quinta-feira, maio 7, 2026
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Coleta irregular

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Fazer com que as pessoas juntem lixo em casa, ainda que seja para a reciclagem, não é uma tarefa fácil. Separar embalagens, arrumar um cantinho da casa para estocá-las até o dia do caminhão da coleta seletiva passar, tudo isso dá trabalho. Mas uma vez que a pessoa se dispõe a fazê-lo e entende a importância do ato para o futuro do Meio Ambiente, isso se torna um hábito corriqueiro.

 

O problema é que todo este trabalho de convencimento da população pode estar indo por água abaixo. A irregularidade na coleta seletiva está desmotivando quem se acostumou a juntar o lixo reciclável. O problema se estende há tempos, com períodos em que tudo funciona bem, outros que tudo é um desastre. Como agora.

 

O jornal aQui tem recebido inúmeras queixas da irregularidade na coleta, em diversos pontos da cidade, do Vila Rica ao Jardim Amália. Os moradores relatam que o caminhão da coleta fica até duas ou três semanas sem passar. Isso tem feito muita gente desistir de juntar os recicláveis. “Da última vez ficou três semanas sem passar, eu desisti e coloquei para a coleta normal pegar. Dá pena, porque sabemos que pode gerar renda para alguém”, disse um morador do Jardim Belvedere. “Depois disso, passou outras duas semanas sem vir. E eu vejo que a quantidade de reciclável nas ruas do bairro no dia da coleta vem diminuindo a cada semana. As pessoas estão desistindo. É uma pena”, completou.      

 

No Vila Rica, no último mês a coleta falhou pelo menos duas vezes, segundo os moradores. No Jardim Amália, nas duas últimas semanas também não houve coleta seletiva. No Jardim Normândia, semana sim outra não. 

‘Tudo certo’

Em nota ao aQui, a secretária de Meio Ambiente, Daniela Vasconcelos, respondeu que está tudo certo. “Os fiscais da secretaria e um comitê com representantes das cooperativas, do governo e da defensoria pública do Estado e da União, faz o acompanhamento da coleta seletiva no município”, disse ela, ignorando os relatos dos moradores, enviados por email pelo aQui junto com as perguntas.

 

A secretária disse ainda que as cooperativas são responsáveis pela gestão da coleta, e que elas “ainda estão se adequando”. “Mas não há irregularidades nos horários”, frisou Daniela, voltando a não levar em conta as reclamações dos moradores. De acordo com a secretária, “a programação atual está sendo atendida”. Há controvérsias. E muitas.

A versão dela

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perna

Quando o prefeito Rodrigo Drable sofreu um acidente de bicicleta em Cabo Frio na quinta, 8, o sul fluminense ficou comovido. Políticos e eleitores se emperti-garam em busca de informações acerca do estado de saúde do peemedebista. Mas assim que souberam que ele não sofrera nenhum ferimento sério, todos respiraram aliviados. Todos, menos uma pessoa: Jhenifer Ribeiro, a motociclista que atropelou Rodrigo.

A jovem diz que estava com uma amiga na garupa da moto quando, segundo ela, Rodrigo, para desviar de outra moto, entrou na frente da moto que ela dirigia. E ambos teriam ido ao chão.

Mas enquanto Rodrigo teria sofrido apenas alguns arranhões, Jhenifer, como mostra a foto, teve partes da perna em carne viva. Detalhe: ao passo que o prefeito foi socorrido prontamente, com toda pompa e circunstância devida ao fato de ser uma autoridade, a moça conta que ela e sua amiga foram negligenciadas. “Não tinham os remédios necessários no hospital. Não me deram ponto no joelho”, reclamou.

Ainda de acordo com Jhenifer, o prefeito de Barra Mansa chegou a prometer que ajudaria a arcar com as despesas oriundas do acidente. “Vamos ter que fazer exames que não foram feitos no hospital. Queremos ajuda. Só as carenagens da minha moto ficaram em mil reais. E quebrou mais coisa. Gastamos muito com remédios e ainda falta remédio pra comprar”, desabafou Jhenifer, frisando que Rodrigo também teria prometido à sua mãe que ajudaria no que fosse preciso, mas, dias depois do acidente tudo mudou de figura. “Ele conversou com minha mãe, não ficou nada resolvido. Estamos sem trabalhar (Jhenifer e a amiga) e o dinheiro já acabou. Ele falou que o advogado dele entraria em contato com minha mãe, porque ele também teve prejuízo”, disse a jovem.
Nota da Redação: Procurado pelo jornal, o prefeito Rodrigo Drable preferiu não se pronunciar sobre o acidente.

