Mateus Gusmão
“Eu poderia estar lamentando a morte do meu filho”. Foi assim, com essas palavras, que o presidente da Câmara de Volta Redonda, Sidney Dinho, resumiu a agressão física sofrida por um dos seus filhos, um universitário de 19 anos. O caso foi revelado pelo próprio parlamentar nas suas redes sociais na manhã de terça, 29. E, inconformado com a barbárie, coube a ele liberar o vídeo da agressão para o que o aQui tornasse público o que realmente aconteceu em Valença. As imagens do jovem sendo agredido covardemente viralizaram nas redes sociais e até ontem, sexta, 31, já tinham sido vistas por mais de 114236 mil internautas. A maioria absoluta dos cerca de 554 comentários a respeito foi de indignação contra os agressores. Mas sobrou também para quem nada fez para impedir a briga, e até para quem filmou a ação.
Em contato com a reportagem, Dinho pediu que seu filho não fosse identificado, assim como não quis fornecer os nomes dos agressores, já identificados pela Polícia Civil de Valença. “Quero preservá-lo”, justificou, sendo atendido. E, na mensagem que postou em suas redes sociais, o presidente da Câmara de Volta Redonda contou que o filho estava estudando há pouco mais de um mês na UniFaa, Centro Universitário de Valença. “O meu filho havia separado uma briga. Depois, sem que o meu filho nada fizesse, ele foi agredido por esses dois monstros”, denunciou sem dizer os nomes dos suspeitos, que seriam de Minas Gerais e que estudariam na mesma faculdade (Unifaa).
Dinho ressaltou que as testemunhas do caso disseram que seu filho não teria feito – e nem provocado – nenhum dos agressores. “Não sou eu que estou dizendo isso, são todas as testemunhas que estiveram na Delegacia de Valença para depor sobre o caso”, disparou, contando que o jovem volta-redondense foi atingido por golpes na cabeça. Tem mais. Um dos agressores teria quebrado uma garrafa e a teria usado como arma para atingir o seu filho. O jovem também sofreu diversos chutes e socos, como o vídeo mostra. Resultado: ele teve que ser internado. “O médico que o atendeu disse que, se um dos cortes que ele sofreu com a garrafa fosse no pescoço, ele poderia ter morrido”, completou.
Segundo Dinho, o caso foi apurado pela Delegacia de Polícia e os policiais teriam concluído que os agressores haviam cometido uma tentativa de homicídio. O MP também teria chegado à mesma conclusão, mas, surpreendentemente, pediu à Justiça que ambos respondessem ao processo em liberdade. A Justiça acatou o pedido do MP, contratando a tese do delegado de Valença, e os dois estão livres. O que não agradou a Dinho. “Gostaria que as duas (juíza e Promotora) vissem o vídeo. Eles poderiam ter matado meu filho. Agora seguem livres e podem fazer mais vítimas”, completou, dando a entender que tanto a promotora quanto a juíza que analisaram a agressão, cujos nomes ele não disse, não teriam visto o vídeo da agressão.
Dinho, é claro, criticou a decisão do MP e da Juíza do caso por permitirem que os agressores ficassem soltos. “A base usada para essa decisão é que eles não causariam nenhum perigo estando em liberdade. Vamos aos fatos: todas as testemunhas do processo são estudantes da universidade onde esses monstros estudam”, disse. “Será que depois que ele for denunciado e tiver acesso às testemunhas eles não vão tentar amedrontar as pessoas que estão no processo”, completou. “Infelizmente, se esses monstros agredirem outras pessoas, o sangue que saírem das vítimas vão escorrer das mãos dos agressores e também um pouco da Justiça. Porque foi a Justiça que os deixou solto”, acrescentou.
Como os dois agressores – que seriam irmãos – ficaram soltos e estariam frequentando normalmente as aulas da faculdade, Dinho decidiu trazer seu filho para Volta Redonda. “Infelizmente os monstros seguem livres, vivendo vida normal, e meu filho não. Tirei ele de Valença, trouxe para Volta Redonda e ele vai cursar faculdade aqui. Infelizmente tem que ser assim. O sonho dele era fazer faculdade em Valença. Ele tinha passado em diversos vestibulares, e escolheu estudar lá. Acabou sendo agredido e ainda teve seu sonho interrompido”, concluiu.
Repercussão
Como não poderia deixar de ser, após o aQui postar o vídeo da agressão, diversos políticos e internautas se manifestaram sobre o caso. O vereador Betinho Albertassi, por exemplo, disse que o filho de Dinho é um ‘rapaz tranquilo’. “Esse caso foi terrível. O Dinho havia me falado, mas eu não tinha imaginado que era tão agressivo assim. O filho dele é muito gente boa, um moleque tranquilo, menino pacato, educado. Muita sacanagem o que aconteceu”, comentou Betinho.
Outro que se manifestou foi Renan Cury. E definiu a agressão como absurda. “No Brasil é assim… O poste mijando no cachorro. Esses covardes deveriam estar presos, mas não estão. Um dia matam alguém, mas para a justiça está tranquilo. Trabalho com polícia há anos, e a maior indignação nas ocorrências é que muitos crimes trágicos são cometidos por pessoas que já cometeram crimes várias vezes. A pergunta que sempre me fiz é: tava solto por qual motivo?”, disse Renan ao comentar o vídeo postado no Facebook do aQui.
Para a internauta Jaqueline Fernandes, o maior problema do Brasil seria a impunidade. “É a certeza de que ‘não pega nada’ que incentiva esse tipo de violência. Se observarem o Código Penal, verão que isso (a agressão) é crime, porém, sempre há um jeitinho de responder em liberdade. Isso ao meu ver é uma forma de que os casos caiam no esquecimento, já que tudo é muito demorado. Felizmente esse jovem teve a sorte de permanecer vivo”, postou.
Graziela Alessandra, por sua vez, se indignou com o fato de diversas pessoas assistirem a briga e nada terem feito. “Um absurdo. Quem está filmando tem que ser punido… Tinha que ter chamado a polícia. Misericórdia, estavam esperando o rapaz morrer para depois chamar a Polícia?”, protestou. Patrícia da Silva Monteiro também desabafou e, radical, disse que tem vontade de deixar o país. “Desanimada do Brasil, desanimada com as leis do Brasil, com a política brasileira. Cansada mesmo. Se eu pudesse, não criaria meus filhos nesta terra sem lei”, pontuou.
O vídeo da agressão segue disponível no Facebook e no Instagram do aQui. Basta acessar os links: https://www.facebook.com/jornal.aqui/videos/3086040811712110 e https://www.instagram.com/p/CbtNPCmr25g/.

