segunda-feira, maio 4, 2026
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“Quando o Rio vai bem, o Brasil vai bem”

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O governador Luiz Fernando Pezão assinou na terça, 5, em Brasília, com o presidente da República em exercício, Rodrigo Maia, a homologação da adesão do Estado do Rio ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF), abrindo caminho para o reequilíbrio fiscal fluminense. O regime representa um ajuste total de R$ 63 bilhões até 2020, com aumento de receitas e redução de despesas. “É uma emoção muito forte participar deste momento, para todos nós do estado do Rio de Janeiro. Sabemos da dificuldade que tivemos para aprovar esse projeto na Câmara dos Deputados. É um momento de dificuldade, e não de fartura. É um momento de cortes profundos, de um ajuste profundo que o Estado vai fazer nas suas finanças para se equilibrar, um momento em que todos os Poderes têm que estar juntos, cortando despesas e aumentando receitas, tendo o apoio do Ministério da Fazenda. Não será um empréstimo de R$ 3,5 bilhões e a concessão da Cedae que vão salvar o Estado, e sim um ajuste duro, mas necessário e mais importante ainda para meu sucessor”, avaliou Pezão.

 

Com a homologação, o Estado poderá efetuar empréstimo de até R$ 3,5 bilhões junto a instituições financeiras, o que garantirá, em cerca de 60 dias, a regularização do pagamento dos salários dos servidores ativos, inativos e pensionistas. Além disso, será possível melhorar a prestação de serviços à população e retomar as ações de desenvolvimento econômico. “É um momento histórico para o Rio de Janeiro, que vai levantar a autoestima do povo do estado, a autoestima dos servidores, com previsibilidade de pagamentos, os serviços funcionando. É um plano duro, um plano justo, mas que, tenho certeza, vai fazer o Rio de Janeiro se reerguer. Quando o Rio vai bem, o Brasil vai bem”, frisou Pezão.

 

O presidente em exercício Rodrigo Maia também lembrou o processo difícil de aprovação do RRF no Congresso Nacional. “Muitos tinham divergências sobre o texto, mas nós sabíamos que o único caminho possível pra que a gente chegasse ao dia de hoje era a sua aprovação, que, no fim do ano passado, a Câmara rejeitou uma proposta que veio do Senado. Para todos nós deputados foi um momento difícil. E recuamos na defesa do nosso estado e na defesa do nosso Brasil. Infelizmente, essa é uma crise visível hoje no estado do Rio de Janeiro, mas, se nós não tomarmos medidas claras de redução dos gastos dos estados, da União e dos municípios, sem a reforma da Previdência, será a primeira de muitas. Em breve período, teremos uma situação em nível federal muito parecida com a situação que o Estado do Rio tem”, afirmou Rodrigo Maia.

Tempestade

No evento, Pezão ressaltou os motivos da crise financeira do Estado e agradeceu a todos os que garantiram a homologação da adesão do Rio de Janeiro ao RRF. As negociações que levaram à homologação final tiveram início em janeiro de 2017, culminando na assinatura de terça, 5, após 22 idas de Pezão a Brasília, que garantiram, inclusive, a aprovação da legislação que criou o Regime por 316 votos na Câmara e 56 no Senado.

 

“Ninguém quer ser irresponsável fiscalmente. Uma tempestade perfeita aconteceu no Rio de Janeiro. A Petrobras para nós é vital. Quando assumi o governo, em abril de 2014, o preço do barril do petróleo era US$ 120 e, um ano e meio depois, caiu para US$ 28. Não é fácil, mas nada disso nos desanimou, encontramos aqui sempre um porto seguro. O presidente Michel Temer foi de uma dedicação, de uma delicadeza, de uma firmeza, sempre com carinho para o estado do Rio de Janeiro e eu só tenho a agradecer. Também agradeço, especialmente, pelo empenho e dedicação, ao presidente em exercício Rodrigo Maia e o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles”, disse Pezão.

 

A lista de agradecimentos do governador incluiu, entre outros, os deputados fluminenses, nas figuras do presidente André Ceciliano e do líder do governo na Assembleia Legislativa, Edson Albertassi.

