Há 84 anos, quando foi criada, a CSN não imaginava que teria, principalmente depois de privatizada, problemas com a população de Volta Redonda por conta da poluição do pó preto e da escória de alto-forno gerados na produção do aço. Pois bem, os dois problemas parecem estar perto do fim. Primeiro, por conta dos equipamentos que estão sendo instalados para controlar a emissão do pó preto na UPV. E, segundo, pela descoberta de um novo uso para a escória que se acumula no Brasilândia, ao lado do Rio Paraíba.
É que a CSN protocolou junto ao Ministério da Agricultura um pedido de aprovação para utilização, como corretivo agrícola, de um produto desenvolvido a partir do agregado siderúrgico – coproduto gerado pelo refinamento da escória de aciaria. Diversos estudos no Brasil e no exterior já apontam a eficácia do material na correção da acidez do solo e no fornecimento de nutrientes essenciais às lavouras. O uso da escória como corretivo agrícola já foi aprovado pelo Inea (Instituto Estadual do Meio Ambiente). O órgão, inclusive, postou um vídeo nas redes sociais dando conta da grande novidade.
Correção do solo
Pesquisas da Embrapa, por exemplo, e de universidades brasileiras indicam que o agregado siderúrgico pode substituir, em parte, o calcário, com efeito residual mais duradouro e sem riscos ambientais relevantes. “Ensaios em culturas como cana-de-açúcar, milho, feijão e arroz demonstraram ganhos de produtividade, maior saturação por bases e melhor absorção de cálcio, magnésio e silício. Um estudo realizado em Minas Gerais mostrou ainda que o material atende aos requisitos legais para enquadramento como corretivo agrícola”, relata uma fonte do meio siderúrgico.
No exterior, segundo ela, revisões científicas confirmam que o agregado siderúrgico tem potencial para recuperar solos degradados e elevar a produtividade de culturas como café e soja. “O aproveitamento agrícola do agregado siderúrgico já é realidade em vários países. No Japão, fertilizantes à base de escória são regulamento pela Lei de Controle de Fertilizantes e aplicados em larga escala em arrozais, com aumento comprovado de produtividade e melhoria do pH do solo. Na China, pesquisas de campo também mostram ganhos consistentes no cultivo do arroz, incluindo maior crescimento das plantas e redução da absorção de metais pesados, como o cádmio, pelos grãos”, detalha.
Nos Estados Unidos, diz a fonte, especialmente na Flórida, o silicato de cálcio obtido da escória é recomendado oficialmente para a cana-de-açúcar, atuando como fonte de silício e corretivo de acidez em solos orgânicos e minerais. “A prática, consolidada em recomendações técnicas, vem sendo associada ao aumento da resistência da planta a pragas e à melhoria da produtividade agrícola”. Paralelamente ao pedido no Ministério da Agricultura, a CSN segue intensificando a movimentação e o reapro- veitamento do agregado siderúrgico no Pátio de Beneficiamento, localizado no Brasilândia. De agosto de 2020 a julho de 2025, foram movimentadas externamente 4,5 milhões de toneladas, das quais cerca de 895 mil efetivamente retira-das do estoque e reutilizadas em aplicações como pavimentação, terraplanagem e lastro ferroviário.
Para aumentar a eficiência, a empresa instalou uma segunda planta separadora modular, ampliando a recuperação de sucata metálica reintegrada à Usina Presidente Vargas e reduzindo a necessidade de estocagem. Novos britadores e separadores granulométricos também estão em fase de testes, com expectativas de ganhos operacionais, menor consumo de energia e eliminação de emissões atmosféricas. Tem mais. Estudos independentes confirmam a estabilidade do pátio de estocagem, sem registros de instabilidade em mais de 30 anos de operação. Monitoramentos mensais feitos pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea) reforçam que o agregado siderúrgico não é classificado como resíduo tóxico e pode ser empregado em soluções sustentáveis – entre elas, a correção do pH do solo e aplicações agrícolas inovadoras.