Pelo viés da cultura

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Vicente Melo

Os membros eleitos para um novo período de trabalho do CMPC – Conselho Municipal de Política Cultural, começam a trabalhar em fevereiro, com a preocupação em adequar o ainda incipiente SMC – Sistema Municipal de Cultura ao SNC – Sistema Nacional de Cultura, no sentido de se criar os mecanismos de reconhecimento, inclusive o FMC – Fundo Municipal de Cultura, que proverá de recursos a nossa cultura. Estarei como Conselheiro Suplente da cadeira de Literatura.

 

É uma preocupação legítima inserir-se em definitivo no SNC, instituído em 2003, pois o seu objetivo é organizar e valorizar a cultura brasileira. A longa caminhada que o país está vivenciando para a implantação desse sistema, parece muito mais difícil em função das perdas da própria cultura como patrimônio do povo, do que suas exigências burocráticas. Mas esse não é um problema só nosso.

 

Neste momento de mudanças nacionais e internacionais, que acenam para um horizonte incerto, faz-se necessário preservar valores, por isso, talvez seja a melhor hora para começarmos a tecer o ponto a ponto do novo que queremos desde sempre. Entendemos que é pelo caminho da cultura que substanciaremos os espectros da solução, conferindo sentido, identidade e, portanto, pertencimento dos indivíduos aos seus grupos e espaços.

 

E para a cultura, isto é, para operadores, militantes, artistas, envolvidos e sonhadores, esta pode ser a oportunidade de começar a resgatar o sentido intrínseco de nossas lides culturais. Apesar da visão generalizada, focamos a cultura em nosso município, Volta Redonda, não obstante o seu sentido cosmopolita.

 

Com a prática contínua através do tempo, o evento ocupou a vaga e o espaço da manifestação de conteúdo original dessa gente que há algumas décadas teve o privilégio de se juntar para fazer uma nova cidade e reconfigurar os seus requisitos sociais e culturais. Conscientes e desejosos de tais mudanças, mantiveram-se abertos ao novo e fomentaram as inovações a partir de seus valores reais e sonhos. O rádio teve importância fundamental nessa fase, ao cristalizar a visão de mundo aos novos cidadãos.

 

Logo as coisas começaram a acontecer. Era uma nova cultura que surgia com o fim de guerra, o trabalho na indústria e seu universo de novidades e circunstâncias, a formação da cidade e seu moderno urbanismo, a mobilidade, as músicas, o acesso às informações, a convivência com os americanos, a Rádio Siderúrgica, especialmente com o seu Festival P26, a Festa de São Cristóvão, as comemorações religiosas, cívicas, políticas e, enfim, o sedimento de um novo perfil social, aquilo que Waldyr Bedê constatou ao definir Volta Redonda como “um laboratório humano que deu certo”.

 

O tempo foi passando e, em função da suscetibilidade, Volta Redonda abrigou propostas experimentais e conheceu de tudo um pouco, até que começou a fermentar o seu próprio bolo cultural e a projetar caminhos a partir dos valores que fundamentavam a nova sociedade, ainda na segunda metade dos anos 40, já com o sentimento de efetividade, de apropriação territorial, com o nascimento dos primeiros volta-redondenses e o surgimento das instituições pertinentes.

 

Após a fase de assimilação, tiveram início as manifestações genuínas de crescimento a partir daquele grande canteiro de obras. Enquanto esse novo status sociocultural se pronunciava, experimentava e apreciava as resultantes das suas iniciativas diversas, com as quais caminharam nos anos seguintes. Entre elas, o Centro Musical, o Recreio do Trabalhador, as escolas de samba, os cinemas, o grupo de teatro do Gacemss, os concertos no Hotel Bela Vista e no Umuarama, os clubes sociais, o campo do Guarani e outras.

