…com 11% de reajuste

Negociações avançam e nova proposta será votada...

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Representantes da CSN e do Sindicato dos Metalúrgicos de Volta Redonda tiveram ontem, sexta, 22, mais uma rodada de negociações envolvendo o Acordo Coletivo de Trabalho dos funcionários da siderúrgica. Foi a quinta e voltou a ser virtual, tendo durado pouco mais de duas horas, sendo que, ao final, Silvio Campos, presidente do órgão, garantiu que os trabalhadores devem decidir já na próxima quarta, 27, na Praça Juarez Antunes, das 6 às 16 horas, se aceitam ou não a nova proposta da CSN.
Ela prevê 11% de reajuste salarial para quem ganha até R$ 3 mil; 9% para quem recebe de R$ 3 mil a R$ 5 mil; e 8% para os que ganham mais de R$ 5 mil. O abono prometido corresponde a 76% do target, igual a 1,9 salários, e o cartão para o banco de horas é de R$ 800,00. Se o acordo for aprovado, a CSN libera R$ 400 de cartão extra em até cinco dias e uma segunda parcela de R$ 400 em dezembro.
O resultado da reunião foi repassado para a imprensa pela assessoria de Comunicação do Sindicato dos Metalúrgicos. O próprio Silvio não comentou se estava satisfeito, ou não, com a proposta apresentada pela CSN. O aQui tentou falar com ele, mas a ligação telefônica não foi completada e as mensagens enviadas pelo WhatsApp não foram respondidas. Uma fonte do Sindicato, entretanto, disse ao jornal que entende que a proposta ainda não é a ideal. Tem mais. Por ele, ela será rejeitada na quarta que vem.
As negociações do acordo salarial dos funcionários da CSN sempre são demoradas e difíceis. Na reunião de terça, 19, por exemplo, realizada de forma presencial na sede da empresa, em São Paulo, Silvio simplesmente deu uma de mal-educado. Bateu na mesa e anunciou que nem levaria a proposta feita à apreciação dos operários. “É ridícula!”, disparou, acrescentando: “Não aceitamos negociar menos que a inflação”, sentenciou, referindo-se ao reajuste progressivo proposto, de acordo com o valor dos salários, da seguinte maneira: 7% para quem ganha acima de R$ 5 mil; 8% para quem ganha entre R$ 3 mil e R$ 5 mil; e, 9% para quem ganha até R$ 3 mil. Nenhum desses percentuais contempla o INPC, que está acumulado em 11,5%.
A oferta da CSN abrangia ainda um abono de 76% do target e um cartão-alimentação de R$ 400. Os valores e percentuais estariam, na visão dos sindicalistas, bem abaixo dos 12% pedidos de reajuste salarial e R$ 800 para o cartão-alimentação. A categoria também busca o pagamento da PLR em cima de 25% dos dividendos, o fim do banco de horas, melhorias nos planos de saúde e odontológico e ainda a reintegração dos demitidos.
Por falar nos demitidos, a homologação das demissões ocorridas na Usina Presidente Vargas motivadas por protestos dos operários dentro e fora da UPV aconteceu na quarta, 20, véspera do feriado. Ao todo, 16 trabalhadores teriam sido dispensados. O detalhe é que, segundo uma fonte, o número das demissões em Volta Redonda estaria abaixo do que a empresa teria demitido em outras cidades, onde também ocorrem reivindicações e protestos contra a CSN. “Em Volta Redonda, o que houve foram demissões de funcionários que estavam nesse movimento fora do sindicato e que usaram as redes sociais para ameaçar a empresa e outros empregados. Ocorreram no início e vários foram demitidos por isso. Não seguiram o movimento normal de reivindicação salarial promovido pelo sindicato”, contou, pedindo anonimato.
Ela vai além. Diz acreditar que, com a nova proposta, os dois lados deverão chegar a um bom acordo. “É a nossa impressão”, pontuou, aproveitando para destacar que em Volta Redonda (na CSN) o trabalhador, quer queiram ou não, ainda mantém vínculos profundos com a siderúrgica. “A CSN, como toda empresa, tem um turnover normal. Em geral, os empregados da empresa não pedem demissão. A CSN tem centenas de funcionários antigos e que são de Volta Redonda. É comum encontrar pais e filhos que trabalharam ou trabalham na empresa. Até avós. A CSN tem fama de demitir pouco”, pontua, lembrando que, apesar dos protestos, o número de operários demitidos foi pequeno. “A empresa já demitiu umas 140 pessoas no total, sendo que em Volta Redonda o número não chega a 20”, comparou, referindo-se aos movimentos de reivindicação que culminaram com protestos e até greve, ocorridos em Congonhas e Casa de Pedra.