Barenco assume que vai rebaixar pista sob nova ponte do Aero

Barenco nega que tenha erro no projeto de construção de nova ponte

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3,9 metros

Por Mateus Gusmão

“Não”. Foi assim – curto e grosso, como lhe é peculiar – que o secretário de Transporte e Mobilidade Urbana de Volta Redonda, Paulo Barenco, negou que existam erros no projeto de construção da nova ponte que irá ligar o Aero Clube ao Aterrado. A obra está chamando a atenção de muitos volta- redondenses e gerou boatos a respeito de sua eficiência. Principalmente, vale destacar, pela altura entre a pista e a estrutura metálica da nova ponte, que seria muito baixa – menor do que quatro metros. Barenco, em entrevista exclusiva ao aQui, negou qualquer problema.
Só que ele não atentou- se para um pequeno grande detalhe: acabou confirmando que vai ter de rebaixar a pista que passa sob a ponte. Vejam a resposta que ele deu à pergunta “Há a possibilidade de se fazer algum rebaixamento na pista para aumentar a altura entre ela e a ponte?”: “Sim, está previsto dentro das obras de urbanização programadas para a conclusão da Obra de Arte de Engenharia (OAE)”, afirmou.
Quem passa pela Avenida Ministro Salgado Filho, no Aero, onde está sendo construída a ponte (em frente ao kartódromo), se assusta com a estrutura da nova ponte e com duas placas com altura diferentes, uma de cada lado: 3,2 m e 3,9 m. Elas vão servir no futuro para alertar os motoristas da altura que deverá ser respeitada entre a pista e a estrutura metálica, para que nenhum caminhão ou ônibus fique
‘entalado’, como ocorreu recentemente no centro de Volta Redonda e vira e mexe ocorre nas pistas que passam por baixo da Ponte Pequetito Amorim.
Segundo Barenco, a situação no Aero é diferente e não será um problema. “Em relação à altura na Avenida Ministro Salgado Filho, teremos altura final superior a 4,5 metros. Tal gabarito atende às normas do CTB (Código de Trânsito Brasileiro) para as dimensões máximas permitidas para veículos não especiais”, diz. Ou seja, a altura é suficiente para caminhões normais (trucks e carretas).
Acerca da sinalização do trânsito, que poderá levar um motorista desavisado a atingir a estrutura metálica da nova ponte, Barenco também não vê qualquer problema. “O local está sinalizado de forma a permitir a correta utilização da via com a restrição de faixa de circulação através de linha dupla contínua que separa os fluxos e tachões. Ao final do projeto, a altura mínima será 4,5 metros nas duas faixas de tráfego”, garante, negando novamente que tenha acontecido algum erro no projeto ou na execução.
Barenco, entretanto, confirmou ao aQui que a prefeitura vai promover um rebaixamento na pista da Avenida Ministro Salgado Filho, visando aumentar a altura entre a pista e a estrutura da ponte. “Sim, está previsto dentro das obras de urbanização programadas para a conclusão da Obra de Arte de Engenharia (OAE). Trata-se de solução usual, como pode se observar na Rua Desembargador Ellis H. Figueira, sob a Avenida Sete de Setembro, visando economicidade na construção da OAE com redução de custos relativos a sua estrutura”, comparou.

3,2 metros

Barenco, secretário de Transporte do governo Neto, ao ser perguntado se haveria no futuro alguma restrição ao tráfego de caminhões na pista do Aero, apenas respondeu que a regulamentação das normas de circulação no local atende às disposições do Código de Trânsito Brasileiro. Ou seja, seguirá liberado.
Mas sobre como evitar que caminhões, principalmente as chamadas cegonheiras, fiquem entaladas ao passar por baixo da nova ponte, Barenco disse que a responsabilidade é do motorista. “Os condutores são responsáveis por conhecer as dimensões dos veículos que operam e as restrições de circulação na via. Além desta obrigação, veículos com altura superior a 4,40 metros devem portar Autorização Especial de Tráfego (AET) com determinação de rotas e horários específicos para sua circulação em logradouros públicos, emitida pelo Órgão Executivo de Trânsito que possuir a jurisdição da via”, concluiu. Seja o que Deus quiser…

Outras obras
A construção da nova ponte faz parte das obras que estão sendo executadas dentro do Plano de Mobilidade Urbana, que conta com investimento da ordem de R$ 140 milhões, incluindo ainda a construção de uma alça no Viaduto Heitor Leite Franco, que vai permitir que os carros desçam pela Rua do Canal, no Aterrado, em um trecho perto da Capela Mortuária. Desta forma, vai ser possível atravessar para a outra margem do rio sem passar pelo centro do Aterrado.
Também já foi iniciada a construção de um novo viaduto, que vai ligar o Jardim Amália (próximo ao antigo Casarão) ao Aterrado (Fórum). E outro viaduto na Avenida Nossa Senhora do Amparo para ligar o bairro Niterói à entrada do Retiro.
O Plano de Mobilidade Urbana conta ainda com outras intervenções em andamento, como as obras para adequação de calçadas – muitas delas já concluídas, outras bem atrasadas e muitas sem ter começado –, a construção de ciclovias e instalação de lâmpadas de LED, que já avançou com mais de 6 mil lâmpadas trocadas na cidade do aço. Todo o projeto é da prefeitura de Volta Redonda, mas está sendo custeado e fiscalizado pelo governo Estadual. O que pode ser ruim, pois há quem garanta que os cofres estaduais já estão quase vazios. A conferir.