Café com leite

Candidatos às prefeituras de Barra Mansa e Volta Redonda fazem debate morno

Por Vinícius de Oliveira

A Associação Comercial de Barra Mansa promoveu um debate, em dias diferentes, com os candidatos à prefeitura. Começou na quinta, 15, com a participação do prefeito Rodrigo Drable e seus adversários: Bruno Marini, Paulo César Alves e Capitão Abreu. Ontem, sexta, 16, foi a vez do vereador Thiago Valério, da petista Clarice, de Petterson, Jackson Emerick e Alcio Pereira. Todos foram sabatinados por um jornalista da Aciap que lia perguntas previamente preparadas pelos associados da instituição.

 

O formato do debate, embora diferenciado, foi extremamente enfadonho. Havia uma lista com centenas de perguntas que eram sorteadas, assim como o candidato que a responderia e um outro que comentaria a resposta. O primeiro a responder ainda tinha direito a réplica. O evento se tornou um encontro de cavalheiros; quase um convescote.

 

Os candidatos, livres de polêmicas, sentiram-se em casa. Bruno chegou a bocejar. Diante disso, o principal beneficiado foi Rodrigo Drable. Tendo cada detalhe da cidade na ponta da língua e informações precisas dos bairros, mesmo dos mais afastados, Drable dominou o evento. As perguntas pareciam ser pensadas para ele e giraram em torno de temas administrativos e técnicos, como distribuição de água, asfaltamento na periferia e obras de mobilidade urbana. Habilidoso com as palavras, o prefeito começou enaltecendo a vocação da cidade para o comércio. “A essência de Barra Mansa está no comércio. Não podemos negar essa condição, pois ele emprega atualmente 28 mil pessoas. O que precisamos fazer é potencializá-lo”, disparou.

 

Até mesmo quando as perguntas meio café com leite da Aciap tocavam em assuntos um pouco mais espinhosos, como tratamento de esgoto (que não passa de 3%, grifo nosso) e atração de investimento para a Região Leste, por exemplo, um território abandonado pelos governos anteriores, Drable deu aula, sobretudo, de como se comportar politicamente. “Com relação ao tratamento de esgoto, estamos com duas estações licitadas, à espera da autorização da Caixa Econômica Federal para começar as obras. Outra, na Barbará, iniciada no governo anterior, está parada por embargo do Ministério Público que investiga as circunstâncias da obra”, contou.

 

“Foram asfaltadas ruas na Região Leste de moradores que nunca tinham visto asfalto na rua antes. Foram 80 ruas asfaltadas e recapeadas. O local se tornará atrativo quando receber a atenção que merece, o que não foi feito em governos anteriores e estamos fazendo agora. O mesmo está acontecendo em Floriano, onde entregamos 2,6 quilômetros de asfalto. É fácil criticar o que não fizemos hoje, ignorando os avanços”, completou Rodrigo.

 

O único que tentou tirar a paz de Rodrigo foi o Capitão Abreu, que está com a candidatura indeferida por problemas na legenda. O militar, com sua cara rechonchuda e jeito bonachão, desafiou o prefeito sobre asfalto, tratamento de esgoto e estacionamento. “O senhor diz que asfaltou 80 ruas na Região Leste? Ando por lá e me sinto fazendo um rally. Também não vi essa quantidade de asfalto em Floriano. Os moradores de lá, inclusive, reclamam do abandono. E é uma vergonha Barra Mansa ainda tratar apenas 3% do esgoto. E os comerciantes não aguentam mais a falta de lugar para estacionar. Não dá para esperar a finalização das obras do pátio de manobra para garantir estacionamento, como prega o prefeito”, criticou.

 

A estratégia de Bruno se resumiu em se ancorar na popularidade da família Bolsonaro, afirmando que o governo municipal não tem influência com o Federal e isso impossibilitou investimentos, segundo o candidato, para Barra Mansa. “Faltou articulação com Brasília. Eu tenho o apoio do senador Arolde Oliveira e de Flávio Bolsonaro. Desta forma, será possível trazer investimento para nosso município e geração de renda”, ponderou, sem saber que o prefeito passaria a explorar uma foto que ele tirou quando Bolsonaro esteve em Barra Mansa.

Aço Morno

Por Roberto Marinho

Na quarta à noite, a Band realizou um debate com 12 dos candidatos a prefeito de Volta Redonda, que varou a madrugada: Alex Martins (PSB), Baltazar (PSD), Benevenuto (Avante), Cida (PT), Dayse (Pros), Evandro (Cidadania), Granato (Solidariedade), Hermiton (Republicanos), Juliana (PSol), Neto (DEM), Habibe (PCdoB) e Samuca (PSC). Mônica (PSTU) e Luiz Eugênio (PCO) não participaram porque seus partidos não têm a representação mínima de cinco parlamentares no Congresso, o que garante a participação em debates televisionados, segundo as regras do TSE.

O debate foi chocho, com poucos momentos de confronto. Samuca, candidato à reeleição, foi o alvo preferido dos candidatos, principalmente diante da polêmica sobre as OSs contratadas pela prefeitura para gerenciar os hospitais São João Batista e Retiro. Como foram envolvidas em esquemas de corrupção em nível estadual, Samuca alegou, quando questionado, que “ao primeiro sinal de corrupção”, foi ele quem denunciou as instituições e suspendeu os contratos.

Neto, prefeito de quatro mandatos, também foi alvo dos adversários, que ora o acusavam de ter deixado a prefeitura com dívidas  milionárias – como fez Samuca recorrentemente -, ora apontavam a situação de suposta inelegibilidade do candidato. Outra estratégia dos adversários em relação a Neto foi fazer poucas perguntas ao candidato, diminuindo sua participação. O que conseguiram.

Com quatro blocos e mais de duas horas de duração, o debate também foi marcado pelas constantes interrupções da apresentadora aos candidatos por estourarem o tempo de perguntas e respostas, além de esquecerem de tirar a máscara para falar.

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