Sul Fluminense só elegeu um deputado federal e três estaduais
Os eleitos
Com mais de um milhão de votos disponíveis, o Sul Fluminense elegeu apenas um candidato a deputado federal: o ex-prefeito de Resende Diogo Balieiro, com mais de 100 mil votos. Para a Alerj, a região conseguiu reeleger três: Munir Neto, Jari Oliveira e Tutuca. Pode eleger mais um, o vereador Raone, do PT, que aguarda decisão do TSE sobre o recurso impetrado por Renato Machado (ver página 12), petista que foi considerado inelegível pelo TRE/RJ. Se Renato for vitorioso, Raone fica de fora. Caso contrário, Raone será chamado a assumir o mandato na Alerj.
Nesta edição, o aQui mostra como os eleitos reagiram à vitória nas urnas, à exceção do petista Raone, que foi procurado pelo jornal, mas não respondeu às perguntas do aQui até o fechamento desta edição.
Diogo Balieiro – eleito deputado federal pelo PL, com 102.026 votos
aQui: Em algum momento da campanha o senhor chegou a temer pelo pior, não se eleger? Por quê?
Diogo Balieiro: Toda eleição traz incertezas, e eu sabia que seria uma disputa desafiadora. Mas a receptividade nas ruas, em cada cidade que percorremos, e, também, nas redes sociais, reforçava nossa confiança e mostrava o desejo das pessoas de fortalecer a voz da nossa região em Brasília. Nunca tratei a vitória como garantida. Trabalhei até o último dia, conversando até o último minuto que pude, apresentando o nosso trabalho e respeitando a decisão dos eleitores.
aQui: Como foi a votação obtida pelo senhor nas cidades da região? Qual foi surpreendente? Alguma o decepcionou? Onde esperava ter mais votos?
Diogo: Tivemos uma votação muito expressiva. Lideramos em Resende, Itatiaia, Porto Real, Quatis e também em Barra Mansa, além de um resultado importante em Volta Redonda. Barra Mansa foi uma surpresa muito positiva, e a votação na capital também merece destaque. Acredito que parte desse apoio venha dos anos em que morei no Rio como estudante e médico recém-formado, das amizades que construí e dos colegas da oftalmologia e de outras áreas da medicina, que votaram em mim. Amigos de Resende que acompanharam nosso trabalho também pediram votos na capital. Quase 40% dos nossos 102.026 votos vieram de fora das Agulhas Negras, mostrando que nossa proposta de representação regional ganhou força e alcançou outras partes do estado. Não vejo nenhuma cidade com decepção. Trabalhamos para conquistar cada voto, e sou grato pela confiança recebida, que reforça minha responsabilidade de trabalhar por todos.
aQui: Quais são as propostas que o senhor vai apresentar a partir de 2027?
Diogo: Quero levar minha experiência como médico e ex-prefeito para fortalecer a voz da nossa região em Brasília. A saúde será prioridade, com a busca de recursos para ampliar o acesso a consultas, exames, cirurgias e serviços de alta complexidade. Também vou defender hospitais veterinários regionais, investimentos na educação e na inclusão das pessoas com autismo, além de melhorias na segurança pública e na infraestrutura. O compromisso é trabalhar em parceria com os municípios para transformar essas propostas em resultados para a população.
aQui: O somatório dos votos indecisos com os dados a forasteiros daria para eleger, pelo menos, uns 3 ou 4 candidatos à Câmara e mais uns 4 ou 5 para a Alerj. Qual seria a saída para evitar esse desperdício nas próximas eleições?
Diogo: O eleitor tem liberdade para escolher, e todo voto merece respeito. Para fortalecer nossa representação, precisamos construir um projeto regional e manter presença constante nas cidades, vivendo seu dia a dia, ouvindo as pessoas e conhecendo suas necessidades, como sempre procurei fazer. Essa convivência permite defender as prioridades da região em Brasília e na Alerj. A confiança se conquista com presença, muito trabalho e resultados durante todo o mandato.
aQui: Para o futuro, quais são os seus planos? Candidatar-se a prefeito em 2028? Lançar alguém do seu grupo? Quem?
