segunda-feira, outubro 26, 2026
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Subindo a serra

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Na quarta, 26, os voltarredondenses estavam sendo chamados, pelas redes sociais e por outdoors espalhados pela cidade do aço, a participar no dia seguinte (quinta, 27) da 1ª Conferência da Mobilidade Urbana Sustentável. Tudo muito verde. Só que, a milhares de quilômetros, três prefeitos da região, mais o deputado federal Deley de Oliveira, que não são filiados ao PV e nem devem ser simpatizantes da legenda, tratavam de algo do gênero. Que se sair do papel – e pode sair, é bom que se diga – vai deixar Samuca Silva morrendo de inveja. Nada mais, nada menos, que a construção de uma ciclovia ambiental de 120 kms de extensão, ligando Barra Mansa, Rio Claro e Angra Reis. 

 

“Essa área poderá receber a maior ciclovia ambiental e turística do Brasil”, pontuou Rodrigo Drable, de Brasília, onde estava acompanhado do vereador Daniel Maciel. Ele estava se referindo à área da antiga linha férrea da FCA que ligava Barra Mansa a Angra dos Reis, passando por Rio Claro, e que hoje está abandonada. “Nós nos associamos para negociarmos com o Dnit a concessão da área da ferrovia que liga Barra Mansa a Angra, passando por Rio Claro”, explicou o prefeito de Barra Mansa. 

 

Rodrigo Drable, Fernando Jordão (prefeito de Angra) e Zé Osmar (prefeito de Rio Claro) estiveram na sede do Dnit na tarde de quarta, 26, acompanhados de Daniel Maciel e ainda Vinícius Corrêa, secretário de governo de Angra dos Reis. Foram levados pelo deputado federal Deley de Oliveira (ver foto), e saíram animados da reunião que mantiveram com Charles Magno Beniz, que é diretor de ferrovias do Dnit, e Dinarte Vaz, diretor da secretaria de Patrimônio da União (SPU). “A ferrovia foi abandonada pela VLI (antiga FCA) e esta empresa já manifestou interesse em devolver à União o trecho de Barra Mansa a Angra dos Reis. Como existe a MP 572 (ver box) nós estamos pleiteando essa área para o consórcio que criamos”, justificou Rodrigo.      

 

O prefeito de Barra Mansa vai além: lembra que no trecho da antiga ferrovia existem quatro estações em estado de abandono, sendo duas em seu próprio domínio. As outras estão em Rio Claro. Já as de Angra dos Reis, segundo Rodrigo, estão em uso, sendo mantidas e conservadas pela prefeitura local já há vários anos. “Esse trecho poderá receber a maior ciclovia ambiental e turística do Brasil”, diz, sem falsa modéstia. “São aproximadamente 120 km com inclinação mínima, passando pela maior reserva preservada de Mata Atlântica”, acrescenta.

 

Ele tem razão. “A expectativa é que a ciclovia gere mais de 500 empregos diretos e indiretos nas três cidades e movimente o comércio, com a instalação de lojas e restaurantes, além da rede hoteleira, que certamente terá interesse em se instalar no trecho da ciclovia”, pontua. “A pista será de uso compartilhado”, acrescenta, garantindo ainda, de forma exclusiva, que, além da ciclovia ambiental, o consórcio formado pelos três municípios poderá incluir no projeto áreas para caminhadas. “Só não vamos permitir o uso de veículos a combustão. Teremos áreas de caminhadas, corridas, etc.”, pontua, concordando que até mesmo torneios rurais terão espaço na área. “Serão alvo de projeto de captação de recursos através de leis de incentivos para que as áreas sejam retomadas”, explicou, referindo-se à MP 752. 

 

Como o projeto ainda é embrionário, os três prefeitos  não fazem ideia do volume de recursos que serão necessários para tocar um projeto tão ambicioso como o da construção da maior ciclovia ambiental do mundo. “Na verdade, ainda não há estimativa de custos, pois o primeiro passo é conseguirmos a área”, disse. “Nós contamos com o apoio do Deley para nos ajudar a realizar esse sonho”, disparou. Que assim seja!

 

MP 572

A Medida Provisória 752/16 autoriza a prorrogação e a relicitação de contratos de parceria nos setores rodoviário, ferroviário e aeroportuário. As regras são restritas aos empreendimentos federais que fazem parte do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), criado pela Lei 13.334/16. O objetivo da MP, segundo o governo, é viabilizar a realização de novos investimentos em concessões existentes no setor de transporte. A prorrogação será usada nas concessões que estão funcionando. Já a relicitação será aplicada quando houver problemas na execução dos contratos de parceria.

