sexta-feira, novembro 6, 2026
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Fim das boates

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Casas noturnas na região perdem espaço entre geração Z e Millennials

Walter Barros

Um boneco solitário colocado na entrada do antigo CCRR simboliza o declínio das boates no Sul Fluminense. Mas o fechamento do clube, localizado no Centro Histórico de Resende, pode ser compreendido pela mudança de hábito da Geração Z e dos Millennials, que, de maneira geral, deixaram para trás as noites dançantes das boates de Volta Redonda, Barra Mansa e cidades vizinhas, pela procura por hábitos mais saudáveis. Um argumento que não convence quem culpa a falta de empreendedorismo regional e a alta carga tributária do país pelo desaparecimento das famosas casas noturnas.

De acordo com um levantamento da Uliving, 62% dos universitários trocam as baladas por encontros em casa, concentrando o lazer ao círculo mais próximo dos amigos dentro da própria moradia estudantil, índice superior ao dos que apontam colegas da faculdade ou do trabalho como suas principais conexões sociais. Segundo o estudo da empresa, as moradias estudantis vêm assumindo um papel que vai além da habitação. Para muitos jovens, esses espaços se tornaram pontos centrais de convivência, onde amizades são construídas a partir da rotina compartilhada e de interações presenciais frequentes.

“Existe uma mudança clara na forma como os jovens se relacionam. A socialização continua sendo importante, mas acontece cada vez mais em ambientes conectados à rotina, onde há sensação de pertencimento, praticidade e segurança. O estudante busca relações mais próximas e recorrentes, e não apenas encontros pontuais”, explica o CEO da Uliving, Ewerton Camarano. Para o executivo, a mudança também altera a dinâmica dentro das moradias estudantis. 

Além de atividades organizadas, como eventos de integração, ações de bem-estar e programações voltadas à comunidade, grande parte das conexões acontece de forma espontânea em áreas compartilhadas, como cozinhas, salas de estudo, espaços de convivência e coworkings. “Muitas amizades começam em situações simples do cotidiano: estudantes que cozinham juntos, dividem momentos de estudo ou compartilham experiências da vida universitária. Esse convívio frequente acaba fortalecendo vínculos de forma muito natural”, completa Camarano.

Sérgio Mamma, 59 anos, conhece como poucos os meandros da transformação comportamental dos jovens, o que se confunde com a carreira do DJ, radialista e empresário de eventos de Volta Redonda. Uma história que começou quando ele tinha 14 anos e já promovia ‘Hi-Fis’ em casas no Bela Vista, Vila, Laranjal, com os amigos. “Eu frequentava o ‘Hi-Fi’ do Funcionários e também a ‘PET Som’ das sextas-feiras. Um dia, eu fui lá perto da cabine e o diretor, na época o Luiz Xavier, tirou o DJ da época, que não estava em boa condição para tocar na noite, e não tinha ninguém para tocar. Ele falou: ‘Você faz’? Eu falei: ‘Faço’”, conta. Frequentador de carteirinha de boates como Fantasy e Saloon, Mamma participaria depois da inauguração do ‘Porão’, “o maior sucesso da noite de Volta Redonda”, além de acumular passagens por grandes boates do Rio de Janeiro. 

Quando questionado sobre a transformação no comportamento dos jovens, Mamma salienta que o fenômeno está acontecendo no mundo inteiro, não só na região. “A pandemia influenciou muito, porque, além de vir uma nova geração, que não curte esse tipo de divertimento e que sofre uma influência muito grande das mídias sociais, foi preponderante para mudanças de hábito, como alimentação. As pessoas não querem mais sair, são mais econômicas, menos arriscadas. Os jovens curtem mais eventos esporádicos, como Rock In Rio, shows ao ar livre, barzinhos que não cobram por entrada”, explica.

Pedro Oliveira, 40, é outro que não deixa passar despercebido o comportamento da Geração Z e dos Millennials quando o assunto é balada. O DJ, de Volta Redonda, iniciou sua carreira em 1997, de forma amadora e despretensiosa, como um hobby, tocando em pequenas festas na garagem de amigos. “Ao longo do tempo, a brincadeira foi virando fonte de renda e profissão. Não só frequentei, como tive a oportunidade de me apresentar em casas que foram icônicas na região, como Boate Porão, Hi-Fi do Clube dos Funcionários, Pullse Club, Aero Clube, Cana Café, Celeiro Resende, Penedo Dance House, entre outros”, acrescenta.

Acerca da transformação no comportamento dos frequentadores, Pedro avalia que, em tempos passados, a conexão entre o público e o artista era mais intensa. “Consigo analisar essa mudança com a chegada forte da internet. Após 2005, o relacionamento entre pessoas ficou muito mais virtual, o que resultou em um público mais frio e de consumo rápido de qualquer coisa. A facilidade hoje de poder ter tudo na palma da mão, áudio e vídeo, acarretou desinteresse em sair para escutar música. No passado, tínhamos artistas que detinham músicas em versões exclusivas, o que criava esse ponto alto em muitos momentos em uma balada. A chegada do MP3, a popularização da internet e dos computadores, facilitou o acesso ao que, no passado, ficava restrito nas mãos de poucos”, opina.

O produtor Bruno Carvalho, 38, é outro que começou a pegar gosto pela noite ainda na época de colégio. “Sempre gostei de agitar churrasco, festinhas sociais. Fui pegando gosto e, na época da faculdade de Administração, fiz um curso de produção de eventos com um dos caras que organizavam o Rock In Rio”, relata. Promoter da Pullse durante sete anos, ele acredita que as baladas do passado enchiam mais pelo gosto de beber. “Os jovens de hoje em dia não são muito de beber, de socializar tanto, acho que a facilidade das redes sociais pra se marcar um encontro, ficar com alguém, também ajudou bastante para esse fator. Antigamente, as pessoas saíam para curtir, conhecer gente nova, tentar ficar com alguém. Hoje em dia as pessoas fazem isso por rede social, Instagram, Tinder. E, com acesso à informação, acredito que a garotada resolveu se cuidar mais”, define.

Na interpretação de uma fonte do aQui, que pediu para não ser identificada, a narrativa da mudança de comportamento não se sustenta. “Isso depende da cidade. Você vai a cidades hoje que têm várias casas noturnas, boates, todo mundo bombando. Volta Redonda é diferente, a parada é outra. Eu não concordo com essa história de que acabaram as boates, não tem boate pra ir: o custo é caro, com muito imposto. A RAJ tava bombando, foi em 2024, geração Z, todas as gerações, bombando. Faziam vários shows, os caras ganhavam R$ 100 mil por semana. Não tem casa noturna porque Volta Redonda é um lugar estranho, e o Brasil tem o problema da quantidade de impostos”, dispara.

Estranhezas e impostos à parte, uma pesquisa do DataFolha, realizada em 12 capitais brasileiras, aponta que mais da metade dos jovens não frequentam baladas ou vão menos de uma vez por ano. Ao mesmo tempo, discussões relacionadas à saúde mental, excesso de tempo de tela, redução do consumo de álcool e preocupações com segurança urbana têm influenciado a forma como os universitários escolhem socializar e construir relações. Enquanto isso, as pistas de boates que se consagraram no passado da região sobrevivem apenas na memória de quem viveu essa época.

Minhas casas

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Neto espera construir mais de duas mil moradias em Volta Redonda 

Na quarta, 15, o prefeito Neto reuniu-se com representantes de construtoras que vão assumir a construção dos novos condomínios do ‘Minha Casa, Minha Vida’ que fazem parte da adesão do município à Campanha da Fraternidade, da Igreja Católica, cujo tema de 2026 é ‘Fraternidade e Moradia’. 

“Estamos avançando para garantir moradia digna para mais de duas mil famílias de Volta Redonda. Já escolhemos os terrenos para receber os novos condomínios, que vão beneficiar sete regiões da cidade. Agora, estamos fazendo um estudo de viabilidade e esperamos acelerar os trâmites legais para ampliar o número de pessoas com a casa própria no município”, afirmou.

O primeiro empreendimento será o ‘Minha Casa, Minha Vida’ do Morada do Campo, que está quase pronto e vai atender 192 famílias. Agora, segundo Neto, serão lançados condomínios para atender moradores do Açude, Retiro (região da Fundação Beatriz Gama), Vale Verde, Santa Rita do Zarur, Fazendinha, Jardim Belmonte e Roma. “É bom lembrar que o município de Volta Redonda garante a instalação de vaso sanitário com assento e box com chuveiro elétrico em todas as unidades do ‘Minha Casa, Minha Vida’. Além disso, vamos prezar pela segurança, com reforço na iluminação e instalação de câmeras de monitoramento”, destacou Neto, reforçando que esses pequenos acréscimos trazem mais conforto para os moradores.

Foto: Cris Oliveira – Secom/PMVR

Vai entender!

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Entidades empresariais lançam campanha por voto em volta-redondenses; primeiro convidado é do Rio de Janeiro

Mateus Gusmão 

A cidade do aço comemorou ontem, sexta, 17 de julho, os seus 72 anos de emancipação política e, ao longo dos anos, construiu uma história de protagonismo no Sul Fluminense. Com mais de 220 mil eleitores, também é uma das principais forças econômicas do interior do estado. Mas, quando o assunto é representatividade política, a realidade é bem diferente. Hoje, por exemplo, Volta Redonda conta com apenas dois representantes na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro  e nenhum deputado federal eleito.

A cada eleição, milhares de votos dos volta-redondenses ajudam a eleger candidatos de outras cidades e regiões, enquanto nomes da própria cidade disputam entre si um eleitorado dividido. O cenário está longe de ser novidade. Toda eleição é a mesma história. Políticos forasteiros desembarcam na cidade – muitos com um verdadeiro “caminhão de dinheiro” –, contratam lideranças políticas e comunitárias e acabam levando votos que poderiam fortalecer a representação local.

Há anos, políticos, empresários e lideranças defendem a necessidade de fortalecer candidaturas natas para ampliar o peso político de Volta Redonda. O discurso se repete a cada eleição. Na prática, porém, pouca coisa muda. Este ano não vai ser diferente. A prova é que as entidades empresariais locais lançaram recentemente, mais uma vez, a campanha ‘Vote por Volta Redonda’, iniciativa que pretende conscientizar o eleitor da importância de escolher candidatos comprometidos com os interesses do município. No entanto, a própria campanha começa cercada por um questionamento.

A iniciativa foi apresentada pelo presidente da Aciap-VR, Maycon Abrantes, em reunião com representantes de entidades de classe do município. Segundo ele, o momento pede atenção redobrada da população. “A gente entende a importância de prestigiar e fazer com que a população entenda a importância de eleger candidatos, deputados, senadores, enfim, aqueles que tenham compromisso com a nossa cidade”, afirmou à imprensa local.

Abrantes lembrou que Volta Redonda não elege um deputado federal há duas eleições e destacou o tamanho do desafio. “Nós temos hoje dois deputados estaduais, mas, em um colégio eleitoral de 220 mil eleitores, é pouco para a nossa cidade”, comentou, mostrando que o objetivo é claro. “Fazer com que a população entenda a importância de votar no candidato da nossa cidade, porque, com isso, a gente compromete muito os investimentos aqui na nossa cidade”, afirmou.

Além da Aciap-VR e CDL-VR, também vão vestir a camisa do ‘vote por VR’ a Ordem dos Advogados do Brasil – Subseção Volta Redonda (OAB-VR), o Sindicato do Comércio Varejista (Sicomércio-VR) e a Associação das Empresas de Serviços Contábeis de Volta Redonda (Aescon-VR). O vice-presidente da CDL, José Luiz Fagundes, falou sobre o objetivo da campanha. “A gente incentiva muito que a população vote em candidatos de Volta Redonda”, disse, ressaltando que esse ‘detalhe’ ainda passa despercebido por parte do eleitorado. “É algo que acho que nem todo mundo dá valor, mas hoje a gente vê que as prefeituras são muito dependentes de verbas que vêm da federação”, pontuou.

O empresário foi além. “Votando em candidatos que são de Volta Redonda, eles vão priorizar a cidade, então ela só tem a ganhar com isso”, disse, ressaltando que o benefício chega diretamente ao cidadão na forma de mais recursos disponíveis para a prefeitura investir em áreas essenciais. “A prefeitura investe essas verbas em infraestrutura, saúde e educação. Por isso, a gente convida e pede que toda a população de Volta Redonda dê preferência aos candidatos de Volta Redonda”, destacou.

Candidatos de fora

Os empresários, entretanto, começaram a campanha pelo voto por VR, digamos, com uma certa licença poética. É que o primeiro pré-candidato a se reunir com as entidades de classe foi justamente alguém de fora da cidade do aço: o coronel da PM Luiz Henrique Monteiro Barbosa, pré-candidato a deputado federal pelo Avante. 

O político é carioca da gema e morou em Volta Redonda entre 2009 e 2016, quando comandou a Guarda Municipal. Depois foi embora e voltou em 2021 para assumir a Secretaria de Ordem Pública. “Foi um momento de diálogo produtivo, onde discutimos temas fundamentais para o presente e o futuro de Volta Redonda. Entre os assuntos, destacamos os avanços da segurança pública em nosso município, um trabalho que tem contribuído diretamente para a melhoria da qualidade de vida da população e para o fortalecimento do ambiente de negócios”, escreveu ao comentar a ideia dos empresários da cidade do aço. 

Acompanhado pelo presidente da Câmara de Volta Redonda, Neném (PP), o político do Rio de Janeiro entende que os empresários estão certos. “É por meio da união de esforços que conseguimos construir soluções concretas para o desenvolvimento da nossa cidade”, comentou, como se tivesse nascido na cidade do aço. Não satisfeito, parabenizou o presidente da Aciap. “Reforça (a campanha) a importância de valorizarmos lideranças comprometidas com a nossa cidade, que conhecem seus desafios e trabalham para defender seus interesses”, justificou o policial militar carioca. Vai entender… “Que venham os Luizinhos, os Leals, as Carneiros, os Lopes”, ironizou um dos presentes, pedindo anonimato, referindo-se aos deputados de fora que vivem buscando votos em Volta Redonda. Ah, em tempo: o prefeito Neto não esconde de ninguém que seu candidato a deputado federal é o Dr. Luizinho (PP).   

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