quinta-feira, maio 7, 2026
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Justiça: tarda e, muitas vezes, falha

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A chegada de um novo ano é para muitos um momento de celebração e recomeço, mas, para as mais de 50 famílias das vítimas fatais do naufrágio do Bateau Mouche IV na noite de réveillon de 1989, a data transformou-se no início de uma sofrida batalha por justiça e reparação que, em alguns casos, perdura até hoje.

Esse, no entanto, é apenas um dos muitos exemplos que simbolizam o lento caminhar da justiça brasileira quando se trata de indenizar vítimas e familiares. O caso da jovem Camila Magalhães, por exemplo, baleada na porta da escola em Vila Isabel em 1998, e dos cinco jovens mortos por 111 tiros dentro de um carro, em Costa Barros, também são marcantes, pois fazem aniversário sem o devido desfecho para que as famílias possam, na medida do possível, seguir em frente.

É necessário refletir o que justificaria tamanha lentidão no judiciário brasileiro. Há um senso comum bastante leviano que imputa aos recursos a responsabilidade da demora para o encerramento dos processos, o que significa que a própria existência deles deveria ser questionada para garantir maior celeridade. Porém, a possibilidade de recorrer é essencial para garantia real da justiça. Nesse contexto, é fundamental apontar nossos questionamentos para o tempo de demora em julgamento desses pedidos. Afinal, se há rigidez nos prazos processuais para as partes e seus advogados, por que pode o poder judiciário segurar o processo por anos e anos até que as vítimas tenham a resposta que lhes é de direito?

Falta uma postura mais solidária perante o sofrimento de famílias muitas vezes extremamente desfavorecidas que, ao perderem a fonte de sua subsistência, ficam absolutamente reféns da proteção judicial. Nesses casos, enquanto os autores não recebem a indenização e o custeio para os tratamentos necessários, simplesmente não têm condições para procedê-los e, assim, a morosidade se torna ainda mais dura e impiedosa.

Enquanto for reproduzida uma estrutura de injustificável demora nos processos, além de insuficientes respostas do poder judiciário, permanecerá vantajoso causar danos e banalizar a morte, respondendo com alguns trocados ao final de muitos anos. Nesse sentido, torna-se cada vez mais urgente a batalha por resultados que devolvam às vítimas sua dignidade e funcionem pedagogicamente para evitar futuros abusos. Afinal, salvo algumas exceções, a justiça tarda e, muitas vezes, falha.
João Tancredo, Avogado
Maria Isabel Tancredo, acadêmica em Direito

‘Pra somar’

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Bruno Marini

Empresário bem sucedido, dono de uma envazadora de água mineral com mercado em todo o território nacional, o barramansense Bruno Marini foi picado pela mosca da política em 2016 quando concorreu à prefeitura do município. Não levou, mas obteve uma tremenda visibilidade. Tanta que desde então seus amigos e correligionários só pensam em uma coisa: que ele se candidate a deputado federal. “O quadro em Barra Mansa mudou muito nos últimos anos. Pandeló, Roosevelt, Zé Renato, Jonas, todos ex-prefeitos sumiram do mapa. A família Nader perdeu seu maior nome. O Manes (Cláudio) é e não é político. Político de Barra Mansa de expressão só tem o Rodrigo e o Bruno. Embora ele tenha perdido a eleição para prefeito, mostrou que tem futuro”. A análise é de um dos atuais vereadores, que pede que seu nome não seja revelado por ser bem próximo a todos os envolvidos. “A maioria não vai gostar do que eu disse”, justificou. 

 

Embora tenha ficado no anonimato, ele tem razão em sua análise, pois nas últimas eleições os eleitores de Barra Mansa despejaram milhares de votos em candidatos de fora. Resultado: ninguém do meio local se elegeu para defender os interesses do município. “Quem votou no Eduardo Cunha jogou seu voto fora. Foram 6.446 votos no ex-presidente da Câmara, hoje cumprindo pena por corrupção. A maioria dos que foram votados em Barra Mansa está envolvida nos escândalos da Lava Jato”, avalia, para completar: “E os parlamentares próximos, como Deley, que teve 6.978 votos, Luiz Sérgio, com 1.785 votos, e Serfiotis, que ‘arrancou’ 12.891 votos nas eleições passadas, estão mais preocupados em trabalhar para suas cidades. Barra Mansa está órfã e precisa eleger gente sua para a Alerj e para a Câmara”, completa.