 

Ciclovia gigante  

No final do ano passado, a Alemanha liberou para uso um trecho de quase cinco quilômetros de uma nova rodovia gigante e exclusiva para bicicletas, a Radschnellweg. Quando finalizada, a ciclovia terá 100 quilômetros e conectará 10 cidades e quatro universidades localizadas no distrito de Ruhr, no noroeste da Alemanha. Com isso, o governo espera tirar 50 mil carros das vias da região diariamente e incentivar ainda mais pessoas a adotarem a bicicleta como meio de transporte.

Segundo estudos, cerca de dois milhões de alemães vivem até 1,5 km distantes da nova ciclovia. E para finalizar a construção da rodovia para bicicleta, serão necessários cerca de R$ 780 milhões.

A maior do mundo

Prestes a completar o seu 150º aniversário, o Canadá pretende inaugurar ainda este ano uma ciclovia que corta o país de ponta a ponta. A construção começou em 1992 e já conta com 12.905 milhas de comprimento (20.768 quilômetros, aproximadamente), ou seja, 208 vezes mais do que a ciclovia alemã, a Radschnellweg. Na verdade, é a mais longa/maior rede de trilhas recreativas do mundo. Até agora, mais de 87% da trilha está completa, e já se conecta às principais cidades do Canadá. Embora não seja uma ciclovia no sentido tradicional, é exclusivamente designada para fins recreativos e só permite bicicletas e pedestres no verão, sendo que no inverno é usada para cross country skiing e snowmobile. É mole?

Ciclovia aérea

No início de 2017, o governo chinês inaugurou na cidade de Xiamen, no sudeste da China, a primeira ciclovia aérea do país e a maior do mundo em extensão. A via é composta por quatro pistas de 4,8 metros de largura, que se estendem por 7,6 quilômetros, cobrindo as principais áreas residenciais da cidade e três grandes zonas comerciais. Para facilitar os deslocamentos, a ciclovia é conectada a 11 estações de ônibus e outras duas dão acesso ao metrô.

Para quem não tem uma bicicleta, o sistema dispõe de 355 magrelas para alugar e 253 vagas para estacionamento, em sete plataformas. E grande parte do caminho passa por baixo da via elevada usada pela linha de ônibus de transporte rápido da cidade (semelhante ao famoso fura-fila de São Paulo), o que garante proteção nos dias chuvosos. A ciclovia, que ainda está em fase de testes, deverá comportar até 2 mil viagens de bicicleta por hora.

 

Ferrovia Barra Mansa – Angra dos Reis

A linha férrea entre Barra Mansa e Angra dos Reis foi inaugurada no final da década de 1920, para levar produtos até o porto de Angra, e já foi uma das mais movimentadas do país. Era também a via utilizada pela CSN, em Volta Redonda, para escoar os seus produtos através do porto de Angra dos Reis.  

Em 2015, as prefeituras de Barra Mansa, Rio Claro e Angra dos Reis pediram à ANTT o fim da concessão para a FCA (Ferrovia Centro Atlântica). O trecho está desativado desde 2009 e a proposta era integrar a linha férrea – hoje deteriorada, com trilhos arrancados e estações abandonadas – à malha urbana, já que a ferrovia corta alguns bairros de Barra Mansa e Rio Claro, e o fim da estrada de ferro poderia melhorar as condições da mobilidade urbana.     

No total, o trecho entre Angra e Barra Mansa tem 108 quilômetros. As estações são: Angra dos Reis, Jussaral, Lídice, Rio Claro, Getulândia, Antônio Rocha e Barra Mansa.

Histórico

A estação de Angra dos Reis foi inaugurada em abril de 1928, como parte da Estrada de Ferro Oeste de Minas (Efom). O prédio original era um barracão de zinco, na Praia do Anil. O atual – em alvenaria – foi inaugurado em 1956. O tráfego de passageiros até Angra foi extinto em 1980, mas alguns trens turísticos  (Trem da Mata Atlântica)  continuaram operando entre Angra e Lídice de 1992 a 1996, quando a linha foi privatizada, passando a transportar só cargas.