 

Após o arrefecimento cultural promovido pelos 21 anos do regime militar, o “renascimento” das iniciativas culturais na região, como em todo o país, parece ter sofrido uma guinada internacionalizante, não no bom sentido de conquistar novos conhecimentos, mas de perder parte de sua originalidade, inscrita ao universo dos valores oriundos de sua formação, da preservação do lugar e da história, em consonância com as particularidades de sua origem.

 

Então, passamos a aceitar produtos prontos ou recriar formatos intercambiados, colocando uma universalidade sem lastro, acima da identidade. Nas últimas décadas vimos o esmaecer da nossa ainda embrionária teia identitária, com recuos, alterações de caminhos e perdas de espaços. As consequências da perda da identidade e redução da auto-estima, como vimos, foi a dissipação de valores e seus desdobramentos, entre eles se destacam o aumento da intolerância e da violência, com os prejuízos de ordem moral, cujos danos atingem diretamente todos os setores do ordenamento social, além de nublar os sonhos e o mito da transcendência cultivado pela natureza humana e que é exercitado através da arte.

 

Reencontrar o caminho nesse emaranhado de picadas artificialmente criadas pelas incongruências sociais, políticas, culturais, não é uma tarefa simples, mas é desejável por todos até inconscientemente. E para começar é recomendável a releitura de um cenário anterior de resistência cultural e suas motivações, que tiveram como resultantes o Cinema Novo, o Teatro de Arena, a Bossa Nova/MPB/Jovem Guarda/Tropicalismo, incluindo o movimento hippie, o levante estudantil, além de outras expressões e movimentos característicos das diversas modalidades da arte.

 

Apreciando o atual cenário social e político pelo viés da cultura, vislumbramos a necessidade de resgatar os valores genuínos de Volta Redonda, no sentido de atualizar a identidade de sua curta história a partir do ponto a ponto e palmilhar a recuperação de seus valores originais, ao tirar a poeira da história e ouvir o palpitar dos corações.

 

Cogitamos que demandará o trabalho zeloso de garimpar, com a peneira da sensibilidade, as porções enfraquecidas e pontas fugidias da teia orgânica de nossa cultura, e, a partir daí, fomentar os caminhos projetados sobre os genuínos valores ciclopolitanos e seus sonhos transformadores. Tal retomada, certamente acenará com a integração das iniciativas isoladas, incentivará o surgimento de outras e, ao remexer o baú de valores, estaremos prospectando ingredientes que possibilitarão restituir a liga, atualizar os elementos e enxergar um horizonte, mesmo que próximo, capaz de fazer verter o fermento diluído que suscitará o renascer da identidade, o sentimento de pertencimento, com o consequente fortalecimento do sentido volta-redondense para todos os que vivem nesta Cidade do Aço.

 

A solução pela cultura é fidedigna por partir de intrínsecos valores humanos e fomentar o verdadeiro desenvolvimento, aquele em que as pessoas são agentes e beneficiárias. E nada mais é que a consideração da diversidade, dos quereres e dos sonhos. O respeito às pessoas nunca foi tão urgente como agora, quando vemos mazelas sociais por todo lado e assistimos talvez a maior crise humanitária de nossa história.

 

Porém, assim como a Educação não é problema apenas da Secretaria de Educação e os Direitos Humanos não são resultantes de um setor, a Cultura, o Planejamento, a Saúde, enfim, todas as demandas sociais devem ser consideradas como fatores determinantes das ações de todos os órgãos públicos. De forma coordenada e consequente, afinal, quando o setor de obras constrói uma calçada, é essencial que esteja consciente de que trabalha para que os estudantes tenham conforto, segurança e garantia de acesso a escola. A cultura, antes da busca pelos sonhos e transcendências substanciados no feito artístico, é o compartilhamento qualificado dos valores que compõem a identidade do grupo social – crença moral, costumes, hábitos e demais interações, no sentido sociológico. Mais que nunca precisamos entender o sentido do bem comum em sua real dimensão, para conseguirmos identificar os reais valores e serem preservados e desenvolvidos. Assim, estaremos todos absolutamente juntos nessa missão.

Vicente Melo, jornalista, membro da AVL

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