“É um dia histórico para o Estado do Rio de Janeiro”, comemorou Edson Albertassi. Para ele, a assinatura do acordo foi o passo mais importante que o Rio deu para superar os graves efeitos da crise que o estado vem enfrentando há cerca de dois anos, em consequência da crise que afetou o país e por causa da queda do preço do barril do petróleo e a redução dos investimentos da Petrobras. “É emocionante participar deste dia. Tivemos que superar muitas dificuldades para chegar até aqui”, disse Albertassi, lembrando do papel fundamental da Assembleia Legislativa em todo o processo. “O Parlamento Fluminense cumpriu o seu papel com responsabilidade e amor ao Rio, ao aprovar as várias leis necessárias para a concretização do acordo”, finalizou o deputado.

Ruído na comunicação

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Paolla Gilson

Que a gestão econômica do governo Temer tem deixado a desejar, não é novidade. Os números comprovam. Em junho, cerca de 1000 estabelecimentos comerciais fecharam as portas no Rio de Janeiro. Corresponde a 149% a mais em igual período do ano passado. Tem mais. Segundo o CDL carioca, no primeiro semestre de 2017, 4.154 estabelecimentos, de todos os portes, encerraram suas atividades, um número 76,2% superior em comparação ao mesmo período de 2016. O motivo é simples: queda das vendas. Em Volta Redonda, apesar da realidade não ser diferente, ninguém sabe os números da crise. O que se sabe é que muitas lojas estão fechadas, à venda ou por alugar.

 

Pode-se andar pelos bairros da periferia e, principalmente, pelas áreas comerciais para dar de cara com uma grande quantidade de imóveis fechados. De empresas que quebraram. De pequenas lojas de fundo de quintal que abrem e fecham em menos de 30 dias. Na Avenida Paulo de Frontin, por exemplo, a reportagem do aQui contabilizou 13 lojas com placas de ‘aluga-se’, cerca de oito fechadas e nenhuma à venda. Na Avenida Beira Rio o número de pequenas e médias indústrias fechadas deve ser superior. 

O desinteresse pela venda na Paulo de Frontin se justifica pela complexidade em encontrar compradores diante dos altos valores pedidos – fora da realidade, ressalte-se. Já os preços de imóveis para aluguel estariam em queda, dizem os especialistas. Um exemplo pode ser o de um posto de gasolina. “O dono do imóvel queria R$ 50 mil de aluguel do antigo inquilino. Este não concordou com o valor, alto demais, e em menos de 30 dias desocupou o imóvel”, avalia um empresário do setor.

 

“Os aluguéis, devido à crise, abaixaram de preço. Um apartamento de R$ 1.500,00 está sendo alugado por R$ 1.000,00. Uma loja que seria alugada por R$ 7.000,00, atualmente está sendo oferecida por R$ 4.500,00 ou R$ 5.000, 00. Quer dizer, houve uma queda, sim, de valores. Agora, o índice de aumento está sendo bem pequeno e isso está ajudando muito aqueles que precisam alugar uma loja”, avaliou Walmir Vítor, proprietário de uma das grandes imobiliárias da cidade do aço.

 

Entretanto, apesar da queda no preço dos aluguéis, muitos proprietários continuam sofrendo na pele os problemas da crise. É o caso de um voltarredondense, proprietário de uma loja no Aterrado, que procura quem queira alugar o imóvel há um bom tempo. Ocupado enquanto fazia várias ligações (tentativas), ele confirmou ao aQui a dificuldade, destacando que o alto valor do IPTU dos imóveis em Volta Redonda atrapalha as negociações.  

 

Após ouvir este desabafo, o corretor de imóveis Leandro Neto fez questão de citar alguns dos motivos que podem levar à aceitação ou recusa pelo aluguel de determinado local, ressaltando que a complexidade não é inerente a todos os casos.  “Nem todos os imóveis têm tanta dificuldade para alugar. O que define o aluguel de um imóvel é seu estado de conservação e valor adequado, condizente com sua localização”, afirmou, sentado na cadeira da imobiliária Lerikel, onde trabalha. O estabelecimento, inclusive, possui três imóveis comerciais para alugar na Paulo de Frontin.

Quebradeira

A dificuldade para conseguir qualquer tipo de informação sobre o ‘abre-fecha’ das lojas em Volta Redonda é tanta que, durante um mês, o aQui tentou descobrir a real situação do mercado e não conseguiu. Pior. Não parece ser uma coisa planejada. Muito pelo contrário. Seria puro desconhecimento de causa. Em todas as entidades procuradas – CDL, Aciap e Sicomércio –, a resposta recebida foi sempre a mesma: “Os cálculos estão sendo feitos”. Não estavam, tanto que, passadas quatro semanas, não foram enviados à redação do aQui.