Em dezembro de 2002, fortes chuvas causaram um deslizamento de terras e a via foi interrompida. Os trens de carga pararam de circular até 2005, quando a linha foi reparada e voltou a funcionar até 2009. Atualmente é inoperante.

 

Jussaral (Angra dos Reis) – A estação de Jussaral foi inaugurada em 1925, tendo sido ponta de linha até a inauguração da estação de Angra dos Reis, três anos depois. A estação está hoje em ruínas. Na época, era a única estação com linha dupla para cruzamento dos trens.

 

Lídice (Rio Claro) – A estação de Capivary foi inaugurada em 1910, tendo sido “ponta de linha” até a inauguração da estação de Alto da Serra, onze anos depois. Antes do nome Capivary teve o nome de Vila Parado e nos anos 1940 passou a se chamar Lídice. Atualmente a estação está abandonada.

 

Getulândia – A estação de Capelinha foi inaugurada em 1924, e teve o nome alterado para Getulândia nos anos 1930. O prédio da estação vem sendo utilizado como moradia.

 

Alto da Serra (Rio Claro) – A estação de Alto da Serra foi inaugurada em 1921. Funcionou inicialmente em um vagão e depois foi construído um prédio em alvenaria. Atualmente está abandonada e foi depredada, perdendo o madeiramento das portas e janelas.

 

Rio Claro – A estação de Rio Claro foi inaugurada em 1897, tendo sido “ponta de linha” até a inauguração da estação de Lídice, 13 anos depois. Chamou-se, por um tempo, Itaverá. O local – o prédio não é o original de 1897 – está abandonado.

 

 

Antônio Rocha – A estação de Antônio Rocha foi inaugurada em 1897. Atualmente está abandonada.

 

Barra Mansa – A estação de Barra Mansa foi aberta em 1897. O prédio atual da estação foi construído em 1975. Foi uma estação de grande movimento de passageiros e cargas e dali parte um ramal para a CSN, em Volta Redonda.

 

 

Sem negócios

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De acordo com o Indicador de Demanda por Crédito do Micro e Pequeno Empresário de Varejo e Serviços, calculado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), 85% desses empresários não pretendem tomar crédito nos próximos três meses, enquanto 7% não sabem e apenas 6% têm interesse. O indicador registrou 13,2 pontos em março, com um recuo de 3,0 pontos na comparação com o mês anterior (16,2 pontos). O número varia de zero a 100, sendo que quanto mais próximo a 100, maior é demanda do empresário por crédito.

 

A maioria dos que não pretendem contratar diz que consegue se manter com recursos próprios (39%). Em seguida, aparecem os MPEs que justificam a decisão devido às altas taxas de juros (28%) e também em virtude da insegurança com as condições econômicas do país (18%).

 

Desde o início da série, o indicador de demanda por crédito se mantém baixo. “A crise econômica constitui um fator a mais no baixo apetite tanto pelo crédito como por investimento, pois tomar dívidas de longo prazo ou promover a melhoria dos negócios requer que as expectativas sobre o futuro sejam boas”, afirma Honório Pinheiro, presidente da CNDL, que completa: “Políticas que instruam o micro e pequeno empresário a respeito da importância do crédito e que ampliem as modalidades ao seu alcance podem resultar em maior demanda por recursos”.

 

Entre os empresários que consideram contratar crédito, algo difícil (37%), os principais motivos são o excesso de burocracia e exigências dos bancos (48%) e as altas taxas de juros (39%). Já entre os que consideram a contratação algo fácil (18%), as justificativas mais citadas são o bom relacionamento com o banco (33%), estar com as contas em dia (24%), estar com a documentação regularizada (13%) e tempo de existência da empresa (10%).

Sem investir nos próximos 90 dias

Em março de 2017, o Indicador de Propensão a Investir do Micro e Pequeno Empresário de Varejo e Serviços também ficou abaixo do mês anterior: 28,4 pontos ante 34,3 pontos em fevereiro, quando alcançou o maior valor da série histórica. Neste mês, o indicador registrou a mesma pontuação que em março do ano passado, também 28,4 pontos, apontando que a propensão dos MPEs a investir ainda é baixa: o indicador varia de zero a 100, sendo que quanto mais próximo a 100, maior é demanda do empresário ao investimento.

