A ver navios

Setor de Cultura sente impacto econômico da pandemia

Por Gabriella Vicente

Na terça, 18, o presidente Jair Bolsonaro regulamentou o auxílio emergencial ao setor cultural, destinando R$ 3 bilhões a estados e municípios, que ficarão responsáveis por redistribuí-lo aos trabalhadores da Cultura e ainda a espaços artísticos e culturais, micro e pequenas empresas do setor e organizações culturais comunitárias. A Lei Aldir Blanc, em homenagem ao artista falecido em maio, vítima da Covid-19, passou a ser amplamente debatida.

Em Volta Redonda, o Gacemss (Grêmio Artístico e Cultural Edmundo de Macedo Soares e Silva), que completa 75 anos em novembro, é um dos principais protagonistas da vida cultural da cidade do aço e, desde março, está com todas as suas dependências fechadas. Alguns setores chegam a funcionar em home office. Mas os filmes, as peças de teatro, os musicais, as apresentações de dança, os recitais e concertos estão suspensos desde então. O isolamento social atingiu ainda os debates, palestras, oficinas, workshops, exposições e até a manutenção da biblioteca do Gacemss, que é uma entidade sem fins lucrativos.

De acordo com a gerente administrativa e financeira, Ana Maria Canedo Cavalcanti, vários associados chegaram a pedir cancelamento e licença por parte dos associados dos cursos oferecidos no espaço Gacemss. “Meu sentimento diante disso tudo é de tristeza por todos os que foram alcançados por este vírus, esta doença cruel que assola todo o mundo, tendo ceifado inclusive a vida do nosso presidente, Paschoal Possidente”, desabafou, lembrando do dirigente que faleceu no dia 7 de julho.

O cinema de rua mais antigo em atividade no Brasil, o Cine 9 de Abril, que pertence ao Clube dos Funcionários e está arrendado a um grupo, também está fechado desde março. “Montamos uma agenda com seis meses de antecedência, em média. Ninguém quer agendar nada por agora, mesmo que com público restrito”, conta Giovanni Citelli, administrador do cinema, referindo-se a manter ou não outras atividades usadas como fonte de arrecadação para sustentar a casa.

Segundo ele, palestras como a do à época candidato à presidência, Jair Bolsonaro, em 2017, eram sediadas com frequência. “Cinco ministros do supremo Tribunal Federal já estiveram aqui a convite de um curso de direito da cidade. O ministro Fux foi o último a ter vindo. Crivella também já esteve por aqui”, afirmou, lembrando que o cinema, com capacidade para mais de 1.000 pessoas, podia ser alugado para outras atividades, como shows, confraternizações empresariais e cerimônias de formatura.

O Cine 9 de Abril foi criado em 1959, tendo sido tombado em 1985 como Patrimônio Histórico Municipal e Estadual pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac) durante o governo Benevenuto dos Santos Neto, prefeito de Volta Redonda no período da Ditadura Militar. O cinema ganhou o nome de 9 de Abril em homenagem ao dia de fundação da CSN. Possui 1505 poltronas distribuídas entre o andar térreo e uma extensa galeria que, em funcionamento normal, costuma receber grupos escolares para conhecer a construção arquitetônica.

Em 2019, quando ninguém podia prever o que viria pela frente, o Cine 9 de Abril vendeu cerca de dois milhões de ingressos. Hoje, a rede Cine Show está sem receita desde março. De acordo com o diretor de Programação, Raymundo Pinto, para retornar de uma forma gradual, ele entende que o cinema poderia funcionar com 50% da sua capacidade. “Como forma de preservar ao máximo nosso quadro de funcionários, optamos em maioria por fazer a suspensão temporária do contrato de trabalho e, em alguns casos, a redução da jornada, amparados nas medidas protetivas e sociais do Governo. Inicialmente negociamos com todos os nossos fornecedores o escalonamento de nossos compromissos financeiros, também estamos nos habilitando a linhas de crédito de capital de giro, a fim de suportarmos o atual momento”. explicou.

Raymundo se diz otimista com a procura pelo entretenimento ao término da quarentena e focado nas medidas que estão ao seu alcance. “Estamos participando de diversos comitês do nosso segmento, procurando uniformizar os procedimentos de higiene/segurança, para que, na abertura das salas, nosso público se sinta seguro em estar de volta ao cinema. Pesquisas indicam que há um grande número de pessoas ansiosas para voltar a frequentar os cinemas”, falou esperançoso.

Deixe uma resposta