 

Gerente executiva do Sicomércio, Rose Carvalho, depois de muita insistência, resumiu sua tese para a quebradeira na cidade do aço à queda do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) em relação a 2016 e à dificuldade enfrentada pelas empresas por conta da alta carga tributária e o pouco dinheiro circulando. Mas informação concreta que é bom, nada.

 

Deveria se espelhar em Aldo Gonçalves, presidente da CDL-Rio, que explicou que o quadro econômico do país tem afetado e muito o comportamento do consumidor, diminuindo sua disposição para a compra. “Neste momento de incertezas, a primeira atitude do consumidor é reduzir os gastos, entre eles com as compras. Com isso, o comércio lojista, já massacrado pelo peso da burocracia e da alta carga tributária, acaba sucumbindo e não encontra alternativa, a não ser o encerramento de sua atividade”, pontuou.

 

Rua de Compras

Primeiro foi em Volta Redonda. Depois, Barra Mansa, seguido de Resende, Angra dos Reis, Barra do Piraí etc. Só falta Rio Claro também aderir à mágica da ‘Rua de Compras’, bolada pelos marqueteiros de Samuca Silva para estimular os consumidores a gastar a pouca grana que sobra em presentes para as mães, pais, namorados. O próximo será para o Dia das Crianças e, certamente, será adotado por mais cidades para que seus moradores não sejam levados à tentação de passear e gastar em outros municípios.

 

Mas, desde que o primeiro foi criado – em maio deste ano –, a dúvida que resta e que ninguém responde é se o evento é mesmo um sucesso de vendas. Ou não passa de um domingo especial quando todos – sem ter o que fazer – vão para as ruas levando esposa, filhos, sogra, cães e papagaios. Gastam o que têm e o que não têm (usando cartões) para beber e comer. E, caso ache algo muito barato, barato mesmo, comprar um presente para aquele a quem ama.

 

Quem acha que a Rua de Compras é um ‘achado comercial’ é o especialista em marketing e gestão estratégica de negócios, Alexis Aragão. Veja o que ele diz. “O projeto tem sido uma ótima ocasião para incentivar a economia da cidade. Grande parte dos consumidores deixa as compras para a última hora. Assim, a estratégia de realizar um evento que reúne oportunidades de compra por meio de descontos e promoções, aliado a entretenimento e lazer, tudo em um único dia, além de movimentar o comércio local, pode ser a saída para muitos lojistas que precisam colocar o estoque para fora. Especificamente quando é realizado perto de datas comemorativas, como o dia das mães e o dia dos pais”, posicionou-se.

 

Há quem pense diferente. Bem diferente. Pedindo que seu nome não seja divulgado por ter contatos (contratos) com o Palácio 17 de Julho, um empresário diz que já participou de dois eventos do ‘Rua de Compras’. “Essa tática de atrair os consumidores a gastar tudo em apenas um dia, um domingo, não é uma boa estratégia. No primeiro evento, vendi mais de R$ 50 mil. Nos seis dias seguintes – segunda, terça etc –, não vendi nada. Acabei tendo prejuízo, pois fui obrigado a pagar horas extras para os meus funcionários trabalharem no domingo. Sem o Rua de Compras, ia vender o mesmo nos dias seguintes, sem ter despesas extras”, contabilizou. “Só é bom pra encher as ruas de gente, a passeio. E para algumas empresas que não pagam aluguel e taxas cobradas pela prefeitura”, pontuou.

 

Por falar nisso, apesar de não estarmos às vésperas de nenhuma data ‘festiva’, como a do ‘Dia das Crianças’ em outubro, a quarta edição do projeto Rua de Compras em Volta Redonda será amanhã, 10, desta vez na Vila. Além do comércio aberto, o evento também vai oferecer, das 10 às 18 horas, atividades culturais e esportivas, food trucks, exposições e brinquedos para as crianças. Será um bom teste para descobrir se os consumidores vão gastar seus poucos trocados só por gastar.       

Na beira do Paraíba

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Roberto Marinho 

Uma situação que se repete em vários municípios, a ocupação irregular das margens dos rios, também gera polêmica na cidade do aço, e continua provocando dor de cabeça a moradores, comerciantes e empresários que se estabeleceram, ao longo de décadas, às margens do Rio Paraíba. O problema quase virou uma enxaqueca – das piores – desde que a prefeitura de Volta Redonda não renovou o TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) que tinha com o MPF sobre as ocupações, conforme o aQui noticiou na edição nº 1054. O documento foi assinado em 2012, na gestão do ex-prefeito Neto, fruto de um Inquérito Civil Público, e venceu em 12 de junho de 2017.

