Atrasada

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CAMPANHA SALARIAL: Sindicato dos Metalúrgicos tenta negociar com a CSN

Pollyanna Xavier 

A menos de 15 dias de 1º de maio, data-base dos trabalhadores da Usina Presidente Vargas, Odair Mariano, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, ainda aguarda a CSN chamá-lo para iniciar as negociações do acordo coletivo de 2026. O silêncio da empresa o preocupa, tanto que enviou sucessivos ofícios à direção da Cia pedindo a abertura das negociações. 

Por conta da demora, Odair tem ido diariamente à Passagem Superior da UPV (foto) para desabafar diante dos peões. “A CSN precisa sentar à mesa e negociar com responsabilidade. A data-base se aproxima, e nossa categoria exige respeito. Só com diálogo e compromisso construiremos um acordo justo”, ressalta. 

A pauta da campanha salarial dos metalúrgicos foi entregue no último dia 11 de março. Ela contém 27 itens, dos quais cinco são considerados os principais. Neles, há pedido de reajuste salarial pelo INPC, aumento real de 4,2%, piso salarial de R$ 2.090, reajuste de 50% no cartão-alimentação com carga extra natalina, melhorias no plano de saúde, na alimentação oferecida nos refeitórios e até a volta do pagamento da PLR. Apesar da importância da pauta, o Sindicato não está tão confiante: há uma preocupação que a atual situação da CSN – que recentemente anunciou seu plano estratégico para diminuir a alavancagem – cause um impacto negativo no resultado das negociações, prejudicando os trabalhadores. 

Na segunda, 13, Odair não esperou o café esquentar e já foi para a porta da UPV cobrar a abertura das negociações. Até aquela data, a CSN não havia nem mesmo chamado o Sindicato para a leitura e entendimento da pauta. “Embora a data-base seja 1º de maio, é fundamental que o processo de negociação seja iniciado com antecedência”, defendeu o líder sindical, reforçando a necessidade de tempo hábil “para discutir as reivindicações da categoria e assegurar avanços nas condições de trabalho e remuneração”, comentou. Na quinta, 16, Odair se movimentou mais uma vez, no sentido de cobrar agenda da CSN para o início das conversas. Sem retorno. 

            A pauta deste ano está recorrente. Os 27 itens apresentados reúnem reivindicações antigas, já pleiteadas em negociações anteriores. A novidade ficou por conta da implantação de um programa de proteção à mulher, cujo objetivo é proteger as metalúrgicas vítimas de violência doméstica, com a garantia do apoio jurídico, financeiro, psicológico e social. O ponto forte é um pedido de estabilidade de até um ano para as trabalhadoras (excluindo as estagiárias e aprendizes) que registrarem as agressões sofridas na delegacia. 

 O plano prevê ainda a assistência profissional para retorno ao trabalho e acompanhamento quinzenal com assistente social. O item é considerado inovador e está alinhado com a Lei Maria da Penha, que reforça o papel social das relações de trabalho na promoção de um ambiente mais seguro e acolhedor para as mulheres. 

Quanto aos itens antigos, destacam-se o pagamento de um abono em substituição à PLR e a reabertura do Recreio do Trabalhador. Esse último até chegou a ser discutido na campanha do ano passado, mas não avançou, porque o pedido foi malformulado. Na época, o Sindicato propôs uma cessão, mas não apresentou um estudo de viabilidade para a sua reabertura. Desta vez, o sindicato inverteu o pedido e quer que a CSN se comprometa a reativar o clube, oferecendo os mesmos serviços do passado: recreação, esporte e cultura.

Quanto ao pagamento do abono, o Sindicato pede um valor mínimo de R$ 5 mil ou 2,3 salários nominais, sem o desconto do Imposto de Renda, para todos os empregados (ativos, afastados e demitidos), respeitando a proporcionalidade dos meses trabalhados em 2025. A entidade busca ainda a implantação imediata de uma comissão de PPR, para discutir os valores a serem pagos em 2027. Outros itens, como bonificação de férias, cesta de Natal, kit escolar, auxílio-creche, plano de saúde, banco de horas, turno de revezamento, liberação de dirigente sindical e ETPC, também foram contemplados na pauta. Um último item, porém, chamou a atenção: o pagamento de uma multa de R$ 300 por cada metalúrgico atingido e por cada infração cometida em caso de descumprimento da pauta.