Voo de galinha

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Abstenção recorde ‘corta asas’ de candidatos não eleitos da região

Além das cadeiras conquistadas para a Alerj e Câmara dos Deputados, o Sul Fluminense bateu um recorde nas eleições de 2026: o número de abstenções. O percentual superou o recorde nacional, de 21,08%, nível mais alto desde 1998. Na região, o não comparecimento chegou a 23% e teria o potencial de mudar a sorte de candidatos que não conseguiram alçar voos, como Edson Albertassi e Rodrigo Drable, entre outros. 

Volta Redonda

No maior colégio eleitoral da região, com 221.957 eleitores aptos a votar, a candidatura a deputado federal de Rosaldo Madeiras (Avante) foi uma que não decolou. O empresário não passou dos 1.691 votos, sendo 1.356 na Cidade do Aço. Entre os adversários locais no caminho de Madeiras, estavam os suplentes Antônio Furtado (PL) – que obteve em Volta Redonda 17.587 de seus 32.078 votos –, o vereador Rodrigo Furtado (PL) – que recebeu na cidade 6.988, de um total de 9.258 votos – e Zoinho (Republicanos), que conquistou no município 4.697 de seus 5.538 votos.

Outras votações colaboraram para dificultar as candidaturas locais. Uma delas foi a do coronel Luiz Henrique (Avante), que recebeu dos eleitores volta-redondenses 14.770, de seus 18.211 votos. Já o único deputado federal eleito pela região, o ex-prefeito de Resende, Diogo Balieiro (PL), obteve em Volta Redonda 7.678 de seus 102.026 votos.

O ex-deputado estadual Edson Albertassi (MDB) também enfrentou concorrência pesada em sua empreitada de retornar à Alerj. Ele conquistou a 1ª suplência ao arregimentar em Volta Redonda 10.411 de seus 22.576 votos. Acabou prejudicado por traições de ex-aliados e evangélicos e pela votação de dois dos seus adversários diretos, Munir (Solidariedade) e Jari (PSB), que foram reeleitos com respectivos 52.808 votos – 36.485 em Volta Redonda – e 34.199 votos – 26.024 na Cidade do Aço. Já o vereador Raone (PT), outro que ainda pode conquistar uma cadeira na Alerj, recebeu no município 14.721, de seus 28.377 votos.

A abstenção em Volta Redonda poderia numericamente ter mudado a sorte de Albertassi e Furtado, o vereador. De acordo com o TSE, 49.548 eleitores do município (22,32%) deixaram de votar no 1º turno. Além disso, 16.124 pessoas (9,37%) votaram em branco ou nulo para deputado estadual, enquanto 16.763 (9,74%) votaram em branco ou nulo para deputado federal.

Barra Mansa

A candidatura a deputado federal de Bruno Marini (União) também não decolou, já que o empresário do setor de água mineral alcançou a tímida 14ª suplência, com 3.475 votos. Deu água no chope. Do total de 2.434 no município, Diogo Balieiro, por exemplo, conseguiu 11.703 votos. Marini ainda perdeu espaço para candidatos forasteiros, como os reeleitos Lindbergh Farias (PT) e Sóstenes Cavalcante (PL), que obtiveram respectivos 6.336 e 2.788 votos em Barra Mansa.

Na corrida pela Alerj, Marcelo Cabeleireiro (PSD) não conseguiu se reeleger e ficou com a 19ª suplência ao totalizar 10.825 votos, sendo 6.625 em Barra Mansa. Enquanto isso, o ex-prefeito Rodrigo Drable (Solidariedade) chegou à 2ª suplência, com 28.038 votos, sendo 22.188 de eleitores do município. 

Entre os concorrentes regionais, o deputado estadual Gustavo Tutuca (PP), de Piraí, foi reeleito com 56.334 votos, sendo 5.588 obtidos em Barra Mansa. Já o ex-deputado estadual André Corrêa (PSD), de Valença, conquistou novamente uma vaga na Alerj com 65.188 votos, sendo 2.227 no reduto de Drable & Furlani.

A abstenção em Barra Mansa chegou a 28.642 (21,40%) dos 133.855 aptos a votar. Além disso, o município registrou 11.394 votos (10,84%) brancos/nulos para deputado federal e 11.839 votos (11,26%) brancos/nulos para deputado estadual.