 

Dentre os empresários que não pretendem investir (66%), a maioria justifica dizendo que não vê necessidade (43%). Em seguida aparece a crise econômica (30%) e também a falta de recursos e/ou crédito (12%). Já entre os MPEs que pretendem realizar investimentos nos próximos três meses (22%), a maior parte tem a intenção de aumentar as vendas (49%), além da adaptação da empresa a uma nova tecnologia (16%) e da necessidade de atender a uma demanda que aumentou (16%).

 

“O investimento é uma variável crucial para o crescimento de uma economia. No entanto, a crise que se arrasta por mais de dois anos leva muitas empresas a operarem com capacidade ociosa e, em alguns casos, até a redução do quadro de funcionários”, explica Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil. “Nesse ambiente de crise, os projetos de expansão e melhoria do negócio são colocados em segundo plano e a preocupação de grande parte dos empresários passa a ser, então, lidar com a queda do faturamento e o aumento da inadimplência”, finaliza.

 

O indicador também mostra que, entre aqueles empresários que planejam investir, a maior parte irá recorrer ao capital próprio guardado na forma de aplicações ou investimentos (60%) ou resultante da venda de algum bem (18%), principalmente pelos altos juros bancários. Ainda assim, 21% mencionam o empréstimo em bancos e financeiras.

 

Com relação aos destinos dos investimentos, os mais citados foram ampliação dos estoques (38%), reforma da empresa (28%), compra de máquinas e equipamentos (24%), ampliação de portfólio (22%) e mídia e propaganda (14%).

Metodologia

Os Indicadores de Demanda por Crédito e de Propensão para investimentos do Micro e Pequeno Empresário calculados pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) levam em consideração 800 empreendimentos com até 49 funcionários, nas 27 unidades da federação, incluindo capitais e interior. As micro e pequenas empresas representam 39% e 35% do universo de empresas brasileiras nos segmentos de comércio e serviços, respectivamente.

 

Empréstimos para negativados

A promessa é famosa: empréstimos concedidos rapidamente, sem muita burocracia, mesmo que o consumidor já esteja negativado. Muitas pessoas, sem conhecimento das elevadas taxas de juros, acabam aceitando esse tipo crédito como última saída para conseguir pagar dívidas e honrar os compromissos financeiros. Pesquisa realizada pelo SPC Brasil e pela CNDL mostra que 15% dos brasileiros atualmente inadimplentes ou que estiveram nessa situação há no máximo 12 meses já fizeram empréstimo com financeiras que fornecem crédito a negativados – número que aumenta entre quem possui 55 anos ou mais (23%).

 

Considerando os entrevistados que já fizeram esse empréstimo, o conhecimento sobre as empresas se deu principalmente pela distribuição de panfletos (27%), pela internet (20%) e por anúncios em TV, jornais e revistas (18%). Sete em cada dez entrevistados fizeram o empréstimo pessoalmente nas financeiras (73%) e 23% pela internet; e os principais motivos para a contratação são o fato de não ter conseguido crédito em outro banco (30%) e por ser a única forma encontrada para quitar as dívidas (25%).

 

A pesquisa mostra um fato alarmante: apenas 55% analisaram as taxas de juros cobradas e as demais características de outras linhas de crédito existentes antes da contratação. O objetivo do empréstimo, para 29% dos entrevistados, é o pagamento total de dívidas e para 18% foi para o pagamento total das pendências atrasadas e também comprar itens que precisava. Quanto à facilidade de se conseguir esses empréstimos, os entrevistados dividem-se: 35% consideraram fácil e outros 35% consideraram difícil.

 

“Em momentos de estresse é fácil tomar decisões apressadas, mas nem sempre a solução que parece ser mais fácil é a melhor”, afirma a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti. “Muitos consumidores acreditam que o empréstimo é o único caminho que resta para sair do endividamento e limpar o nome; porém, a pesquisa mostra que as taxas de juros podem agravar ainda mais o problema. Em alguns casos, elas chegam a ser maiores até mesmo do que aquelas cobradas pelo atraso no pagamento de outras modalidades de empréstimo como o cartão de crédito e o cheque especial”, explica.

 

O estudo do SPC Brasil e da CNDL mostra que as informações passadas pelo atendente no momento da contratação do empréstimo são mais voltadas ao valor total com os juros embutidos (81%), o valor máximo possível para as prestações (74%) e formas de pagamento (74%). Já as informações sobre o valor dos juros cobrados foram dadas somente em 60% dos casos.

 

Caos financeiro

De acordo com o levantamento, as principais formas de pagamento das parcelas dos empréstimos são o desconto em folha (28%), prestações em carnês ou crediário (25%) e parcelas no débito automático (25%). Em 72% dos casos, os entrevistados afirmaram estar com o pagamento do empréstimo em dia e 25% em atraso, sobretudo porque a renda da família diminuiu (44% dos que atrasaram).

 

O educador financeiro do SPC Brasil e do portal Meu Bolso Feliz, José Vignoli, alerta: “O consumidor deve evitar a todo custo o empréstimo para negativados, sob o risco de se afundar ainda mais em dívidas impagáveis. Desfazer-se de um bem, ir em busca de trabalhos extras e rever os hábitos de consumo podem ser medidas mais eficazes, ainda que exijam certa dose de sacrifício.”

 

O estudo revela que sete em cada dez consumidores (75%) que optaram por este tipo de crédito admitem não ter resolvido a situação financeira. “Percebe-se que a maior parte dos consumidores entende que o empréstimo terminou por ser prejudicial”, afirma Vignoli. Cerca de 26% continuam com o nome sujo e ainda precisam pagar as parcelas – aumentando para 37% entre as mulheres.

Metodologia

A pesquisa entrevistou 602 consumidores residentes em todas as regiões brasileiras, com idade igual ou superior a 18 anos, de ambos os sexos e de todas as classes sociais, atuais inadimplentes ou ex-inadimplentes há no máximo 12 meses. A margem de erro é de 3,99 pontos percentuais para uma confiança de 95%.

Para inglês ver

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O prefeito Samuca Silva (PV) sentiu na pele quanto dói uma rejeição, que, a bem da verdade, diríamos ser desnecessária para o seu governo. Tudo porque resolveu regulamentar, por decreto, uma lei municipal que proíbe o uso do Uber – aplicativo de transporte de passageiros – na cidade do aço. O projeto que originou a Lei é do ex-vereador Maurício Batista e foi sancionado em 2015 pelo ex-prefeito Neto. Para entrar em vigor, entretanto, teria que ser regulamentado. O que Samuca fez, para agradar a apenas 256 taxistas existentes em Volta Redonda. O problema é que a medida desagradou a muitos voltarredondenses, que invadiram as redes sociais para criticar a decisão tomada pelo chefe do Executivo.

 

Pelo decreto 14.309, assinado por Samuca e que entrou em vigor no dia 19 de abril, o motorista que for flagrado operando pelo Uber, e ainda por aplicativos similares, poderá ser multado em 5 Ufivres. Pior. Terá o carro apreendido. Em caso de reincidência, a multa será dobrada.  O ‘x’ da questão é que nada mudou. Os motoristas que usam o aplicativo do Uber continuam circulando normalmente. Na tarde de ontem, sexta, 28, oito carros estavam disponíveis para a sorte dos voltarredondenses. O que prova que o decreto só serviu para desgastar a imagem e o prestígio do prefeito Samuca Silva.

 

A prova pode ser vista nas redes sociais, as mesmas que o elegeram. Samuca até que tentou explicar o inexplicável e recorreu ao Facebook, onde disse que as informações, veiculadas pela imprensa local, seriam equivocadas. “Assim como qualquer outra empresa, o sistema Uber, que usa um programa para transportar passageiro, precisa cumprir requisitos legais para operar em Volta Redonda. Hoje existe uma lei proibindo esse sistema. E não é o prefeito que faz lei, é o Legislativo, os vereadores. O prefeito tem que cumprir a lei. Se não cumprir, posso ser processado e penalizado”, argumentou.

 

“Ao prefeito e ao Executivo cabe zelar por um transporte de qualidade e seguro. O que o prefeito deve fazer, e vem fazendo, é cumprir as leis, que são feitas pelos vereadores”, acrescentou, lembrando que está em debate, na Câmara dos Deputados, em Brasília, um projeto que se for aprovado vai deixar nas mãos dos vereadores de cada cidade a decisão se o Uber pode ou não operar em cada município. “Por isso convoco toda a população para esse debate, com o prefeito e vereadores. Como prefeito tenho que pensar em todos, no Uber, no táxi, no ônibus, mas sempre na população que quer o melhor”, completou Samuca. Só esqueceu que o caso Uber já está no STF. “A decisão dos ministros do Supremo Tribunal Federal vai acabar com a polêmica”, pontua um advogado consultado pelo aQui. 

