Levantamento do aQui mostra os gargalos no trânsito de Volta Redonda

0
1287

Passar pela Ponte Alta exige paciência dos motoristas

Na quarta, 30, com a presença do governador Cláudio Castro, o prefeito Neto inaugurou, oficialmente, o viaduto que liga os bairros Voldac e Niterói – batizado com o nome do empresário Porfírio Almeida. A obra, que custou cerca de …. milhões, é a primeira das três obras previstas no Plano de Mobilidade Urbana de Volta Redonda – as duas outras são a construção de uma nova ponte sobre o Rio Paraíba e a alça de ligação ….

 ?Depois de prontas e entregues, se elas vão atender às necessidades dos motoristas, isso é outra história.Esperamos que sim. Mas, com certeza, o dinheiro investido nas três obras daria para resolver, em definitivo, dezenas de problemas existentes que atravancam a área urbana do município. Problemas de pequeno, médio e grande porte. Problemas que a secretaria de Transporte e Mobilidade Urbana, comandada há anos por Paulo Barenco, tido por Neto como “o cara que mais entende de trânsito em Volta Redonda” simplesmente não consegue – ou não quer – resolver. “Cabeça dura”, dizem a seu respeito. “Não obedece nem ao prefeito”, exageram seus críticos.
?A verdade é que Barenco é uma unanimidade. Só Neto gosta dele, tanto que sua cabeça é uma das mais pedidas. “É preciso alternar o comando da SMTU”, sentencia o vereador Renan Cury, referindo-se à Secretaria de Transporte. “Em minha opinião, o planejamento da STMU não condiz com o tamanho da nossa cidade”, confirma Luciano Mineirinho que é franco ao analisar a questão dos gargalos existentes na cidade do aço. “Aprefeitura precisa melhorar de forma urgente o trânsito na Avenida Beira Rio e na Ponte Alta”.

Os dois vereadores da bancada governista são alguns dos leitores que responderam à pesquisa feita pelo aQui sobre os gargalos existentes no trânsito de Volta Redonda.A ideia do jornal foi justamente mostrar, às vésperas da inauguração do novo viaduto da Voldac, quais seriam os problemas do dia a dia enfrentados pelos motoristas para que Barenco possa encontrar alguma solução para a maioria deles.

Ex-presidente da Câmara de Volta Redonda e pré-candidato a prefeito nas eleições do ano que vem, o vereador Sidney Dinho citou apenas um gargalo, mas que é compartilhado por diversos outros motoristas: “Otrânsito da Ponte Alta”. Eles têm razão. Quem passa pela via com destino a Barra Mansa e, principalmente, quando retorna da cidade vizinha, enfrenta diariamente uma fila interminável de carros. “Já perdi mais de 30 minutos da Rodac (concessionaria de carros) até o sinal da entrada para o bairro….”, disse José Teixeira da Cruz, motorista de ônibus.

Luciano Mineirinho concorda. “Temos que melhorar o trânsito na Ponte Alta”, pontuou. O que os dois não sabem é que o prefeito Neto, e não Barenco, já recusou, por exemplo, a sugestão de transformar a Via Sérgio Braga em mão única sentido Barra Mansa-Volta Redonda, onde a fila de veículos existe a qualquer hora do dia.  “Poderia eliminar o estacionamento em um dos lados da pista eassim o motorista teria três pistas para passar pela área comercial da Ponte Alta e quem fosse para Barra Mansa continuaria usando a pista alternativa (……)”, sugere, indo além. “Era só construir uma rotatória nos limites das duas cidades para que os motoristas com destino ao comércio da Ponte Alta e os próprios ônibus fizessem o retorno”, detalhou. “Poderia acabar até com aquela rodoviária de meia tigela”, ironizou, pedindo para não ser identificar.“Tudo ia fluir”, disparou.

Acesso na BR atrapalha trânsito em direção a Barra do Piraí

Empresário do setor de peças para automóveis no Retiro, Edmilson Alvarenga, listou cinco gargalos que enfrenta diariamente no trânsito de Volta Redonda.  “Na subida para o Laranjal passando por aquela rua da igreja que fica perto da rodoviária. Podiam acabar com o estacionamento de um lado e colocar um espelho parabólico no final da rua”, sugeriu, referindo-se à RuaAssembleia de Deus.

Alvarenga, inclusive, dá a sugestão de também eliminar o estacionamento de veículos em uma via de grande circulação do município. “Se acabarem com o estacionamento do lado direito da Avenida Lucas Evangelista até o semáforo em frente à Polícia Civil, o trânsito vai melhorar”, aposta. “Coisa simples de fazer”, dispara. E sem custos com obras, é bom que se diga.
?Ele foi além. Sugere que a prefeitura de Volta Redonda crie uma rotatória na entrada do bairro AeroClube com a Radial Leste. E, a última sugestão, que Barenco instale mais um espelho, agora na entrada daÁgua Limpa. “Podiam instalar um espelho parabólico naquela subida para a Água Limpa quando você está indo pela radial e passa por baixo da Lúcio Meira (ver foto)”, disse. “Também é uma coisa simples de fazer”, encerrou. Outro leitor que prefere não ser identificado, por ter ligações com o Palácio 17 de Julho, listou vários gargalos no trânsito local, a começar pelos problemas que enfrenta no Retiro, onde mora. “Na Avenida Sávio Gama, a prefeitura poderia adotar três soluções: A primeira émandar retirar os quebra-molas, substituindo-os por radar de velocidade; poderia também diminuir as vagas de estacionamento para melhorar a fluidez do trânsito; e implantar semáforos nos cruzamentos onde atualmente não existem”, detalhou. “O trânsito na avenida ficaria muito melhor”, aposta.

