Castro negocia permuta do Escritório Central com a CSN e pode entregar prédio a Neto

0
1693

Por Luiz Vieira

Entra governo, sai governo, e a história se repete: o prédio do antigo Escritório Central da CSN, localizado na Vila Santa Cecília, e abandonado há mais de uma década, poderá parar nas mãos da prefeitura de Volta Redonda por conta de um possível acerto de dívidas, da ordem de R$ 2 bilhões, que estaria sendo negociado, conforme o aQui noticiou com exclusividade na edição 1368, entre o governador do Estado, Cláudio Castro, e a direção da siderúrgica, com intervenção direta do prefeito Neto.
A grande novidade da nova novela – que já teve como autor principal o ex-prefeito Samuca Silva, que chegou a marcar a data em que iria abrir as portas do Escritório Central (o que não aconteceu, é óbvio) – é que o prédio pode ser entregue ao Palácio 17 de Julho a custo zero. Ou seja, Neto poderá utilizar os 16 andares sem ter de pagar um tostão. Tem mais. Nos três primeiros andares, seria criada uma área de estacionamento para 300 automóveis. Detalhe: hoje, sem uso, existem apenas 16 vagas no subterrâneo. “A ideia é criar o estacionamento na área dos andares horizontais”, detalha uma fonte do aQui.
Ela vai além. Diz que existe a possibilidade de se criar duas grandes áreas, no andar térreo, que seriam destinadas a lojas âncoras. “Nada de criar boxes, tipo mercado popular”, brinca a fonte. Quanto aos demais andares do Escritório
Central, onde nos tempos áureos trabalhavam cerca de cinco mil pessoas, eles poderiam abrigar secretarias da prefeitura de Volta Redonda, postos ligados ao governo do Estado, como o Detran, e ainda uma universidade pública.
“Tudo ainda está sendo discutido”, dispara a fonte, confirmando a informação repassada ao aQui. Só que com um adendo. Nada foi discutido até o presente momento com o maior interessado na solução do problema, o presidente da CSN, Benjamin Steinbruch. “Ele será o último a ser consultado”, dispara. É aí que mora o perigo de a novela ganhar capítulos intermináveis, como ocorreu no governo Samuca, cujas negociações duraram mais de dois anos, sendo oficialmente encerradas no dia 29 de março de 2019 (edição 1143 do aQui).
A diferença entre as duas negociações é que, desta feita, pelo que o aQui apurou, a prefeitura de Volta Redonda (leia-se Neto) atua como uma espécie de avalista do negócio. “Cláudio Castro topa negociar as dívidas que a CSN tem como estado. Pode aceitar o Escritório Central como parte, como moeda de troca. E o governador entregaria o prédio ao município, para ser ocupado da forma que ele bem entender. Poderá até alugar espaços e andares”, concluiu. Recentemente, como o aQui divulgou, Neto chegou a confidenciar a possibilidade da permuta entre Castro e CSN ao pre-sidente da Aciap-VR, Maycon Abrantes, que foi vice-prefeito de Samuca Silva.

SONHO DE CONSUMO
Quem conhece a história recente da política de Volta Redonda sabe como é difícil negociar com o presidente da CSN, Benjamin Steinbruch. Samuca que o diga. O ex-prefeito passou os últimos anos do seu único governo tentando ocupar o Escritório Central. As negociações começaram em 2017. Em setembro desse ano, por exemplo, Samuca chamou os vereadores para comunicar – iria precisar deles – que a prefeitura iria fazer uma permuta com a CSN, que devia aos cofres públicos cerca de R$ 300 milhões.
“São passivos que estão sendo discutidos há anos, alguns até décadas, na Justiça. O que queremos é dar uma utilidade ao prédio, transformando-o em um Centro Estratégico Municipal, reunindo departamentos da prefeitura, órgãos públicos e empresas, além de um centro de tecnologia e incubadora de empresas”, acrescentou o sonhador ex- prefeito, ressaltando que já teria um estudo detalhado para fazer frente aos custos de manutenção do prédio.


Construído na década de 60 e inaugurado em 1966, o antigo Escritório Central da CSN possui uma área de 37 mil m2, com dois auditórios, cinco elevadores, refeitório, área de cantina, cozinha, banheiros, copa, ar- condicionado central, garagem subterrânea (para 16 veículos) e até mesmo um heliponto. Já abrigou diariamente mais de 5 mil pessoas. “Estávamos muito preocupados com aquele escritório abandonado no centro da cidade. Essa é uma das preocupações de todos nós que moramos em Volta Redonda. A parceria(deSamuca)com a CSN vai trazer benefício para os cidadãos. Todos nós ficaremos satisfeitos”, avaliou Novaes, que estava presente ao encontro com o ex- prefeito.
No final de dezembro de 2017, as coisas pareciam ir bem. Samuca (ver foto abaixo) se encontrou com diretores da CSN, como Luiz Paulo Barreto, para acertar os últimos detalhes da permuta do Escritório Central. “Estamos muito felizes, pois estamos vendo a disposição da empresa em negociar, com muito diálogo, o Escritório Central com o governo. O setor jurídico da CSN está apurando internamente os valores que acredita que a prefeitura deve à empresa. Assim como nossa Procuradoria-Geral do Município está apurando os valores devidos pela CSN”, comentou o ex-prefeito.
Tem mais. Temendo uma reviravolta, Samuca disse que, mesmo que não fosse possível uma permuta, a CSN estava disposta a negociar o prédio através de outras possibilidades. “Temos confiança de que vamos conseguir concretizar essa aquisição, que será muito importante para nossa cidade. Os próprios executivos da CSN se mostram dispostos a firmar essa parceria”, destacou na época. “O presidente da CSN, Benjamin Steinbruch, está disposto a fazer essa parceria (permuta). Caso a gente não consiga fazer esse encontro de contas, que possamos avançar em outras frentes, como troca de ativos ou créditos tributários”, respondeu Luiz Paulo Barreto.
Ainda durante a reunião, ficou acertado que a CSN iria contratar três empresas (de Volta Redonda, Rio de Janeiro e São Paulo) para avaliar o valor do Escritório Central, que nunca foi divulgado. Samuca ainda apresentou aos Executivos da CSN o vídeo publicitário da prefeitura sobre o Réveillon 2018, que previa a queima de fogos do alto do Escritório Central. Foi o máximo que o governo Samuca Silva conseguiu.

ESTACIONAMENTO
Nos sonhos mirabolantes de Samuca existiu até a formação de uma PPP (Parceria Público Privada) para a criação de um estacionamento subterrâneo na Vila, embaixo da Rua 14, entre o prédio da CSN e a Praça Brasil. Como segunda alternativa, a construção – também via PPP – de um edifício-garagem entre o Escritório Central e uma pracinha, sem nome, no sentido Conforto. “As duas opções estão sendo desenvolvidas pelos técnicos do IPPU-VR”, revelou uma fonte à época. “O contrato de cessão do Escritório Central da CSN para a prefeitura de Volta Redonda já está sendo redigido. O acordo será anunciado em breve”, afirmou, já sonhando com dias melhores. Aguardem os novos capítulos…