Resende

Na terra de Tande & Diogo, a candidatura de Renan Marassi (União) também não conseguiu alçar voo. O ex-vereador ficou na modesta 13ª suplência, com 5.214 votos, sendo 4.511 deles em Resende, onde Balieiro obteve, vejam só, 41.975 votos.

O vice-prefeito, Davi do Esporte (PSD), e o presidente da Câmara, Sandro Ritton (PP), também não obtiveram êxito em suas empreitadas por uma cadeira na Alerj. Davi chegou à 13ª suplência, com 23.961 votos, sendo 18.772 em Resende, enquanto Ritton alcançou a 6ª suplência, com 11.195 votos, sendo 9.374 no município. Entre os forasteiros, Índia Armelau (PL) e Dani Balbi (PC do B) saíram de Resende com respectivos 1.629 e 746 votos e se reelegeram deputadas estaduais.

A abstenção também gritou nas urnas de Resende, onde 98.020 pessoas estão aptas a votar. Nesse caso, 22.484 (22,94%) eleitores não compareceram às urnas. Além disso, Resende contabilizou 4.584 votos (6,07%) brancos/nulos para deputado federal e 6.945 votos (9,2%) brancos/nulos para deputado estadual.

Barra do Piraí

Mário Esteves (PSDB) foi outro que fracassou e ficou com a 15ª suplência em sua candidatura a deputado federal, apresentada como única de Barra do Piraí, onde o ex-prefeito conquistou 7.253 de seus 8.359 votos. Entre os concorrentes, o reeleito Áureo (Solidariedade) se destacou e saiu do município com 6.497 votos.

A abstenção também falou alto em Barra do Piraí, mas numericamente insuficiente para que Esteves saísse vitorioso. Nesse caso, 16.505 (23,81%) dos 69.309 eleitores aptos a votar não foram às urnas. Já os votos brancos/nulos totalizaram 4.958 (9,39%) para deputado federal e 5.641 (10,68%) para deputado estadual.

Angra dos Reis

O casal Fernando (MDB) e Célia Jordão (PSD) morreu na praia, politicamente. No caso do ex-prefeito que sonhava voltar a Brasília, foram 15.702 votos em Angra e 25.066 no estado, que deram a Fernando Jordão a 3ª suplência. Já a deputada estadual que buscava a reeleição ficou com a tímida 11ª suplência ao conquistar 24.102 votos, 13.193 deles em Angra.

Entre os adversários locais no caminho do casal Jordão, Renato Araújo (PL) foi o campeão de votos para deputado federal na cidade litorânea, onde o 5º suplente obteve 27.436 de seus 48.709 votos. Enquanto isso, Jorginho Brum (PRD) abarcou em Angra 20.799 de um total de 28.396 para deputado estadual, conquistando a 3ª suplência. Já a abstenção chegou a 31.686 (23,16%) dos 136.830 eleitores aptos a votar no município da Costa Verde, onde os votos brancos/nulos totalizaram 9.685 (9,21%) para deputado federal e 9.318 (8,86%) para deputado estadual.

‘Ricos x pobres’

A performance dos candidatos do Sul Fluminense pode ser compreendida ainda pelos recursos financeiros das respectivas campanhas e da relação com a quantidade de votos obtidos. Nesse caso, os dados do portal de contas Divulgacand, do TSE, no momento desta edição, também revelam a existência de um abismo.

Diogo Balieiro, por exemplo, recebeu R$ 2 milhões do fundo partidário, maior fatia de um total líquido de R$ 2.130.915,97. O que representou um custo de campanha de R$ 20,88 por voto obtido. Já o aporte do fundo partidário na campanha do Delegado Furtado chegou a R$ 402,1 mil de um total líquido de R$ 421.637,63 (R$ 13,14 por voto). Enquanto isso, Rosaldo Madeiras captou R$ 103 mil (R$ 60,91 por voto). 

Entre os candidatos a deputado estadual da região, Munir Neto captou um total líquido de R$ 418,5 mil (R$ 7,92 por voto); já a campanha de Jari recebeu R$ 160,6 mil (R$ 4,69 por voto) e a de Raone trabalhou com líquidos R$ 301,7 mil (R$ 10,63 por voto). A de Albertassi conseguiu R$ 220,16 mil (R$ 9,75 por voto), a de Rodrigo Drable foi financiada com R$ 360,59 mil (R$ 12,86 por voto) e a de Marcelo Cabeleireiro foi financiada por R$ 168,82 mil (R$ 15,59 por voto).