Por Francisco Machado
As cidades continuam alagando porque o problema não está só na falta de obras, está na forma como elas são planejadas, executadas e mantidas.
Muitas prefeituras investem milhões em drenagem urbana, mas tratam o tema de forma isolada, a obra resolve um ponto específico, mas não considera o comportamento da água em toda a região, e a consequência aparece na primeira chuva forte.
A água segue um caminho natural, ela escoa para áreas mais baixas e ocupa espaços disponíveis, quando a cidade cresce sem planejamento, elimina áreas de absorção, como terrenos permeáveis (que deixam a água infiltrar no solo), o asfalto e o concreto impedem essa infiltração, e a água passa a escoar mais rápido e em maior volume. Esse aumento de volume sobrecarrega o sistema de drenagem, as tubulações não suportam a vazão e o resultado é o transbordamento.
Outro problema está no dimensionamento das obras. Muitos projetos ainda consideram padrões antigos de chuva, mas hoje os eventos são mais intensos e concentrados, e o sistema é projetado para um cenário que já não existe mais.
A execução também impacta o resultado, obras malfeitas reduzem a eficiência do sistema, desníveis incorretos, conexões mal executadas e materiais inadequados comprometem o escoamento.
A manutenção recebe pouca atenção, bueiros entupidos, galerias obstruídas e falta de limpeza reduzem a capacidade do sistema, a estrutura até existe, mas não funciona como deveria.
O crescimento urbano desordenado agrava o cenário, construções ocupam áreas de várzea, que deveriam receber o excesso de água, mas passam a concentrar risco.
As cidades também canalizam rios e córregos, essa prática acelera o fluxo da água e transfere o problema para outro ponto, a enchente deixa de acontecer em um bairro e passa a acontecer em outro.
A solução não depende de uma obra isolada, a cidade precisa tratar a drenagem como um sistema integrado, planejamento urbano, controle de ocupação e preservação de áreas permeáveis fazem parte da solução.
A engenharia já tem alternativas, reservatórios de retenção (estruturas que armazenam água temporariamente), pavimentos permeáveis e parques alagáveis reduzem o impacto das chuvas, essas soluções controlam o volume e o tempo de escoamento.
O investimento precisa ser melhor direcionado, a cidade não pode apenas reagir ao problema, precisa antecipar cenários e planejar com base em dados atualizados.
O alagamento não é surpresa, ele é consequência de decisões repetidas ao longo do tempo, quando o planejamento falha, a obra não resolve, quando a gestão falha, o investimento se perde.
Cidades que entendem isso mudam o resultado, elas integram engenharia, planejamento e manutenção, e esse é o caminho para reduzir alagamentos de forma consistente.
* Francisco Machado é engenheiro civil
Cuidar das crianças no ambiente digital é uma tarefa de todos nós!
No cenário atual, a segurança na internet, os limites de tempo de tela e o uso adequado de dispositivos eletrônicos envolvem não apenas as famílias, mas também o contexto escolar e toda a sociedade. As crianças estão cada vez mais imersas em ambientes digitais e necessitam de orientações claras para usufruir dos benefícios da tecnologia sem se expor aos riscos associados a ela. Essa formação visa contribuir com o desenvolvimento dos educadores, para que eles tenham mais informações e se sintam mais preparados para atuar na promoção de um ambiente digital seguro e saudável, alinhado com os princípios pedagógicos e criativos.
A segurança digital é um dos eixos temáticos fundamentais do projeto pedagógico Monstros em Rede. Com o início precoce do uso da internet pelas crianças, torna-se essencial fomentar um uso seguro, saudável e criativo dos recursos digitais. Os estudantes devem ser orientados para que possam reconhecer os riscos inerentes ao ambiente online e a desenvolver uma postura crítica e cautelosa em relação aos conteúdos digitais. A exposição descontrolada pode resultar no acesso a materiais inadequados, no cyberbullying e na disseminação de fake news, fatores que podem desencadear problemas psicológicos como ansiedade e depressão. Além disso, a falta de conhecimento sobre os riscos do compartilhamento de dados pessoais torna os jovens mais vulneráveis, reforçando a necessidade da educação digital.
Para mitigar esses riscos, é fundamental que educadores e familiares adotem estratégias de proteção das crianças e prevenção dos riscos. Entre elas, destaca-se a orientação para que as interações online ocorram apenas com pessoas conhecidas e que os estudantes cliquem apenas em links ou ícones de remetentes confiáveis. A necessidade de supervisão constante por um adulto e a promoção de atividades de educação midiática – como discussões sobre fake news e deep fakes – associam-se sobretudo à importância de verificar a veracidade das informações. Além disso, o uso de ferramentas como controles parentais e filtros de conteúdo, tanto em casa quanto na escola, contribui para reduzir a exposição das crianças a materiais impróprios.
Recursos lúdicos, como o vídeo “Segurança em Primeiro Lugar” do projeto pedagógico Monstros em Rede, incentivam a reflexão e o compartilhamento de experiências, promovendo um uso consciente da internet.
Precisamos sempre buscar maneiras de aprender mais sobre como proteger as pessoas e transformar o universo virtual em um espaço seguro, no qual até mesmo as crianças podem desenvolver sua autoria e protagonismo. Cada vídeo do projeto Monstros em Rede traz uma proposta de vivência que pode ser realizada por educadores, familiares, cuidadores e por todos que desejam contribuir com esse movimento.
Frei Prof. Dr. Inácio José do Vale é Psicanalista Clínico, PhD.
Vejam os vídeos:

