quinta-feira, outubro 29, 2026
Casa Blog Página 36

Tabuleiro de aço

0

A CSN DEPOIS DE STEINBRUCH: O que Schvartsman terá de vender, preservar e mudar

Pollyanna Xavier 

Conhecido pelo perfil conservador e pelo controle rigoroso nos negócios, Benjamin Steinbruch surpreendeu o mercado ao decidir algo pouco comum em sua trajetória: deixar a cadeira de CEO da CSN. Depois de mais de duas décadas no comando executivo da companhia, Steinbruch passou o cargo para Fábio Schvartsman, ex-presidente da Klabin e da Vale. A mudança, oficializada na quinta, 3, acredite, tem vários asteriscos no rodapé. Primeiro, porque ela pode ser muito maior do que a simples troca de cadeiras entre dois executivos de peso. Segundo, porque Steinbruch só mudou de posição no jogo: saiu da presidência da CSN, mas assumiu o Conselho de Administração – órgão máximo de deliberação da Companhia. E terceiro, porque o tabuleiro continua sendo dele. 

O jogo apresenta ainda um quarto asterisco, talvez o mais intrigante: Schvartsman é um executivo muito diferente de Steinbruch, com uma trajetória marcada pela passagem por grandes grupos industriais e por momentos de transformação e reestruturação. Ele chega com um discurso de fortalecimento da governança, continuidade e preparação para um novo ciclo da CSN. A missão é melhorar a estrutura de capital, reduzir a dívida bilionária que a empresa acumula e aumentar a eficiência da ‘nova CSN’. O que ninguém ainda respondeu é: que empresa é a que Schvartsman está recebendo? A pergunta ganha peso porque a troca acontece justamente quando a siderúrgica atravessa um dos momentos financeiros mais delicados de sua história recente. A conta é pesada. 

Para se ter uma ideia, a CSN fechou o segundo trimestre de 2026 com dívida líquida próxima de R$ 42 bilhões e alavancagem de cerca de 3,5 vezes o Ebitda. Para amenizar o problema, colocou em marcha um plano de desinvestimentos de ativos para reduzir o endividamento, com o objetivo de captar R$ 15 bilhões, podendo chegar, numa projeção bastante otimista, a R$ 18 bilhões. Se conseguir levantar esse montante e direcionar todo o dinheiro para a dívida, a alavancagem poderia cair para algo próximo de duas vezes o Ebitda. Ainda assim, para alcançar a meta saudável de uma única vez (1x Ebitda), a companhia teria outro caminho de R$ 12 bilhões pela frente. 

No início de 2026, Steinbruch colocou à venda um dos ativos mais expressivos do conglomerado CSN: a cimenteira. A operação vem sendo negociada em um processo que pode movimentar bilhões de reais. Inicialmente, algo próximo de R$ 15 bilhões, mas as propostas conhecidas ficaram abaixo disso, na casa dos R$ 10 bilhões, forçando Steinbruch a trabalhar com uma expectativa de uns R$ 12 bilhões. As negociações permanecem abertas e entre os interessados estão a chinesa Huaxin e um consórcio formado pela Votorantim Cimentos e Cementir. 

A verdade é que, por mais de duas décadas, a CSN deixou de ser apenas aço. A empresa, com Steinbruch no comando, multiplicou por cinco o seu ativo primário (siderurgia).  O resultado foi impressionante: ele entrou com força na mineração, ampliou a logística, se tornou autossuficiente em energia e transformou o cimento em uma importante frente de negócios. A aquisição da operação brasileira da LafargeHolcim, em 2021, foi um dos movimentos mais expressivos desse tabuleiro de diversificação. Com a compra, a CSN ampliou sua presença no mercado de cimentos, incorporando uma capacidade de produção de 10,3 milhões de toneladas/ano. Pagou cerca de R$ 5,2 bilhões por essa fatia, e agora o ativo está à venda. 