Ele também sugeriu que Paulo Barenco melhore o trânsito no Conforto. “A Rua Nossa Senhora da Conceição, antiga Rua 4, poderia ficar com mão única”, disse, aproveitando para apresentar mais duas propostas: “Retirar o estacionamento da Avenida Paulo Erley AlvesAbrantes (que liga Volta Redonda a Pinheiral) para criar mais uma faixa de rolamento”, disse, indo além. “Na Rua Capitão Benedito Lopes Bragança poderiam acabar com o estacionamento da via ou que ela passe a ser em mão única”, disse, referindo-se à principal via que atravessa a São Geraldo, sentido shopping-Avenida Amaral Peixoto.

Uma fonte do aQui, foi categórico ao afirmar que um dos principais gargalos no trânsito da cidade é encontrado nas proximidades do Clube Comercial.  “O gargalo existe na rotatória da Avenida Nossa Senhora das Graças em frente ao Comercial. Nos horários de pico é insuportável a disputa dos carros, pois a rotatória recebe veículos de diversas direções: do Aterrado e da Vila ou da 60 com destino ao Jardim Amália, Jardim Belvedere e shopping; da São Geraldo, Amaral Peixoto e adjacências com destino ao Monte Castelo, Vila e Belvedere e ainda ao shopping”, justificou. “Nunca tem guardas e o espaço é pequeno pra tanto carro”, acrescentou.

O segundo gargalo citado pela fonte, envolve o trânsito na Avenida Amaral Peixoto. “Lá existe estacionamento para táxis e veículos de um lado e pista exclusiva do outro lado, por onde trafegam caminhões, carretas, ônibus, sem contar os carros que invadem a via para pegar a Getúlio Vargas. A avenida também é caminho de ônibus de todos os lados com destino à rodoviáriamunicipal”, detalha. “O trânsito é muito ruim”, sentencia.

Ele lembra ainda que, em breve, Barenco terá mais um gargalo na conta. “Nas proximidades do Sider Shopping não tem estacionamento para carga e descarga!!!Certamente será uma loucura quando todas as lojas estiverem funcionando”, disse lembrando que a expansãodo Sider não prevê aumento da área de estacionamento na área.

Jorge Melhem, que já foi secretário da prefeitura de Volta Redonda e cidades vizinhas, apresentou três sugestões para amelhoria do trânsito na cidade do aço. “1 – Eliminar o gargalo diário de veículos que trafegam na BR-393, sentido Água Limpa, no acesso para transposição da Avenida dos Trabalhadores à Rua Doutor Nelson dos Santos Gonçalves, que constantemente interdita uma das pistas da BR, por meio de construção de uma pista exclusiva para os estes veículos no prolongamento de parte do acostamento próximo ao referido gargalo, com ocupação de parte do canteiro existente e relocação da pista de pedestre. Estudar viabilidade ou outra solução”, iniciou, enviando fotos e até um vídeo.

A segunda sugestão de Melhem passa pela implantação de um sistema de controle de tráfego por semáforos inteligentes que utilizam sensores e inteligência artificial para otimizar o fluxo de veículos e pedestres, ajustando automaticamente o tempo de sinalização de acordo com a demanda real do trânsito permitindo dentre outras vantagens maior fluidez do tráfego na cidade, sobretudo, em locais de retenção de veículos. Exemplo: semáforos existentes ao longo da Avenida Sete de Setembro, no Aterrado, desde a descida do viaduto.

Ele também falou sobre o trânsito da Ponte Alta. “É organizar o fluxo de saída de ônibus no terminal improvisado sob o Elevado Presidente Castelo Branco, na Ponte Alta, que convergem junto aos veículos que descem o referido elevado buscando acesso à Avenida Sérgio Braga nos sentidos Volta Redonda ou Barra Mansa.

E, por último, segundo Jorge Melhem é necessário “empreender campanhas periódicas de “Educação no Trânsito”, nas vias públicas principais do Centro da cidade, com faixas, cartazes, cartilhas e abordagens simpáticas nos semáforos a motoristas e pedestres, bem como divulgação dos conteúdos nas redes sociais”, sugeriu, encerrando sua participação com uma lembrança: “Certa vez ouvi alguém dizer que “uma das formas de se medir a educação de um povo é observar a como as pessoas se comportam no trânsito”. Ele tem toda razão.

Já o arquiteto Ronaldo Alves, ex-secretário de Planejamento e presidente do IPPU-VR, entre outros cargos que já ocupou no Serviço Público, diz que o caos no trânsito local pode ser definido da seguinte forma: “O principal problema do trânsito em Volta Redonda é a falta de organização racional do transporte coletivo. Precisa ordenar o transporte a partir de linhas estruturais com VLT e linhas alimentadoras de bairros, eliminando linhas que se sobrepõe cruzando a cidade em diversos circuitos. Isso causa congestionamentos no centro urbano prejudicando o trânsito. A ordenação racional do transporte coletivo permitirá maior uso deste, evitando o transporte individual e reduzindo veículos na área urbana”, pontuou.“Precisamos estudar a experiência de Curitiba que inovou nesse sentido desde a década de 70 do século passado. Já são 50 anos de atraso nosso”, disparou, lembrando que o ex-prefeito e ex-governador Jaime Lerner foi seu professor de Urbanismo em Brasília, em 1968. “Ele foi o criador desse sistema hoje adotado em diversas cidades do Brasil e até no exterior”, encerrou.