estamos com 25 terrenos (para oferecer). Uma empresa, inclusive, já anunciou o início das obras. É uma grande cervejaria do Brasil”, disparou, sem revelar o nome. “Então, estamos muito felizes. Só resta um terreno, dos oito que tínhamos disponíveis. Serão sete novas empresas e elas não vão se instalar na área do polo metalmecânico. O metalmecânico fica à direita e o tecnológico fica à esquerda (da Rodovia dos Metalúrgicos, grifo nosso)”, explicou. “Um fica ao lado da Abreu (indústria de beneficiamento de aço) e o outro fica em frente à Abreu, do lado da Casa de Portugal”, detalhou.

 

Samuca anunciou a Dário de Paula que vai receber a visita do novo secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Lucas Tristão, e que vai levá-lo para conhecer a área do futuro polo tecnológico. “Serão cinco terrenos destinados às empresas deste condomínio. A área pertence à prefeitura, são 211 mil metros quadrados de terra, da prefeitura. Isso quebra outro paradigma, o de que Volta Redonda não tem terras. Tem terras. O que faltava era projeto e planejamento”, comparou de forma irônica, bem ao seu estilo.

 

Lucas Tristão, segundo Samuca, será levado também a um encontro com representantes da CSN para debater o caso do polo metalmecânico que está atravessado em sua garganta. “Nós vamos até a CSN, pois temos oito empresas na cadeia do aço que já manifestaram interesse de vir para o estado do Rio. Já apresentaram a carta consulta ao Estado do Rio para obter incentivos fiscais”, disse, mostrando que a mudança das empresas ainda depende do aval do governo Witzel. Explica-se: Quando do anúncio da parceria da prefeitura de Volta Redonda com a CSN e com o governo do Estado, o governador era Pezão. E estava tudo nos trinques. Com a prisão de Pezão, a lei dos incentivos fiscais que seriam concedidos às empresas que sonham em se instalar em Volta Redonda foi engavetada.

 

Se o governador Wilson Witzel concordar em reeditá-la, Samuca deixou claro que vai encaminhar uma mensagem à Câmara para atender as empresa da cadeia do aço. “Volta Redonda prepara uma lei de incentivos para o polo metalmecânico em termos de IPTU e ISS”, avisou. “É assim, com facilidade, com desbu-rocratização e muito trabalho que nós estamos avançando ainda mais na pauta de geração de empregos”, pontuou, deixando a seguir uma mensagem otimista. “Eu lembro a todos os moradores de Volta Redonda que cadastrem o seu currículo no Sine, que fica ali no ‘Na Hora’, no Retiro”. Ou seja, Volta Redonda terá mais emprego a oferecer. Palavra de Samuca.

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