Usuários negros enfrentam taxas mais altas de rejeição em aplicativos de namoro, segundo levantamento realizado em junho pelo aplicativo Denga Love. O estudo mostra que 45% das conversas nesses ambientes são superficiais e 30% se encerram já no primeiro dia, evidenciando um padrão de exclusão afetiva que amplia os riscos de solidão e de impactos à saúde mental. A discussão ganha relevância no Setembro Amarelo, mês de prevenção ao suicídio, em um cenário em que a taxa de mortalidade por suicídio entre jovens negros cresceu 12% na última década no Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde.
Para Fillipe Dornelas, especialista em inteligência artificial e cofundador do Denga Love, o fenômeno revela um problema estrutural. “Para muitas pessoas, pode parecer apenas rejeição amorosa. Mas, para usuários negros, é a repetição de um padrão de exclusão que mina a autoestima e aumenta riscos de sofrimento emocional”, afirma. Criado em 2023, o Denga Love foi desenvolvido para enfrentar esse cenário, oferecendo um ambiente digital seguro e representativo para a comunidade preta. A plataforma aposta em recursos que incentivam conversas consistentes, moderação ativa contra casos de racismo e valorização da identidade cultural negra.
Segundo Barbara Brito, designer e cofundadora do aplicativo, essa proposta contrasta diretamente com a lógica predominante: “Os aplicativos convencionais são construídos sobre a lógica da rolagem infinita e da gamificação, em que perfis se acumulam em longas listas e cada interação vira um número descartável. Para pessoas negras, esse modelo intensifica uma sensação de invisibilidade que já existe fora das telas”, afirma.
No contexto brasileiro, a necessidade de iniciativas do tipo é reforçada por dados do IBGE, que apontam as mulheres negras entre as que menos se casam, e por registros da , que contabilizaram mais de 12 mil denúncias de racismo em plataformas digitais em 2024. Estudos internacionais também reforçam esse padrão. Pesquisadores da Universidade de Cornell (EUA) identificaram que pessoas negras têm menos chances de receber respostas positivas em aplicativos de namoro, mesmo quando seus perfis apresentam características semelhantes aos de pessoas brancas. Esse fenômeno, quando associado a padrões de exclusão afetiva, pode ter efeitos duradouros sobre a saúde emocional.
De acordo com Nicollas Rosa de Souza, psicólogo e fundador da BRAPSI, plataforma digital especializada em educação em psicologia e saúde mental, os impactos precisam ser discutidos de forma ampla. “O racismo e a exclusão afetiva não são apenas experiências individuais, mas fenômenos estruturais que impactam diretamente a saúde mental. Quando o afeto é negado ou condicionado por estereótipos, isso pode resultar em sofrimento psicológico, ansiedade e até ideação suicida”, explica.
Neste Setembro Amarelo, especialistas destacam que a prevenção ao suicídio passa também pelo enfrentamento ao racismo e pela valorização de espaços afetivos seguros. Como resume Dornelas, “falar de saúde mental sem incluir a pauta do racismo afetivo é ignorar uma dimensão fundamental do sofrimento vivido pela população negra”, finaliza.
Sobre o Denga Love
O Denga Love é um aplicativo de relacionamento voltado para a comunidade negra, com mais de 200 mil pessoas cadastradas e mais de 10 milhões de conexões realizadas. Lançado em 2022, o aplicativo tem como missão proporcionar um ambiente seguro e acolhedor para que pessoas negras possam encontrar relacionamentos significativos e duradouros. Com funcionalidades inovadoras e uma abordagem centrada na valorização da cultura afro-brasileira, o Denga Love se destaca como uma plataforma inclusiva e empoderadora para a comunidade negra. Para mais informações, acesse: www.instagram.com/ denga.love.

