Como fugir das armadilhas

Preocupação com a aposentadoria impulsiona a estreia conturbada dos Millennials e jovens da Geração Z no mercado financeiro

Qual estilo de vida eu quero desfrutar daqui a 20, 30 ou 40 anos? Ultimamente essa é a pergunta que os jovens brasileiros mais têm feito a si mesmos. A preocupação com o futuro tem despertado cada vez mais o interesse dos Millennials, nascidos entre 1983 e 1994, e os jovens da geração Z, nascidos entre 1995 e 2003, pelo mercado financeiro.
De acordo com a B3, bolsa de valores oficial do Brasil, pessoas de 26 a 35 anos são as que mais têm CPFs cadastrados, totalizando 1,085 milhão de jovens investidores. Só no primeiro trimestre de 2021, o número de novos ingressantes chegou à marca de 331,9 mil pessoas.
Entretanto, uma grande parcela acaba ‘enfiando os pés pelas mãos’ por não estudar e se informar sobre a dinâmica do mercado e, consequentemente, não alinha as próprias expectativas com a realidade do mundo das ações.
O jovem que começa a investir em busca de dinheiro fácil certamente irá se frustrar e, pode, até mesmo, desenvolver crises de ansiedade. O desenvolvedor de softwares Lucas Coratini, de 24 anos, que o diga. Há cerca de 1 ano, quando teve um aumento de salário, começou a investir na bolsa, de olho na aposentadoria. “No início entrei como muita sede de ter resultados rápidos. Passei a focar na alta volatilidade do mercado, nas operações que eram feitas no dia e perdi muito dinheiro. Com esse sobe-e-desce das ações passei a sentir aperto no coração e muitas palpitações. Hoje vejo que foi um grande erro”, explica Coratini, que em 2020 aderiu ao tipo de operação day trade, modelo de compra e venda na bolsa de valores realizada no mesmo dia, que promete ganhos fáceis e rápidos.
Se de um lado alguns influenciadores mencionam esse tipo de operação como uma forma de enriquecimento rápido, do outro lado da força, investidores mais maduros disseminam práticas diametralmente opostas na hora de orientar a juventude.
Método utilizado pelo ‘Rei da Bolsa’ conquista a simpatia dos mais jovens
Quem já se familiarizou minimamente com o ambiente de investimentos, cultura e as inúmeras siglas que classificam as ações certamente já ouviu o nome de Luiz Barsi, o ex-engraxate filho de imigrantes que se tornou um megainvestidor. Ele sistematizou um método próprio de investir conhecido como “carteira de ações previdenciárias”, cujos ganhos financeiros são conquistados no longo prazo.
Para popularizar esse modelo entre os mais jovens, Barsi, hoje com 81 anos, conta com o suporte de seus discípulos, a dupla de investidores previdenciários Felipe Ruiz e Fabio Baroni, idealizadores do ‘Ações Garantem o Futuro’, programa de formação de investidores com foco na aposentadoria, que combate a desinformação acerca do tema internet. O projeto já conta com mais de 200 mil jovens inscritos em seu canal do Youtube.
“No nosso modelo, o investidor compra ações de empresas que pagam bons dividendos, que nada mais é do que o lucro apurado e distribuído entre os acionistas na bolsa. No início esses dividendos pagam um saco de balas… depois, uma conta de luz… Depois, seu plano de saúde… Depois, todo o seu custo de vida”, explica Fabio Baroni, que utiliza esse método desde 2004.
Para evitar que principiantes cometam erros clássicos como comprar ações em momentos de pânico e de reviravoltas nos bastidores da política, Felipe Ruiz alerta que isso não tem nenhum impacto nos investimentos de longo prazo. “A troca de ministros, CPI da Covid e outros acontecimentos da vida pública não geram efeitos negativos para o investidor de longo prazo. Nesses momentos, é preciso ficar atento para comprar ações mais baratas, de empresas cujos setores são vitais para a economia, tais como energia e saneamento, por exemplo”, defende Ruiz.
De acordo com o estrategista de negócios Vinicius Dutra, expert em aumentar o valor de mercado das empresas na bolsa de valores, a abertura de capitais tende a ser cada vez mais intensa nos próximos anos. “A cada dia essa prática se torna mais corriqueira, vamos chegar em um tempo em que o empresário já vai pensar na abertura de capital quando estiver abrindo o seu CNPJ”, conclui Dutra.

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