 

Procurado pelo aQui, Bruno Marini confirma sua disposição de ocupar o espaço vago em Barra Mansa. “Estou na política para somar”, dispara. “Quero ser a voz de Barra Mansa”, pontua o empresário, que é filiado ao PP do vice-governador Francisco Dornelles, com quem se encontra pelo menos uma vez por semana. “Eu o ouço sempre”, diz Bruno.             

Veja abaixo a íntegra da entrevista com Bruno Marini:

aQui: Por que o senhor está decidido a se lançar como candidato à Câmara Federal?

Bruno Marini: Me coloquei na disputa pela prefeitura de Barra Mansa em 2016 por que acreditava que poderia contribuir levando para a gestão pública uma visão empreendedora e a minha experiência administrativa. Obtive uma votação relevante e agora, na condição de pré-candidato e vislumbrando a possibilidade de um mandato de Deputado Federal poderei ajudar Barra Mansa, a região e o que é mais importante, o estado do Rio.

Estou na política para somar. Barra Mansa há muitos anos não tem um representante, quero ser esse representante, quero ser a voz de Barra Mansa e da região em Brasília. 

 

aQui: Como o senhor analisa a postura dos atuais deputados federais?

Bruno: O conceito que tenho dos atuais deputados não é diferente do que aponta as pesquisas de opinião pública: baixíssima credibilidade. Acredito que essa “profissionalização” na política é um grande equívoco permitido e até incentivado na atual legislação. Sou a favor de no máximo dois mandatos para os cargos no legislativo. É preciso criar mais oportunidades e com isso evitar essa personalização e fortaleza criada em torno dos mandatos.

 

aQui: Como o senhor pretende se relacionar com os prefeitos caso seja eleito?

Bruno: Sou a favor do fortalecimento dos municípios. Essa será uma de minhas bandeiras. Afinal, o município é o ente público mais próximo da população. 

Colocarei o meu mandato à disposição dos prefeitos. Será um mandato de diálogo e construção coletiva. 

 

aQui: Faça uma análise das seguintes pessoas:

Presidente Temer – “Para muitos, o pior presidente do Brasil para outros nem tanto. Sou do time que acredita na necessidade das reformas e isso ele tem tentado fazer, mas não pactuo com perda de direitos adquiridos. O Brasil precisa das reformas, mas é preciso buscar o bom senso e prezar pelos direitos do cidadão até aqui conquistados às duras penas”. 

 

Ex-presidente Lula: “Admiro o Lula pela sua história e sua habilidade política. Considero que fez um bom primeiro mandato. É uma importante liderança. Mas isso não significa que está acima da lei. Se errou, assim como tantos outros, que pague e que a justiça cuide de forma isenta e tão somente dentro da lei”.

 

Governador Luiz Fernando Pezão: “Conheço e admiro o Pezão desde sempre. Posso dizer que é uma pessoa extraordinária, humilde e comprometida. Entrou na linha de sucessão num governo em declínio e condenado pela justiça. Torço pelo Rio de Janeiro”. 

 

Ex-prefeito Neto: “Um grande líder regional que muito contribuiu especialmente para o desenvolvimento e a qualidade de vida em Volta Redonda. Tiro o meu chapéu!”. 

 

Prefeito Samuca Silva: “Chegou na onda da mudança sinalizada pelo desgaste político em geral. É jovem, inteligente e acho que tem um belo futuro”.

 

Prefeito Rodrigo Drable – “Fomos adversários nas eleições de 2016, mas jamais inimigos. Percebo que ele tem feito bem o dever de casa, é muito capaz e inteligente. Torço por ele e por Barra Mansa”.

aQui: Como o senhor prevê o futuro de Barra Mansa e da região?

Bruno: Não é segredo para ninguém que o país está atravessando uma de suas piores crises, mas que já sinaliza uma recuperação. Passando isso, teremos muito que avançar em Barra Mansa e na região. Temos uma localização privilegiada, temos água, energia, áreas e uma mão de obra qualificada. Vamos nos empenhar para apoiar e fortalecer as indústrias aqui já instaladas e buscar novos investimentos. Oferecer para nossos jovens uma educação competitiva. 