 

Ele está certo e, curiosamente, a justificativa de Samuca não colou entre os internautas. A maioria se mostrou favorável ao uso do Uber em Volta Redonda. Para piorar, o desgaste aumentou porque o decreto do prefeito não diz sequer quem ficará responsável pela fiscalização dos motoristas que usam o Uber – se isso seria feito por GMs, por fiscais da Suser, por uma comissão a ser formada por verdes, como já virou praxe na atual gestão. Tem mais. O decreto não revela nem como será feita a fiscalização, se através de denúncias com a criação de um 0800 ou se os agentes vão chamar um Uber e quando este chegar, na maior das boas intenções, será multado por atividade ilegal.

 

As várias hipóteses geraram teses absurdas. Uma delas é que a GM irá promover blitz, parando carros de todas as cores e modelos que tenham dois ou mais passageiros, além do próprio motorista. “Com o decreto, todo mundo que sair dirigindo um veículo particular em Volta Redonda será um suspeito. Um ‘potencial criminoso, afinal, quem não obedece a lei comete um crime, não é mesmo?”, ironiza uma fonte do meio jurídico procurada pelo aQui para analisar o caso. 

 

Ontem, sexta, 28, um repórter do aQui chegou a ligar para o Centro Integrado de Operações em Segurança Pública (Ciosp) para “denunciar” um Uber. O objetivo era saber como a fiscalização estaria sendo feita. Até a atendente, coitada, ficou perdida. Teve que deixar o telefone em espera por duas vezes para poder pedir informações aos colegas de trabalho. No final, anotou a placa e o modelo do carro, que eram fictícios, e prometeu que a Guarda Municipal iria apurar. O que, até prova em contrário, não aconteceu.

 

Reclamações

Desde que Samuca regulamentou a lei de Maurício Batista, que foi sancionada pelo ex-prefeito Neto, o aQui vem fazendo uma enquete com os seguidores do jornal no Facebook para saber a opinião dos voltarredondenses. E, vejam só, quase 95% dos que responderam se mostraram favoráveis ao aplicativo. E não foi nenhuma pesquisa encomendada. “Prefiro o Uber pq paga muito menos q o táxi fiz o comparativo fui de Uber da Unimed até onde moro paguei r$ 17,50 e de táxi paguei R$ 47,80 olha a diferença de preço entre um e outro pq isso”, postou Guilherme Moraes. Marcos Knupp, por sua vez, foi irônico. “Veta o Uber mesmo q os taxistas continuam nos roubando, me cobraram 80 reais da ilha são João até pinheiral uns cinco minutinhos da UniFOA”, escreveu.

 

Erick Alsaied Moom foi além. “A Uber é usada em todas as maiores cidades do mundo, porém não serve pra Volta Redonda? Um viva aos cartéis e monopólios dessa região ainda afundada no coronelismo. Incomodou os taxistas que prestam um serviço caro e mal servido”, afirmou, sendo seguido por Gisele Nascimento. “O mundo inteiro usa Uber e VR vai na contramão por palhaçada! Vou boicotar os táxis, não aguento mais pagar tão caro por uma distância tão curta. Quem deveria decidir se quer ou não a Uber é a população! Decepcionada com o prefeito”, disse a internauta.

 

Alguns, é claro, ficaram ao lado de Samuca. É o caso de Márcio Jaconi. “Só informando que o prefeito segue as leis existentes e o mesmo está certo porém se Uber quiser rodar faça a coisa certa se regularize só assim não haverá contenda entre Uber e taxista pois fazendo pelo povo é o que importa”, ponderou. Gilcilene Silva foi além. Transferiu a culpa da proibição para o ex-vereador Maurício Batista. “Gente! O prefeito cumpre a lei, essa lei ja estava aprovada na Câmara de vereadores, ela é da autoria do vereador Maurício Batista. A culpa não é do prefeito e sim do vereador Maurício Batista”, completou.

 

Para resumir, o decreto assinado por Samuca agradou a 256 taxistas e ao autor da Lei, o ex-vereador Maurício Batista. Quem anda de táxi, entretanto, não deve ter gostado nadica de nada da desastrada decisão tomada pelo prefeito de Volta Redonda. Como bom político que apregoa ser, Samuca poderia esperar pela jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. Quando a decisão sobre o Uber for tomada, contra ou a favor do uso do aplicativo, todos – autoridades, políticos e passageiros – terão que acatá-la. Simples assim, sem desgastes…  

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