Sem apoio

0
1139
Screenshot


Por Mateus Gusmão 

Não é de hoje que os guardas municipais de Volta Redonda reclamam do sucateamento da corporação por conta do fortalecimento da secretaria de Ordem Pública. Segundo GMs ouvidos pela reportagem, enquanto os agentes da Semop aparecem nas operações bem vestidos, de uniforme novo, e empossantes carros zero km; do outro, os guardas se vêm obrigados a trabalhar com armamento antigo, viaturas em condições precárias e uniformes surrados. Sem contar alimentação que lhes é servida: de má qualidade.

Nas redes sociais, um perfil foi criado por algunsguardas municipais para fazer denúncias e divulgar operações da GM. A página tem o nome de Polícia Municipal em Foco. Em contato com o aQui, eles – que não se identificam com medo de represálias –  explicaram que diversos carros da frota da corporação estão em péssimas condições.

“As viaturas Oroch estão sucateadas. Os agentes que deveriam realizar a patrulha estão obrigados a ficar a pé, e o Comando junto com o secretário de Ordem Pública boicotam sistematicamente a Guarda Municipal de Volta Redonda. Isso vai totalmente contra a decisão do STF, que determina que cabe às Guardas Municipais realizarem o policiamento ostensivo e comunitário no município”, denunciam.

Tem mais. Segundo eles, ainda existem viaturas do modelo Yaris, só que os agentes da GM supostamentenão podem usar. “Elas ficam restritas apenas para programas exclusivos da Ordem Pública. Inclusive, já encaminhamos denúncias ao MPRJ e ao MPT. É desumano deixar agentes na rua a pé por turnos de 12 horas, sem nenhuma condição mínima de trabalho”, pontuaram.

O sentimento da corporação é de que eles estão sendo, digamos, deixados de lado. “Por exemplo, os agentes da SEMOP têm acesso ao módulo de alarmes e notificações do sistema Sentry, enquanto nós, da Guarda Municipal, somos excluídos. Isso significa que alertas importantes — como mandados de prisão, veículos roubados ou furtados — não chegam em tempo real para a gente. E o pior: o nosso comandante não faz nada sobre isso. Até civis, inacreditavelmente, têm acesso ao sistema, enquanto nós somos ignorados”, completaram.

Uma diferença entre os agentes da Semop e a Guarda Municipal é que os GMs podem trabalhar armados sejá tiverem passado por treinamento e avaliação psicológica. Os da Semop não. O detalhe é que as armas – a maioria doada anos atrás -já estão quase obsoletas. “Estamos trabalhando com armas usadas. Não recebemos armamento novo, enquanto a Semopcontinua ganhando recursos e privilégios. É desanimador e evidencia o descaso com quem realmente está na linha de frente”, opinaram.

A secretaria de Ordem Pública de Volta Redonda foi criada em 2021, pelo prefeito Neto, para acomodar o coronel Luiz Henrique, que estava atuando como comandante de um Batalhão da Polícia Militar, em Campos. Desde então, dizem os guardas, há um enfraquecimento da GM.  “Enquanto a Semop cresce e acumula vantagens, nós continuamos sucateados: sem viaturas, sem acesso a sistemas, com armas antigas e sem qualquer avanço no nosso armamento. É uma vergonha. E os vereadores? Até quando vão fechar os olhos para esse absurdo? Quem protege a população quando a própria Guarda Municipal é tratada assim?”, indagam.

Abuso de autoridade

O leitor Uanderson Rebula de Oliveira fez questão dedenunciar o estacionamento irregular de um carro da GM e a má conservação do veículo que estava com a placa ilegível, o que é considerado infração gravíssima. Segundo ele, o caso aconteceu na quarta, 10, às 17h30min. A foto registrada por ele, mostra o veículo Gol da Patrulha do Idoso estacionado em cima da calçada.

“É inadmissível que um veículo destinado à fiscalização de trânsito esteja cometendo infrações. A população espera das autoridades públicas condutas exemplares, e não desvios de comportamento que prejudicam a confiança na fiscalização. Cabe destacar que o artigo 37 da Constituição Federal determina que a Administração Pública deve obedecer aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência”, comentou em e-mail ao aQui.
“Quando o próprio poder público viola regras que deveria fiscalizar, instala-se o descrédito social e o enfraquecimento da autoridade da lei. Por isso, é essencial que essa ocorrência seja devidamente apurada e que providências concretas sejam adotadas, garantindo transparência, ética e respeito à legalidade, sem exceções”, completou.

Semop proíbe que agentes andem armados – box

O polêmico secretário de Ordem Pública de Volta Redonda, coronel Luiz Henrique, antes de sair de férias, assinou uma portaria regulamentando as ações dos agentes civis da Semop. Estaria cumprindo recomendações do MP. Entre elas, a de que os agentes civis da pasta estariam “terminantemente proibidos” de trabalharem portando armas de fogo, de realizar abordagens a pessoas físicas e a veículos eainda utilizarem viaturas para assuntos não pertinentes ao serviço.

Pelo o que o aQui apurou, os agentes da Semop serãoagora apenas “figurantes” das operações da pasta, servindo como motoristas, por exemplo, em ações de abordagem feitas por PMs.

Os agentes civis da Semop deverão cumprir fielmente as ordens dadas pelo titular da secretaria – ele próprio, Luiz Henrique. Outra que chama atenção é que os agentes deverão sempre agir com cordialidade com o público externo. Já não devia ser assim?


Minicidade do Trânsito é modelo para outras cidades

A Minicidade do Trânsito de Volta Redonda virou modelo de educação e cidadania no Sul Fluminense. Na quarta, 10, o espaço recebeu a visita do secretário de Ordem Pública de Itatiaia, Jarbas Junior, acompanhado de alunos e da direção da Escola Municipal Maria José de Aquino.
Também participaram da visita o subcomandante da Guarda Municipal de Itatiaia, Rodrigo Amorim, além de representantes do Departamento de Trânsito e da Coordenação Municipal de Educação Infantil, entre outros. O objetivo foi conhecer de perto o funcionamento do projeto e avaliar a possibilidade de replicá-lo em Itatiaia.
Criada para ensinar noções de cidadania e segurança e respeito às leis de trânsito às crianças, de forma lúdica e prática, a Minicidade reproduz um sistema viário urbano, com semáforos, faixas de pedestres e sinalização, proporcionando uma experiência prática para educação e inclusão social.
O subsecretário de Ordem Pública de Volta Redonda, Amauri Pego, disse que a visita demonstra o sucesso do projeto. “A Minicidade do Trânsito é um investimento no futuro. Quando ensinamos nossas crianças a importância da responsabilidade e do respeito no trânsito, estamos formando cidadãos mais conscientes. Ficamos felizes em ver que o projeto tem servido de inspiração para outras cidades da região. A lei mais eficiente no trânsito é a educação e é isso que temos trabalhado diariamente em Volta Redonda”, destacou.
Visitas à Minicidade do Trânsito podem ser agendadas pelo telefone (24) 99290-7177 (WhatsApp). Os atendimentos ocorrem de segunda a sexta, nos períodos matutino e vespertino.