 

Sem ter sido renovado, os voltarredondenses ficaram impedidos de tirar ou renovar um alvará provisório de funcionamento, no caso das lojas e indústrias ao longo do Rio Paraíba. Com a suspensão dos alvarás, os comerciantes já não podiam mais emitir notas fiscais ou contratar funcionários.    

 

Logo após a reportagem do aQui, o TAC foi renovado em agosto, mês em que o presidente Michel Temer assinou um decreto instituindo o Reurb (Regularização Fundiária Urbana), programa que torna possível a regularização de imóveis residenciais e empreendimentos situados dentro da Faixa Marginal de Proteção (FMP), que é de 100 metros a partir das margens dos rios. Ou seja: por via federal ou municipal, o problema dos ribeirinhos de Volta Redonda já teria soluções jurídicas.

 

Teria, mas a realidade é outra: depois de declarar uma moratória na fiscalização da secretaria de Fazenda sobre as empresas instaladas ao longo do Rio Paraíba – por conta da insegurança jurídica que reinava –, os fiscais da prefeitura de Volta Redonda voltaram a agir, e chegaram a intimar algumas empresas a fechar as portas em até 48 horas. Isso obrigou os empresários a correr atrás de uma alternativa, que passa por pedir ao Inea a revisão da FMP do seu empreendimento. A questão é que a saída custa em média R$ 3 mil, já que é necessário contratar um arquiteto para elaborar o projeto antes de pedir a respectiva vistoria técnica, com a elaboração de um laudo sobre a localização da empresa para o Inea.

 

“Temos clientes que chegaram a gastar R$ 4 mil para manter sua empresa funcionando”, diz Walmir Vitor, ex-vereador e dono de um escritório de contabilidade e imobiliária. Walmir acompanha o assunto por interesse social e profissional – já que muitos de seus clientes são os ‘ribeirinhos urbanos’. “Existem muitas pessoas morando e empresas funcionando nesta situação irregular (às margens do Paraíba), o que traz para eles uma grande insegurança. O que eu gostaria é que a prefeitura tivesse um olhar mais cuidadoso para esta situação”, justifica, ressaltando que nas regiões englobadas no TAC existem empresas de porte, com “40, 50, até 500 empregados”. “Não adianta trazer empresas de fora para o município, se não olhar com carinho para as que já estão aqui”, pontua.

 

Outro entrevistado diz que está tendo dificuldades para obter uma cópia do TAC renovado recentemente. “Isso torna tudo mais difícil, porque este documento é que diz exatamente os termos que a prefeitura aceitou. Não sabemos, por exemplo, se o governo tem que fazer alguma compensação ambiental, quais os caminhos e direitos da população que está enfrentando este problema. Sem o teor completo do TAC, fica difícil ter certeza do que está acontecendo”, argumenta, pedindo que seu nome não seja revelado.   

Solução à vista

Mas a solução do problema parece estar mais perto do que se imagina. Pelo menos é o que pensa o secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo, Joselito Magalhães, e a secretária de Meio Ambiente, Daniela Vidal, que estão à frente do processo junto ao Inea e MPF. De acordo com eles, a renovação do TAC foi um pedido do Inea, que não teria conseguido finalizar o estudo de regularização fundiária previsto no TAC de 2012. A previsão é que o estudo esteja concluído até dezembro, apontando uma solução definitiva para a questão.  

 

“O TAC (renovado) vai até o início de dezembro, e nós acreditamos que seja a última adição ao acordo. A partir daí será tudo resolvido, com o Inea cumprindo suas obrigações e a prefeitura também”, dispara Joselito, afirmando que a prefeitura tem todo o interesse em solucionar o caso. “É importante levar ao conhecimento de todos, porque fica parecendo que a prefeitura não cumpriu com alguma coisa, e não foi falta de cumprimento por parte da prefeitura. Temos todo o interesse, por questões de desenvolvimento econômico, que a Beira Rio toda seja utilizada por empresas. A gente carece de áreas na cidade e ali nós temos áreas interessantes”, avalia.

 

Joselito reconhece que a confusão com renovação do TAC levou prejuízo a proprietários de imóveis. “Alguns imóveis, pelo questionamento do Ministério Público sobre as questões ambientais, se desvalorizaram. Tem imóvel valendo um terço do preço que foi comprado. A conclusão deste TAC vai ser importante para dar a estes proprietários a real valorização dos imóveis”, diz. 

