A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) lançou a pedra fundamental virtual da Casa da Democracia. O centro cultural será dedicado a momentos emblemáticos da vida política brasileira que tiveram o Palácio Tiradentes como protagonista. O projeto aposta em tecnologias imersivas para tornar o conteúdo ainda mais atraente ao público. A previsão é de que ele seja inaugurado ainda no primeiro semestre deste ano.
Na cerimônia, o ex- presidente da Alerj, deputado André Ceciliano, ressaltou a importância da criação do centro de memória como forma de preservar o patrimônio histórico e de promover a reflexão sobre os valores do Estado Democrático de Direito, como liberdade de expressão, respeito às leis e às instituições e igualdade de direitos. “Mudamos administrativamente de prédio e precisávamos dar vida ao Palácio Tiradentes. Mais do que um lugar de preservação da memória política do país e do estado, a Casa da Democracia será um ambiente de reflexão
sobre os valores republicanos e democráticos. É a vocação natural deste edifício, construído para abrigar o Legislativo há quase 200 anos, um lugar de lutas por liberdade e justiça social”, afirmou.
Roteiro histórico
Projetada num telão, a pedra fundamental virtual era uma espécie de “cápsula do tempo”, onde foram depositadas imagens do passado, como uma foto da antiga Cadeia Velha, e vídeos de sessões plenárias do Palácio Tiradentes, com a proposta de ser revisitada após 50 anos. Ceciliano foi o primeiro a se cadastrar no portal, que, a partir da inauguração, vai registrar todos os visitantes.
A superintendente da Curadoria do Palácio Tiradentes, Maria Lúcia Horta Jardim, esposa do ex-governador Luiz
Fernando Pezão, ressaltou o trabalho de revitalização dos ambientes depois da mudança das atividades legislativas para a sede da Alerj, na Rua da Ajuda, Centro do Rio. O desen- volvimento do projeto foi feito em parceria com a UFF e, no evento, também foi lançado o livro ‘Democracia em Foco’, editado pela Fundação Getúlio Vargas, que contribuiu para as escolhas do conteúdo das exposições.
“Começamos a planejar esse projeto em junho de 2021, e o nosso primeiro passo foi cuidar do edifício e do restauro dele com a ajuda da Oficina Escola. Em parceria com a UFF, nós nos debruçamos no desenvolvimento da narrativa e da forma da Casa da Democracia, que traz um apanhado cultural e histórico muito grande. Fizemos tudo com todo cuidado e respeito que o
Palácio merece”, afirmou Maria Lúcia.
Professor da UFF e coordenador do projeto, Franklin Dias Coelho contou que o principal desafio foi aliar a preservação do patrimônio, tornando ele um ambiente interativo, e selecionar os fatos abordados. “O público que visitar a Casa da Democracia vai conhecer um pouco da história que a história não conta. O que fez com que a gente tivesse que fazer um trabalho de pesquisa muito rebuscado, mas conseguimos, e vamos entregar ao público muita informação relevante”, garantiu Franklin.
Com painéis eletrônicos, áudio e vídeos a narrativa vai fazer uma releitura dos principais períodos republicanos: a Primeira República (1889 – 1930), Período Vargas (1930-1945 e 1951-1954), a Ditadura Militar (1964 a 1985), a abertura “Lenta, Gradual e Segura” e a Lei da Anistia (1974 – 1979), Diretas Já! (1984 – 1985). A Nova República (1985 até os dias de hoje). As diversas fases do Palácio Tiradentes também vão compor as exposições permanentes. Também estão previstas mostras temporárias relacionadas a datas

