Voto a voto

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Lula e Flávio Bolsonaro ‘disputam na unha’ votos dos eleitores do Sul Fluminense

Walter Barros 

Os eleitores da região se preparam para ir às urnas amanhã, domingo, 25, diante da possibilidade de serem o fiel da balança na disputa presidencial. É o que sugerem as últimas pesquisas de intenção de voto, colocando Lula e Flávio Bolsonaro em um empate técnico. Não por acaso, os candidatos usaram as redes sociais nas últimas semanas para tentar conquistar os eleitores do Sul Fluminense, em torno de 900 mil pessoas que podem ser decisivas em uma eventual margem apertada entre os dois presidenciáveis.

Em um vídeo postado nas redes sociais no primeiro turno, o prefeito de Paty do Alferes, Julinho Avelino, ao lado de Flávio Bolsonaro e do governador eleito Douglas Ruas, defendeu a importância de a região ter um presidente, já que Flávio Bolsonaro nasceu em Resende. “O Sul Fluminense vai voar, vai decolar, vai chover investimentos e oportunidades”, emendou o senador, que conquistou em Paty 11.511 votos (62,36% dos votos válidos), ante 5.718 de Lula (30,98%).

Paty do Alferes está incluída na maioria das cidades do Sul Fluminense em que Flávio Bolsonaro venceu no primeiro turno. Entre elas, estão os maiores colégios eleitorais da região – Volta Redonda, Barra Mansa e Angra dos Reis, onde o senador conquistou 82.586 (50,06%), 52.367 (52,38%) e 62.802 votos (62,17%), respectivamente.

O deputado federal eleito Diogo Balieiro – outro empolgado com o senador do PL, que obteve 43.226 votos (59,81%) em Resende no primeiro turno – disse em entrevista a uma rádio que “Flávio Bolsonaro conhece de perto o Sul Fluminense”. O que, segundo o futuro parlamentar, pode ser um facilitador na hora de buscar recursos para a região. “Não preciso dizer onde é Barra Mansa. Se eu precisar de um recurso para tal obra em Resende, ele sabe como é. Volta Redonda, Pinheiral, Barra do Piraí, Piraí: ele viveu a nossa região em toda sua trajetória política”, argumentou.

A resposta de Lula surgiu em um vídeo impulsionado nas redes sociais, direcionado aos eleitores da região. “Meus amigos, minhas amigas do Sul Fluminense, de Volta Redonda, de Angra dos Reis e de Barra Mansa, eu queria que vocês meditassem um pouco agora. Vocês sabem o que está acontecendo de investimentos do governo federal nessa região, vocês estão acompanhando a duplicação da Serra das Araras, o crescimento do Porto de Itaguaí, a recuperação da indústria naval”, lembrou.

Outra aposta de Lula reside sobre os eleitores que se abstiveram de votar no primeiro turno. Foram 33,4 milhões de pessoas em todo o país que não compareceram às urnas, o que representou 20,9% dos eleitores aptos a votar, segundo dados do TSE. No Sul Fluminense, o não comparecimento chegou a 23%, fora os votos brancos e nulos.

Na última semana, o Datafolha divulgou uma pesquisa apontando que 96% dos eleitores pretendem ir às urnas no segundo turno, além de 3% indecisos e 1% decididos a não votar. A se confirmar a parcela majoritária, o comparecimento de eleitores do Sul Fluminense pode ser aproximadamente 17% maior no segundo turno, o que representa cerca de 153 mil pessoas.

 

‘Vovó vota’

Em um cenário extremamente polarizado e apertado, os rumos do Brasil também podem estar nas mãos daqueles que não são obrigados a votar, mas decidiram ir às urnas: os eleitores com mais de 70 anos. É o que mostra um levantamento do ‘Movimento Voto 70+’, iniciativa apartidária da sociedade civil que defende a participação política dos idosos, apontando que a abstenção no primeiro turno caiu quase 10% entre os eleitores dessa faixa etária.

De acordo com os dados do TSE, 49,1% dos eleitores 70+ se abstiveram de votar no primeiro turno, ante 58,8% registrados em 2022. A redução ocorreu em um cenário de expansão do eleitorado de mais de 70 anos, que passou de 14,9 milhões, em 2022, para 17,2 milhões de pessoas aptas a votar em 2026. Em entrevista à Agência Brasil, a idealizadora do ‘Movimento Voto 70+’, Cléa Klouri, explicou que o aumento do comparecimento representa um avanço importante, porque é sinal de que o envelhecimento não significa afastamento da vida política. “Estamos falando de uma geração que ajudou a construir o país e que continua tendo muito a contribuir para as decisões sobre o próprio futuro”, pontuou. 

Para entender o que está por trás do não comparecimento dessa faixa etária, o ‘Movimento Voto 70+’ conduziu a pesquisa exploratória ‘Retratos do Voto 70+: descobertas sobre a abstenção eleitoral’. Segundo Adriana de Queiroz, o estudo identificou três perfis entre os eleitores 70+ que deixariam de votar ou não tinham certeza se iriam comparecer às eleições de 2026: o eleitor com “baixa autoestima política”, que acredita que seu voto não faz diferença; o eleitor que considera que o resultado da eleição já não terá impacto sobre sua vida; o eleitor que deseja votar, mas enfrenta barreiras físicas, como filas, distância do local de votação ou dependência de terceiros para se deslocar até a zona eleitoral.