 

Joselito e Daniela entendem que o ex-prefeito Neto não tratou a questão com a devida importância. “O TAC é de 2012 e o estudo está sendo feito desde essa época. Agora é que a gente está em cima do Inea cobrando, dando opiniões, porque a gente é que vai gerir ele daqui para frente. Deixaram o Inea fazendo por conta dele”, afirmou Daniela. “Já poderia ter sido resolvido há mais tempo se houvesse uma presença efetiva do município”, pondera Joselito.

 

Sobre a concessão dos alvarás, o secretário de Desenvolvimento Econômico afirma que a partir de dezembro todos os alvarás provisórios vencerão, junto com o TAC, e a partir daí, nos casos em que for permitido, haverá a concessão do alvará definitivo. E ele recomenda aos proprietários das empresas instaladas às margens do rio – aqueles que puderem dispor de pelo menos R$ 3 mil, é claro – que busquem a revisão da faixa marginal junto ao Inea. “É uma solução definitiva. Alguns casos já foram deferidos. O Inea já deferiu até casos com maior proximidade com o Rio Paraíba, mas é um critério do Inea”, pontua.

 

A secretária de Meio Ambiente salienta que o estudo do Inea irá funcionar como um projeto piloto para a regularização fundiária da ocupação das margens em todos os municípios da região. E garante que o estudo é um pré-requisito para que o município se enquadre no Reurb. “O decreto presidencial fala da regularização fundiária, que já é o estudo que o Inea está fazendo. Nós somos o piloto na regularização das margens do Paraíba. A situação de Volta Redonda é diferente de todos os outros municípios. Vamos fazer aqui para depois irradiar para todas as outras cidades”, diz, explicando que um estudo feito em Barra Mansa pelo Inea contemplava um trecho de um quilômetro de extensão.  “Aqui em Volta Redonda é um trecho de 18,5 quilômetros; o rio corta toda a cidade”, frisa.

Residências

Se os empresários podem dormir mais tranquilos, o mesmo não se pode dizer de quem mora às margens do Rio Paraíba. “(Residências) São ocupações irregulares mesmo, e têm que ter um tratamento legal diferenciado. Quem está depois da via consolidada não vai ter risco (de sair), será contemplado. Mas teremos casos de remoção, de demolição, que o estudo do Inea vai definir”, diz Joselito.

 

A saída, de acordo com a secretária de Meio Ambiente, é que os moradores tenham paciência e aguardem a conclusão do estudo. Segundo Daniela, a situação deles também será discutida junto com o MPF. “Como ele (morador) não precisa de documento para estar ali, vai ter que aguardar o estudo. As empresas precisam do alvará para poder funcionar, por isso tem a questão da redução de faixa. Precisa de um documento (alvará) que vai autorizar a empresa a ficar ali. No caso das residências, o estudo é que vai resolver a situação. O estudo é de regularização fundiária mesmo para decidir quem pode ficar ou não pode. A partir do estudo, a prefeitura deve conseguir regularizar a situação dos imóveis”, avalia Daniela.

 

No entender da secretária de Meio Ambiente de Volta Redonda, o estudo do Inea já mostrou a necessidade de se fazer algumas obras de engenharia para a contenção de enchentes, uma vez que um dos critérios – para definir quem fica ou não – é a incidência das cheias do Paraíba, que tornam alguns trechos locais de risco, onde todos terão que sair. As obras, diz ela, seriam financiadas em parte pelo Inea, com a execução sendo feita pela prefeitura, que teria que entrar com parte dos recursos. 

 

Joselito jura que a preservação ambiental é “uma preocupação do governo Samuca”. E garante que a prefeitura está orientando os proprietários das empresas a tomar cuidado com o problema do esgoto sanitário e com a destinação correta dos resíduos. Mas confirmou que não há previsão de solução para o esgoto gerado pelas residências.

 

Uma delas – que surgiu durante encontros do prefeito Samuca com representantes de empresários e moradores, entre outros – é a implantação de tratamento de esgoto individual (fossas), que depende de a prefeitura ter como ajudar as famílias de baixa renda para a instalação dos equipamentos. “A gente pode desenvolver um projeto neste sentido, está tudo ainda em fase de estudo. Vai depender muito da conclusão deste TAC, mas é uma solução viável e interessante”, encerra Joselito.

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