Potencializar o setor do agronegócio e o turismo. Somos uma região promissora, o negócio é regaçar as mangas e trabalhar. Tenho muita disposição e vontade de acertar.

 

aQui: O senhor tem desenvolvido algum trabalho fora da região, onde possa ter votos e apoio?

Bruno: Tenho feito muitos contatos, mas a minha prioridade é buscar votos e apoio na nossa região que quero representar com muita honra, comprometimento e honestidade.

 

A guerra do lixo

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Vinicius de Oliveira

O anúncio da Foxx Haztec de que construiria um novo tipo de aterro no terreno onde já funciona o Centro de Tratamento de Resíduos (CTR) de Barra Mansa causou comoção geral. Como a ideia é neste ‘novo lixão’ depositar ‘lixo tóxico’ de empresas como a CSN, Peugeot, Saint Gobain e outras, bem como os restos de grandes obras (telhas de amianto etc), ambientalistas, políticos e moradores entraram em pânico. Até o padre ficou comovido. E, com a ajuda de PT e Psol, todos declararam guerra à empresa. Para a maioria dos envolvidos, a Haztec estaria pondo em risco o meio ambiente e até, sem apresentar provas, a vida de centenas de barramansenses.

 

A Comissão Ambiental Sul, órgão sem fins lucrativos e ligado à Igreja Católica, por exemplo, andou encabeçando reuniões com residentes no entorno do CTR. Elaborou abaixo-assinados e chegou a emitir uma extensa nota criticando a iniciativa da Haztec, fazendo denúncias de toda a ordem. Entre elas a de que um único erro poderia destruir os rios Carioca e Cotiara e até o Rio Paraíba, que agoniza há décadas, sem que o governo Federal tome qualquer providência.

 

A pressão dos ambientalistas e padres fez com que pelo menos três vereadores se posicionassem contra a ideia do aterro Classe I (como é denominado o local que recebe lixo tóxico). Daniel Maciel foi o primeiro. “Será que vai ser bom mesmo para nossa cidade? Por que aqui? Desde 2011 eu e meu pai já éramos contra o CTR. Agora a situação é mais séria. Esse lixo tóxico pode cair nas nossas estradas. Será que a empresa em questão conseguirá impedir que o material prejudique a nossa população? É preciso buscar economia, empresas, oportunidades, mas não lixo! Barra Mansa merece respeito”, protestou.

 

Marcel Castro endossou. De forma um tanto quanto teatral, o vereador disse que conversou com ‘técnicos ambientais’ e estes teriam condenado a construção do novo aterro. “Ainda que haja compensação econômica, os riscos de uma tragédia ambiental no futuro são grandes. Então, como representante da população de Barra Mansa, quero declarar que sou totalmente contra a vinda do aterro de lixo tóxico para nossa cidade. Vamos jogar fora essa ideia”, propôs.

 

Mas o golpe mais duro foi do presidente da Câmara, Marcelo Cabeleireiro. Ele disse ao aQui que elaborou um projeto de lei para pôr fim definitivamente ao sonho da empresa de expandir seus negócios com a construção do novo aterro. Por ele, a legislação deve ser modificada, bem como a Lei Orgânica do município. “O PL já está tramitando na Câmara. Nós vamos mexer no zoneamento e na lei orgânica. Pode esperar”, prometeu, dando como certa a aprovação do seu projeto pelos demais vereadores.

 

A própria prefeitura entrou na briga. E parece ter desistido de aprovar o novo lixão, que renderia cerca de R$ 300 mil aos cofres públicos, além da geração de novos postos de trabalho. E a equipe de Rodrigo Drable emitiu uma carta acusando a Haztec de não cumprir inúmeras condicionantes impostas pelo Instituto Estadual do Meio Ambiente (Inea) com relação ao CTR em funcionamento desde 2012, época em que o prefeito era um dos vereadores de Barra Mansa.

 

Dentre os seis quesitos apontados pela equipe do atual prefeito, estava o não tratamento do chorume pela empresa, uma prerrogativa para poder operar aterros. No documento entregue ao Inea na terça, 16, consta ainda que a Haztec não teria instalado uma Unidade de Aproveitamento Energético de Biogás e de Geração de Energia de acordo com o projeto apresentado pelo próprio órgão ambiental. “Não existe qualquer processo para licenciamento da referida unidade no Inea”, diz a carta oficial.