Neste jogo, também existe um processo para alienação da participação minoritária em operações de infraestrutura e logística. No caso da infraestrutura, vários imóveis da CSN, em Volta Redonda, já passam por reformas para serem vendidos. Quanto à logística, a estrutura também começou a ser fatiada. No pacote, está a venda de uma participação na MRS Logística; nos terminais Tecar e Tecon, ambos em Itaguaí-RJ, e ainda uma parte da Tora (empresa de transporte rodoviário recém-adquirida). A estimativa é que a CSN venda entre 20% e 40% da plataforma logística, mantendo o controle dos ativos, e consiga levantar algo entre R$ 5 bilhões e R$ 8 bilhões. No bom português, o grupo está liquidando justamente parte desta diversificação construída ao longo da era Steinbruch, e caberá a Fábio Schvartsman administrar essa reconfiguração. A nova CSN precisa de dinheiro.

Tem ainda outro movimento que Schvartsman terá de dar conta. Enquanto a CSN procura compradores para parte de seus ativos, a Usina Presidente Vargas continua precisando de investimentos pesados para se modernizar. Trocando em miúdos, a companhia projetou um Capex de  R$ 7,9 bilhões para a siderurgia entre 2023 e 2028, dentro de um programa de modernização que inclui a UPV. Em dezembro de 2024, a empresa atualizou a projeção para R$ 8 bi até 2028, com geração média de R$ 2,8 bilhões de Ebitda incremental. Apesar do contexto técnico-financeiro, o ponto que se deve atentar aqui é quanto desse Capex já foi realizado e quanto ainda terá de ser desembolsado até 2028. Essa é uma das perguntas que ficam sobre a mesa do novo CEO.

Além de responder a esse questionamento, Schvartsman terá de decidir o que pode ser vendido e o que precisa permanecer nas mãos da CSN. E fará tudo isso com Steinbruch no Conselho. A palavra final será dele. Há ainda outro ponto: o ambiental. No fim de 2025, o BNDES aprovou R$ 1,13 bilhão em financiamento para projetos de modernização e sustentabilidade de três unidades de sinterização da UPV. Os recursos contemplam a aquisição de novos precipitadores, filtros de manga, melhorias na transferência de matérias-primas e outras intervenções para reduzir as emissões da usina. Parte do projeto está relacionada ao TAC firmado com o Inea. Ou seja, há compromissos ambientais e operacionais em andamento que precisam ser cumpridos. 

 

Reação

 

O movimento de BS no tabuleiro foi recebido de forma positiva pelo mercado. As ações da CSN chegaram a subir quase 20% na quinta, 3, refletindo a boa avaliação dos investidores sobre a chegada de Schvartsman. O desafio, porém, está longe de ser uma valorização dos papéis da Companhia. Talvez a parte mais incômoda esteja por vir. É que Steinbruch conhece profundamente os ativos, os negócios, os investimentos e a história da CSN. Mais do que isso: ele próprio construiu o conglomerado que Schvartsman agora terá de administrar.

De volta!

0

Depois de viver calvário, Albertassi está com um olho em 2026 e outro em 2028

Mateus Gusmão

Um dos nomes mais importantes da política fluminense nos últimos 20 anos, Edson Albertassi (MDB) está oficialmente de volta à política. O ex-deputado concorre novamente a uma cadeira na Assembleia Legislativa, onde exerceu cinco mandatos. Depois de viver seu calvário – como ele mesmo diz –, com mais de 800 dias preso, Albertassi volta a ganhar protagonismo político. E disputa a eleição para deputado estadual sonhando, quem sabe, com o Palácio 17 de Julho a partir de 2029.

Em entrevista ao podcast ‘Tá no Palanque’, comandado por Júlio Esteves, Albertassi abriu o jogo sobre política, sua candidatura à Alerj, o período em que ficou preso e a anulação do processo que o levou ao cárcere. Tem mais: revelou uma história pouco conhecida sobre sua reaproximação política com o prefeito Neto, de quem já foi adversário. “O Neto é um capítulo à parte na minha vida”, disparou.

Albertassi contou que rompeu politicamente com Neto em 2000 e ficou brigado com o atual prefeito até a eleição de 2012, quando Neto disputou o Palácio 17 de Julho com Zoinho, ex-vereador e ex-deputado federal. “Naquela campanha de 2012, eu entendi que a reeleição dele era necessária naquele período. Eu levei meu grupo para apoiá-lo naquela ocasião, o Neto se reelegeu e deu, naquele momento, o mérito ao nosso grupo. E a gente se aproximou de novo a partir daquela eleição”, comentou.

Tem mais. Albertassi lembrou que os dois se afastaram novamente em 2017 – período em que Neto deixou a prefeitura e Albertassi foi preso. “Em 2020, o Neto ganhou a eleição, quase sem fazer campanha. Ele é um fenômeno, venceu seis eleições, né? E, para minha surpresa, eu, que cheguei em casa em 2020, em plena pandemia, depois de quase 900 dias fora de casa, sendo visitado por poucos, recebi, no dia 31 de dezembro de 2020, uma ligação dele. Um dia antes da sua posse, o Neto me ligou. Eu fiquei com vergonha de atender. Ele insistiu, e ligou para o meu filho. Eu atendi e disse, sem saber muito o que falar, ‘Feliz Ano Novo, Neto’”, relatou na entrevista.

Segundo ele, Neto dispensou a felicitação pelo novo ano e afirmou que queria falar sobre trabalho. O prefeito queria que ele trabalhasse na prefeitura a partir de 2021. “Ele ainda ficou dois anos insistindo para eu ir trabalhar com ele. Depois que veio a primeira decisão, eu recebi vários convites, do governador e da própria Alerj. Mas a minha mulher, lembrando do gesto do Neto, disse: ‘Você tem que trabalhar com o Neto, porque ele foi o primeiro a te chamar’”, acrescentou.

Tem mais. Nos poucos mais de três anos em que trabalhou com o prefeito, Albertassi pôde contribuir com a administração, especialmente nas questões relacionadas às contas públicas e ao aumento da arrecadação do município. “O Neto se tornou um amigo da minha casa. Ele me elogia bastante, e eu também sempre faço deferência a ele”, completou.

2028 no radar

Questionado sobre as eleições de 2028, quando Neto não poderá mais tentar se reeleger, Edson Albertassi desconversou. Mas indicou que poderá concorrer a prefeito – caso consiga vencer a eleição deste ano. “A eleição de Volta Redonda certamente passa pelo Neto, afinal, são seis mandatos. Os nomes para 2028 passam inevitavelmente pela eleição deste ano. Então temos que esperar essa eleição passar, entender o processo eleitoral e ajustar os grupos para a próxima eleição ser mais tranquila”, disse. “Eu tenho os meus sonhos. O primeiro e mais próximo é agora. Mas 2028 está logo ali, e a gente deixa para discutir depois”, pontuou.

Vale lembrar que Albertassi já disputou seis eleições em sua carreira: uma para vereador e cinco para deputado estadual. Venceu todas. “Foram seis eleições e seis mandatos. E eu sempre digo que o sétimo será o maior e melhor. Pela motivação, pelo carinho das pessoas, pelo recomeço. É uma trajetória que começou há 30 anos e foi interrompida, já que estou há sete anos sem disputar eleição. Estou na expectativa por vitória, por ter uma boa votação”, comentou.

Albertassi também falou sobre a prisão e afirmou que considera aquele momento uma interrupção de sua trajetória política. “Sabe aquela história de que você faz tudo certo, caminha sem um arranhão na vida pública? Nada para te desabonar. Aí, eu fiz uma escolha naquele momento e fui indicado para poder concorrer ao cargo de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado. Eu seria eleito por unanimidade. E, no dia da votação para conselheiro, acontece aquilo que nunca imaginei: uma operação policial. É muita coincidência, não é?”, completou.

“Fiquei um longo tempo afastado, mais de 800 dias longe da minha família, da minha casa. Se você olhar o processo, não há uma acusação formal. Havia apenas ilações da minha atividade secundária, pois naquele momento eu era político, mas nunca deixei de ser radialista e empresário. E, diante da venda de um anúncio para a rádio, me envolveram nisso”, acrescentou.

Em março deste ano, o Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ) decidiu, por unanimidade, arquivar a ação da ‘Operação Cadeia Velha’ contra o ex-deputado estadual Edson Albertassi. A decisão ocorreu após pedido do próprio Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ), responsável pela acusação, que reconheceu a nulidade das provas e a ausência de justa causa para o prosseguimento do processo. “Te confesso que foi muito desgastante. A família sofreu muito. Talvez tenha pessoas que ainda não leram a decisão e tenham dúvidas. Mas Deus sabe o que faz. Deus que me deu essa condição novamente. E tenho fé que Deus nos dará a vitória”, afirmou.

O futuro do Rio

Durante a entrevista, Albertassi também falou sobre sua visão para o futuro do Estado do Rio de Janeiro. Para ele, a crise financeira enfrentada pelo estado a partir de 2013 deixou marcas profundas. “O Rio, a partir de 2013, viveu situações muito complicadas. Perdemos muitos recursos, por exemplo, com petróleo, royalties do petróleo, e começaram as dificuldades financeiras. Sabemos que, quando isso começa, a situação piora: os servidores recebem com atraso, fornecedores ficam sem receber”, afirmou.

Na avaliação do ex-deputado, o Rio precisa voltar a ser protagonista. “No Rio, a gente precisa trazer de volta o bom emprego, com bons salários. Precisamos retomar para o Rio as grandes empresas, grandes escritórios. Empresas que já tivemos aqui e perdemos para Minas, São Paulo e Goiás. Você não pode ter uma CSN gigante, como temos aqui, ocupando um espaço territorial tão grande, poluindo toda uma região, e seu escritório ser em São Paulo. O escritório não está nem na capital. Cancelaram tudo e levaram para São Paulo”, completou, sem imaginar que dias depois a CSN teria um novo presidente. Paulista, é claro.

IA e o (des)emprego

0

Pequenas empresas começam a utilizar Inteligência Artificial 

Walter Barros

Larissa Costa, 29, começou a perceber que está com ‘a corda no pescoço’ há dois meses. Mais precisamente, desde quando os donos da pizzaria onde ela trabalha, em Volta Redonda, começaram a testar um aplicativo de IA (Inteligência Artificial) capaz de registrar os pedidos dos clientes de delivery, efetuar pagamentos e tomar outras decisões, tarefas que, por enquanto, ainda são exercidas por ela. “É uma sensação estranha, de estar ultrapassada, de não ser útil. O jeito é estudar, dominar a IA, se eu não quiser ficar para trás”, pontua.
Ela está certa. “A tendência é que a IA elimine tarefas repetitivas e transforme profissões, mas, também, impulsione o surgimento de novas funções, exigindo que empresas invistam em capacitação e que profissionais desenvolvam competências humanas e digitais para permanecerem competitivos”, avalia o professor Lacier Dias, um especialista em estratégia, tecnologia e transformação digital. 

Segundo ele, a IA não vai substituir a capacidade humana de decidir, negociar, criar estratégias e construir relacionamentos. “O que ela faz é automatizar atividades operacionais, liberando tempo para que as pessoas atuem em funções de maior valor agregado. O profissional que dominar essas ferramentas terá uma vantagem competitiva significativa no mercado”, dispara o CEO da plataforma de consultoria B4Data.

Estudos recentes também justificam a determinação de Larissa, funcionária da pizzaria de Volta Redonda, que iniciou um curso de IA on-line e gratuito. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pintec 2024, mostram que 41,9% das empresas industriais com 100 ou mais empregados utilizaram IA em 2024, um salto expressivo em relação aos 16,9% registrados em 2022. Paralelamente, a pesquisa TIC Empresas 2025 aponta que cerca de 93 mil empresas brasileiras já utilizam algum tipo de solução baseada em IA, evidenciando que a tecnologia está deixando de ser diferencial para se tornar parte da rotina corporativa.

Na avaliação de Lacier Dias, o maior risco para os trabalhadores não é a IA, mas permanecer alheio à transformação digital. “Historicamente, toda grande revolução tecnológica substituiu algumas atividades e criou outras. A diferença agora é a velocidade. Quem investir em aprendizado contínuo, pensamento crítico, criatividade e capacidade de trabalhar em conjunto com a IA terá espaço crescente nas organizações. A inteligência artificial não veio para substituir pessoas; ela tende a substituir profissionais que resistirem à evolução tecnológica”, concluiu.

O debate sobre o impacto da IA no mercado de trabalho, inclusive na região, ganhou força com a rápida popularização da IA generativa. Por outro lado, os principais estudos internacionais indicam que o cenário não é de substituição em massa da força de trabalho. O Fórum Econômico Mundial, no relatório Future of Jobs 2025, projeta que as transformações tecnológicas deverão eliminar cerca de 92 milhões de empregos até 2030, mas criar algo em torno de 170 milhões de novas vagas, resultando em um saldo positivo de 78 milhões de postos de trabalho. As maiores oportunidades estarão ligadas à tecnologia, análise de dados, inteligência artificial, segurança digital e, ao mesmo tempo, em ocupações que exigem criatividade, relacionamento humano, educação e cuidados pessoais.

Voltando à preocupação de Larissa, ela não está sozinha quando o assunto é o desbravamento da IA. Que o diga Júlio Murakawa, 45. Em agosto, o professor universitário decidiu aproveitar uma oportunidade de aprendizado gratuito em IA, através da abertura de 1,2 milhão de vagas pelo programa ‘Qualifica SP’, da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE) de São Paulo. “Já queria fazer um curso de inteligência artificial e, em uma conversa, comentaram sobre a oportunidade. O objetivo é ter mais noção de funcionamento da ferramenta para trabalhar com IA, porque atualmente só faço consultas. Tudo é muito novo”, relatou Júlio.

A iniciativa da SDE não é a única opção de qualificação gratuita em IA. Outro exemplo é o curso ‘IA para Todos’, da IBM, em parceria com a plataforma educacional StartSe, que disponibiliza um milhão de vagas on-line. As aulas são de até 30 minutos de duração, e a duração total do curso é de 4 horas. As aulas são ministradas por cinco professores. O primeiro módulo desmistifica a IA e pretende mostrar que qualquer pessoa pode utilizá-la. O segundo ensina como integrá-la no dia a dia, enquanto o terceiro trata de aplicações para transformar atividades cotidianas em processos mais produtivos. A última etapa foca na atualização e no uso de diferentes ferramentas.

IA não é modinha

Lacier acredita que a IA vai decepcionar aqueles que não a levam a sério. Para o professor, muitas organizações correm o risco de transformar a IA em um modismo caro ao priorizar aplicações superficiais em vez de mudanças capazes de gerar vantagem competitiva. Ele acredita que a tecnologia mudou a forma como as soluções digitais passam a surgir dentro das empresas. Ferramentas cada vez mais intuitivas permitem que colaboradores de diversas áreas desenvolvam aplicações por conta própria, sem a necessidade de conhecimentos aprofundados em programação. 

O alerta, porém, está no que fica invisível nesse processo. Questões como proteção de dados, capacidade de expansão, integração com os sistemas corporativos e sustentação da infraestrutura costumam ser deixadas em segundo plano quando o foco está apenas na rapidez da entrega. “É possível desenvolver um sistema em pouco tempo, com o apoio da IA. O difícil é garantir que ele seja robusto, seguro, preparado para crescer e efetivamente contribua para os objetivos da empresa. Essa etapa continua exigindo conhecimento técnico e planejamento”, explica.

Na avaliação do especialista, muitas empresas estão direcionando esforços para substituir processos já consolidados por ferramentas mais bonitas ou mais modernas, mas que pouco alteram indicadores estratégicos, produtividade ou resultados financeiros. “Existe um entusiasmo enorme para automatizar tarefas e criar interfaces inteligentes, mas pouca discussão sobre como a IA pode transformar processos críticos, apoiar decisões estratégicas ou gerar novas fontes de receita. Em muitos casos, a tecnologia está sendo utilizada para o ‘frufru’, e não para enfrentar os verdadeiros gargalos da organização”, observa.

Essa lógica, segundo Lacier, também produz um efeito financeiro frequentemente ignorado. Embora exista a percepção de que a IA reduz custos, diversos projetos acumulam despesas com assinaturas de plataformas, licenças, treinamento, hospedagem, manutenção e horas de profissionais especializados antes mesmo de comprovar qualquer retorno sobre o investimento. Em alguns casos, os aportes chegam à casa das centenas de milhares de reais, sem evidências concretas de ganho operacional.

Outro risco é que projetos desenvolvidos sem participação da área de tecnologia acabam retornando posteriormente para as equipes de TI praticamente do zero. Isso acontece porque aplicações criadas sem planejamento frequentemente apresentam falhas de segurança, limitações de desempenho, ausência de integração com os sistemas corporativos e dificuldades para atender um número maior de usuários. “A IA acelera o desenvolvimento, mas não substitui arquitetura, governança, nem engenharia de software. Ignorar isso significa apenas adiar um problema que será mais caro de resolver”, destaca.

Para o especialista, o debate sobre Inteligência Artificial nas empresas precisa evoluir. Em vez de se perguntar quais tarefas podem ser automatizadas, as organizações deveriam questionar quais problemas estratégicos precisam ser resolvidos e como a IA pode contribuir para isso. “A tecnologia não deveria ser medida pela quantidade de aplicações criadas, mas pela capacidade de aumentar produtividade, reduzir riscos, melhorar a tomada de decisão e fortalecer o negócio. O verdadeiro diferencial competitivo não estará em quem usa mais IA, mas em quem a utiliza para transformar aquilo que realmente importa”, concluiu. 

 

Cursos gratuitos envolvendo IA 

O Senac RJ está oferecendo 3.350 vagas gratuitas para cursos com uso de Inteligência Artificial, com início a partir de 11 de setembro. Os cursos ‘Como integrar IA no Excel’ e ‘Marketing Digital com IA’ terão 8 horas de aula, que serão realizadas no modo on-line e ao vivo. As inscrições devem ser realizadas pelo link https://cursos.rj.senac.br

 No ‘Como integrar IA no Excel’, os participantes irão aprender operações essenciais do Excel associadas ao uso estratégico de assistentes virtuais de inteligência artificial. Os alunos vão aprender a planejar, criar fórmulas e analisar dados de forma inteligente, tornando a utilização profissional mais rápida e eficiente. Para se inscrever, é necessário ter idade mínima de 14 anos e conhecimentos básicos de informática.

Já o ‘Marketing Digital com IA’ requer idade mínima de 16 anos e noções básicas de informática. É ideal para quem quer começar a criar conteúdos no ambiente digital e entender como usar o marketing e a inteligência artificial para divulgar produtos e aumentar vendas. Os participantes irão aprender a criar conteúdos de vídeos que engajam nas redes sociais, utilizando Inteligência Artificial, com foco em formatos como Reels no Instagram e TikTok.

Serviço
3350 vagas gratuitas em curso de Inteligência Artificial
Inscrições: https://cursos.rj.senac.br
Modo on-line e ao vivo
Gratuito

Seja bem vindo!
Enviar via WhatsApp