“Até logo”

Morre Dauro Aragão, presidente da Fundação Oswaldo Aranha

Por Pollyanna Xavier

Morreu no início da madrugada de domingo, 7, aos 89 anos, o empresário e presidente da Fundação Oswaldo Aranha (FOA), Dauro Peixoto Aragão. Visionário, Dauro foi um dos homens mais influentes de Volta Redonda, tendo participado do processo de emancipação da cidade do aço como secretário da Junta Apuradora do Plebiscito. Foi nomeado tabelião aos 21 anos pelo então governador Amaral Peixoto e passou pela presidência tanto da Associação dos Notários e Registradores do Estado do Rio quanto do Sindicato homônimo.
O rol de atividades exercidas por Dauro nos últimos 68 anos inclui a fundação do MDB e uma participação como secretário do extinto PSD de Barra Mansa. Foi proprietário dos extintos jornais “Jornal da Cidade” e “Ação”, em Volta Redonda, e “O Sul Fluminense”, em Barra Mansa. Na FOA, Dauro não chegou à presidência à toa. Ele foi co-fundador da instituição de ensino e membro-curador, tendo exercido a presidência por três mandatos: 1998 a 2001, 2001 a 2006 e 2006 a 2010.
Dauro Aragão nasceu em Barra Mansa no dia 24 de agosto de 1931. Ele cresceu no bairro Estamparia, na rua que foi batizada com o nome do seu pai: Dario Aragão. Quando criança, costumava passar as férias no sítio do avô, em Quissamã. Mais tarde recebeu o título de cidadão quissamaense da Câmara de Vereadores local. Dauro Aragão ingressou no curso de Medicina da UFF, em Niterói, em 1952, mas não chegou a concluir a faculdade por conta do falecimento do pai. Por esse motivo, retornou a Barra Mansa para cuidar da mãe e da casa. No ano seguinte, assumiu o tabelionato em Volta Redonda, função que exerceu por mais de 50 anos.
Na biografia publicada no site do UniFoa, Dauro é descrito como uma figura pública polêmica e altamente combativa. “Político ativo, envolvido com a cidade, mas atuava nos bastidores, sem nenhuma obsessão por cargos eletivos”. Na vida pessoal, foi casado três vezes e teve sete filhos biológicos: Andréia, Aline, Dauro, Dario, Júlio, Maria Tereza e Juliana. Além de dois filhos da última esposa – Sônia Marczuk –, que considerava seus: Rômulo e Michelle. A família é formada ainda por muitos netos e bisnetos.
Sua morte foi lamentada nas redes sociais por amigos, funcionários da FOA, políticos, empresários, instituições importantes de Volta Redonda e da região. O prefeito Neto foi um dos primeiros a lamentar o ocorrido. “Amigos e amigas, nosso domingo começa de maneira triste, com a notícia do falecimento do Dauro Aragão. Parceiro de Volta Redonda em tantas coisas. O Dauro sempre acreditou nessa cidade, que ajudou a construir. É um dos responsáveis pela obra que está sendo feita para abrir mais de 30 novos leitos hospitalares para nossa cidade. Falo apenas desse caso, para mostrar que em todo o tempo Dauro foi uma pessoa que pensou e fez pela cidade”, reconheceu.
O prefeito de Barra Mansa também se manifestou em sua página no Facebook. “Mais uma triste notícia. Falecimento do Magnífico Reitor da FOA, Dauro Aragão. Amigo querido, que ajudou a transformar a realidade Acadêmica do Sul Fluminense. Meus sentimentos a família, e homenagem a esse grande homem”, escreveu Rodrigo Drable.
A viúva, Sônia Marczuk, deixou uma mensagem de despedida em sua página no Facebook. “Se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi. Isso não é um adeus, mas um até logo. Dauro Peixoto Aragão 24/08/1931 – 07/02/2021”, lamentou.
Dauro Aragão estava internado em um hospital de Volta Redonda desde o início de fevereiro. Ele morreu no início da madrugada do dia 7, de falência múltipla de órgãos. Seu corpo foi cremado, na segunda, 8, numa cerimônia reservada à família no Cemitério Portal da Saudade. Em sua memória, o prefeito Neto decretou luto oficial por três dias na cidade do aço.
A presidência da Fundação Oswaldo Aranha foi entregue, temporariamente, a Eduardo Prado, vice-presidente da entidade, até que uma eleição seja marcada para a escolha do novo presidente da FOA.

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