 

Não satisfeito, o prefeito declarou a polêmica como ‘encerrada’. “A prefeitura de Barra Mansa encaminhou ao Inea um documento em que declara que não permitirá que joguem lixo industrial Classe 1 de outras cidades em Barra Mansa. A decisão foi tomada após uma análise detalhada do processo de licenciamento do Aterro Sanitário Classe 2, já existente em Barra Mansa e em operação. Antes de tudo, por mais necessário que seja o tratamento de resíduos Classe 1, temos que exigir a conclusão dos termos contratados há mais de 5 anos. Além disso, a população não aceita receber o lixo Classe 1 produzido em outras cidades. O documento, que também é assinado pelos vereadores, elenca uma série de condicionantes não cumpridas pela empresa Foxx Haztec e encerra a polêmica que envolve o processo de licenciamento do Aterro Sanitário Classe 1, que está em andamento na Ceca (Comissão Estadual de Controle Ambiental) e no Inea”.

A reação da empresa

Os ataques do Executivo, de parte do Legislativo, de ambientalistas ligados à Igreja Católica fizeram com que a Haztec reagisse. Na audiência pública realizada na terça, 16, a empresa esteve presente. Outra estratégia foi organizar visitas orientadas ao CTR já em funcionamento com o objetivo de mostrar que trabalha dentro da lei e sob as determinações do Inea. Os primeiros a visitarem o local foram os vereadores. No dia seguinte, a imprensa foi convidada para conhecer as instalações da Haztec em Barra Mansa.

O gerente de operações, engenheiro Marcelo Silva, fez questão de explicar as diferenças entre o popular ‘lixão’ e um aterro. “O aterro, que é o que operamos aqui em Barra Mansa, tem estrutura para logística, fazemos a compactação do solo e sua impermeabilização. Tratamos o lixo ao passo que captamos e armazenamos corretamente o chorume, assim como o gás expelido pelo lixo. Sem contar que o impacto visual é menos desagradável.

No ‘lixão’ nada disso acontece. Tudo o que é descartado fica exposto à ação dos animais e de catadores, prejudicando a saúde das pessoas e o meio ambiente”, explicou.
Ainda de acordo com Marcelo Silva, a construção de um aterro Classe I (que recebe lixo tóxico) é importante para o próprio meio ambiente. “Será possível atender cidades próximas, evitando, em primeiro lugar, o transporte desse tipo de lixo para lugares distantes reduzindo, assim, os riscos ambientais. Com a criação do aterro classe I geraremos emprego e faremos a economia local se aquecer. Também tem compensações para o município com a criação de cinturão verde. No CTR em funcionamento já foram plantadas mais de 9 mil mudas”, defendeu o engenheiro.

Sobre os requisitos que a empresa, segundo a prefeitura de Barra Mansa, não estaria cumprindo, o responsável pelo setor de licenciamento da Haztec, Paulo Laguardia foi taxativo. Desmentiu um por um. E frisou que a empresa está em dia com o Inea. E garante que o órgão ambiental está ciente, por exemplo, de que ainda não tratam o chorume. “Tratar chorume não é fácil. Produzimos aqui entre 70 e 75 m³ (metros cúbicos) por dia. Em 2015 demos início a (construção) uma estação de tratamento. Mas a produção do aterro aumentou e como recebemos lixo industrial e urbano, um tipo de chorume específico é liberado. Sendo assim, precisamos investir em novas tecnologias para conseguir tratá-lo. O Inea já esteve aqui, fiscalizando. Está ciente de tudo e emitiu um parecer nos dando mais tempo para correr atrás disso. Enquanto isso, o chorume do CTR é enviado para estações de tratamento qualificadas”, explicou o responsável técnico.

Paulo disse ainda que a empresa já apresentou ao Inea projetos para reaproveitamento da energia e do biogás, oriundos do lixo e que seguem rigorosamente as determinações em favor do meio ambiente. “A companhia mantém rígidos padrões ambientais, a fim de preservar os recursos naturais para gerações futuras. Por seu comprometimento e respeito ambiental, obteve a certificação ISO 14001, concedido a empresas que contribuem na preservação do meio ambiente e atendem aos requisitos legais vigentes aplicáveis aos seus negócios”, completou.

 

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