Na terça, 23, uma cena digna de filme pastelão movimentou um dos bairros de Barra Mansa. A ordem partiu da Justiça: recolher cerca de 40 galinhas que viviam em um galinheiro improvisado, em plena zona urbana, contrariando o código de Posturas. Até aí, tudo bem. Mas o que ninguém esperava era o espetáculo que iria presenciar a seguir. Três viaturas da Guarda Ambiental foram acionadas para cumprir a decisão.
Alguns deles, armados como de praxe, dando a impressão aos leigos que temiam que as aves fossem oferecer resistência e reagir. Na captura, várias con- seguiram escapar pelas ruas do bairro. Outras, mais espertas, se esconderam em terrenos baldios. A ordem de retirada do galinheiro e recolhimento das galinhas partiu da Justiça de Barra Mansa. A ação judicial, com pedido de recolhimento das aves, foi ajuizada por um vizinho que alegou não suportar mais o mau-cheiro e a sujeira provocada pelos animais. Há alguns meses, ele teria protocolado um pedido semelhante junto à Vigilância Sanitária do município, mas não teria sido atendido. Neste pedido, alegou o descumprimento ao código sanitário municipal e ainda o risco de os animais transmitirem alguma zoonose para os moradores. Sem sucesso na empreitada, resolveu buscar ajuda na Justiça.
O pedido foi deferido, e a Prefeitura de Barra Mansa foi obrigada a recolher os animais, sob pena de uma multa diária de R$ 5 mil. Ironicamente, a operação não foi tão bem-sucedida, e a cena dos guardas ambientais atrás das galinhas, com penas voando para todo lado e os animais correndo para não serem pegos, foi digna de uma boa ‘novela das 6’ da Globo. O fato aconteceu no bairro Nossa Senhora de Fátima, que fica perto do cemitério de Barra Mansa, e o dono dos animais, claro, saiu em defesa das galináceas, dos galos e dos seus pintinhos.
Segundo consta nos autos, conforme documentos aque o aQui teve acesso, ele alegou que criava os animais para combater os escorpiões que aparecem por todos os lados. A exemplo do vizinho denunciante, ele também havia procurado a Vigilância Sanitária de Barra Mansa pedindo uma ação no bairro, mas de combate aos escorpiões, e, como não teria sido atendido, resolveu improvisar um galinheiro.
Os animais, de acordo com alguns moradores, viviam soltos na área, eram alimentados com milho e ração e, à tardinha, recolhidos ao galinheiro. Na petição à Justiça, há fotos das aves soltas e até de algumas carcaças de aves que podem ter sido atropeladas. As imagens, para a Justiça, indicaram uma possível situação de maus-tratos.
Para garantir o reforço da Guarda Ambiental na operação ‘pega-galinha’, a Prefeitura de Barra Mansa acionou uma empresa de controle animal, para ajudar a recolher as aves e dar uma destinação adequada a elas. Mesmo os funcionários desta empresa, que detêm treinamento e técnica em captura de animais domésticos e silvestres, levaram um banho no recolhimento das galinhas. A cena, acreditem, é até difícil de se descrever, mas de um lado estavam guardas armados diante de aves de pouco mais de dois quilos, e do outro, funcionários treinados com redes e cambões nas mãos, deixando várias delas escaparem.
Reação
O episódio, apesar de recente, não parece ter iniciado agora. Há cerca de um mês, o presidente da Associação de Moradores do Nossa Senhora deFátima emitiu uma circular e a distribui no bairro, justificando a presença das galinhas no local. No documento, ele disse que “os galináceos são de comum acordo com todos os moradores”, servem para “controle de pragas como escorpiões e aranhas” e que os animais “não têm dono e não possuem domicílio”. Em seguida, comentou que elas foram procriando no bairro e são muito bem-cuidadas. “Esses galináceos (…) não sofrem maus- tratos, não causam mau cheiro e muito pelo contrário, os moradores alimentam e é a alegria nos passeios das crianças do bairro”, justificou.

