COMPORTAMENTO: Mulheres já representam 37% dos apostadores no Brasil
Tido como território essencialmente masculino, o universo das apostas esportivas no Brasil começa a mudar de rosto, ou melhor, de gênero. Entre odds, palpites e telas de celular, as mulheres avançam sobre um espaço outrora dominado por homens e já ocupam uma fatia relevante do mercado que movimenta bilhões de reais no Brasil.
Dados exclusivos do Painel das bets, nova ferramenta do ‘Aposta Legal’ para acompanhar o mercado, mostram que, em 2025, as mulheres passaram a representar 37% dos apostadores no país, considerando apenas as casas esportivas legalizadas. No ano anterior, essa participação era de 33,2%, enquanto os homens caíram de 66,8% para 63%.

Perfil feminino nas apostas
O aumento da participação feminina também traz à tona alertas sobre os impactos emocionais e financeiros das apostas. Em 2024, o Ministério da Saúde registrou 896 atendimentos relacionados à ludopatia no Brasil. Desse total, 515 foram de mulheres, o equivalente a 57% dos casos.
Um outro estudo do ‘Aposta Legal’ aponta ainda que as mulheres são as mais suscetíveis à influência de terceiros na escolha das plataformas de apostas. O Instagram se destaca como principal porta de entrada: 49% das mulheres afirmam ter conhecido sites de apostas pela rede social, frente a 46% dos homens. Além disso, 12% das mulheres dizem ser influenciadas por recomendações de influenciadores digitais, percentual superior ao observado entre os homens (9%). Especialistas alertam que essa dependência pode levar ao uso de sites de procedência duvidosa, ampliando o risco de perdas financeiras.

Balanço do mercado de apostas no Brasil
O mercado de apostas no Brasil atingiu um patamar colossal em 2025, registrando mais de 26,4 bilhões de acessos totais. Os dados são do Painel das bets, que monitora o tráfego e a receita de casas de apostas legais e ilegais.
O volume massivo de interações com as bets no Brasil reflete a consolidação das apostas como uma das principais formas de entretenimento digital no país, com picos de atividade que ultrapassam os 2,7 bilhões de acessos mensais, como observado no mês de agosto.
Sobre o Painel das Bets
O Painel das Bets no Brasil é uma ferramenta do ‘Aposta Legal’ que monitora mensalmente o mercado de apostas no país, oferecendo uma visão clara e atualizada de “quem é quem” no setor regulado, e do que ainda acontece fora dele. Seu diferencial está na metodologia proprietária de análise de dados, que cruza tráfego web com dados oficiais de arrecadação federal, entregando um raio-x completo do setor. Com isso, o Painel traz estimativas consistentes de GGR (lucro bruto), impostos e um comparativo estratégico entre mercado legal vs. ilegal, permitindo acompanhar com precisão a evolução da regulamentação.
Além de rankings e market share, a ferramenta revela tendências de crescimento das marcas e o perfil do apostador brasileiro (idade, gênero e dispositivos). Com dados históricos de 2024 e 2025, gráficos interativos e acesso gratuito, o Painel é uma fonte primária e confiável para imprensa e público, contribuindo par a transparência no setor.
SAÚDE: Sintomas de infarto em mulheres diferem dos homens
Subtratadas
Apesar de as doenças cardiovasculares permanecerem como a principal causa de morte no Brasil, o tema ainda carece de maior atenção da população, especialmente quando se trata do Infarto Agudo do Miocárdio (IAM)1. Isso porque os sintomas do infarto podem se manifestar de forma diferente entre homens e mulheres, distinção que ainda é pouco conhecida, conforme aponta pesquisa realizada pela farmacêutica Novartis, em parceria com o Instituto IPSOS-IPEC. Cerca de 51% dos brasileiros internautas não reconhecem essas disparidades, segundo o estudo que foi conduzido por meio de questionário on-line com mais de 2 mil participantes de todas as regiões do país.
“Enquanto os homens costumam apresentar a clássica dor no peito, as mulheres frequentemente relatam sintomas como cansaço extremo, náusea, dor nas costas e no pescoço, além de falta de ar durante o infarto”, explica a Dra. Maria Cristina de Oliveira Izar, Professora Adjunta Livre Docente da Disciplina de Cardiologia da Unifesp e Membro da Diretoria da International Atherosclerosis Society 2025-2027.
A principal preocupação é que, por serem considerados atípicos, esses sinais nas mulheres muitas vezes são associados a fatores como estresse ou ansiedade, o que contribui para atrasos no diagnóstico e no início do tratamento adequado. “Quando esses sintomas são subestimados, tanto pelas próprias pacientes quanto por profissionais de saúde, é comum que os casos cheguem ao hospital em estágios mais avançados ou sejam interpretados de forma equivocada. Isso resulta em uma jornada de cuidado marcada por falhas”, alerta a especialista.
No Brasil, esse debate começa a ganhar espaço em iniciativas locais. De acordo com documento publicado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia, é fundamental que os protocolos de atendimento sejam adaptados à realidade feminina. Ferramentas de avaliação baseadas predominantemente em padrões masculinos podem levar à subnotificação de riscos e à inadequação do tratamento em mulheres.
“Precisamos superar a ideia de que a doença cardíaca é um problema exclusivamente masculino. As mulheres apresentam riscos específicos, sintomas distintos e, muitas vezes, recebem o diagnóstico de forma tardia. A ciência já aponta esse caminho; agora é essencial que ele seja incorporado pela prática clínica, pela capacitação dos profissionais de saúde e por políticas públicas eficazes”, reforça a Dra. Maria Cristina.
Causas do infarto e a importância da prevenção
O cuidado com a saúde cardiovascular deve começar pela prevenção. Além do controle da pressão arterial, do diabetes, do sedentarismo, do tabagismo e da obesidade, é fundamental dar atenção a um dos principais fatores de risco: o colesterol LDL, conhecido como colesterol “ruim”. Esse tipo de gordura se acumula de forma silenciosa nas artérias e contribui para o desenvolvimento da aterosclerose, condição que evolui lentamente e, muitas vezes, sem sintomas, até culminar em eventos graves, como o infarto ou o acidente vascular cerebral (AVC)8.
“Quando essas placas de gordura se rompem, formam-se coágulos que bloqueiam o fluxo sanguíneo, resultando em infarto agudo do miocárdio ou AVC”, explica a cardiologista.
Em indivíduos com alto risco cardiovascular, especialmente aqueles em prevenção secundária, a recomendação é manter os níveis de LDL abaixo de 50 mg/dL, tanto em homens quanto em mulheres. Para atingir metas tão rigorosas, além de alimentação equilibrada e prática regular de atividade física — sempre com acompanhamento profissional —, o uso de medicamentos para controle do colesterol é considerado indispensável.