Diogo: Meu compromisso é cumprir os quatro anos do mandato de deputado federal, trabalhando por nossa região. Em 2028, participarei ativamente das eleições, apoiando lideranças e projetos comprometidos com o futuro das nossas cidades. A definição de nomes será construída com diálogo, respeitando a realidade de cada município. Agora, minha prioridade é honrar a confiança dos eleitores e preparar um mandato de presença e resultados.
aQui: Flávio Bolsonaro ou Lula? Justifique.
Diogo: Com certeza, Flávio Bolsonaro. Acredito que ele está preparado para esse desafio. O Brasil precisa de um novo caminho, com uma política econômica que estimule investimentos, gere empregos e preserve o poder de compra das famílias. Além disso, Flávio é filho de Resende. Com sua eleição à Presidência, Brasília terá dois representantes com raízes na nossa cidade, cada um em sua função, empenhados em ampliar os investimentos e construir um futuro melhor para Resende e toda a nossa região.
Jari Oliveira – Reeleito deputado estadual pelo PSB, com 34.199 votos

aQui: Em algum momento da campanha, o senhor chegou a temer pelo pior, não se eleger? Por quê?
Jari: Primeiramente, quero agradecer a cada eleitor e a cada eleitora que nos ajudaram a conquistar essa reeleição tão importante. Trabalhamos muito durante os quatro anos de mandato e também nos 49 dias de campanha. Fizemos a nossa parte e deixamos o resultado nas mãos de Deus e do eleitor. Não chegamos a temer o pior, mas, graças a Deus, deu tudo certo. Agora vamos seguir trabalhando pelo Rio de Janeiro, fazendo política do jeito que sabemos fazer: perto da população, ouvindo as pessoas e com independência para lutar por melhores serviços para a população.
aQui: Como foi a votação obtida pelo senhor nas cidades da região? Qual foi surpreendente? Alguma o decepcionou? Onde esperava ter mais votos?
Jari: Tivemos a votação que esperávamos e que muitas pesquisas já indicavam. Foram cerca de 26 mil votos em Volta Redonda e outros 8 mil nas demais cidades, com destaque para Barra Mansa e Pinheiral. Ficamos muito felizes com esse resultado. Fizemos uma campanha humilde, sem grandes recursos partidários, mas com muito pé no chão, presença nas ruas e conversa com a população. Agradeço a cada pessoa que confiou no nosso trabalho e vamos seguir trabalhando muito.
aQui: Quais são as propostas que o senhor vai apresentar a partir de 2027?
Jari: Nossa proposta é seguir trabalhando perto da população, como fazemos com o ‘Deputado na sua Cidade’, que é um projeto de aproximação e diálogo permanente com as pessoas. Temos projetos importantes para tirar do papel. Um deles é a isenção de IPVA para motocicletas de até 170 cilindradas, proposta protocolada pelo nosso mandato na Alerj. Também vamos lutar pela ampliação dos serviços do Hospital Regional Zilda Arns, incluindo a criação dos institutos de Cérebro, Cardiologia e Oncologia. Outro grande objetivo é conseguir a implantação do Bilhete Único Intermunicipal para a nossa região.
aQui: O somatório dos votos indecisos com os dados a forasteiros daria para eleger, pelo menos, uns 3 ou 4 candidatos à Câmara e mais uns 4 ou 5 para a Alerj. Qual seria a saída para evitar esse desperdício nas próximas eleições?
Jari: Isso acontece em praticamente toda eleição e faz parte da dinâmica de uma eleição proporcional. O importante é que nossa região conseguiu ampliar sua bancada na Alerj e na Câmara Federal, o que considero positivo para o Sul Fluminense. Acho que precisamos continuar discutindo a importância de a população conhecer e valorizar quem tem atuação e compromisso com a nossa região.
aQui: Para o futuro, quais são os seus planos? Candidatar-se a prefeito em 2028? Lançar alguém do seu grupo? Quem?
Jari: 2028 ainda está muito longe. Temos muito trabalho pela frente antes de pensar na próxima eleição. Neste momento, minha prioridade é cumprir o mandato e honrar a confiança que recebemos nas urnas. Mas uma coisa é certa: queremos discutir o futuro de Volta Redonda e continuar participando desse debate, sempre pensando no que é melhor para a nossa cidade e para a população.
aQui: Flávio Bolsonaro ou Lula? Justifique.
Jari: Sou do PSB, partido que integra a base do atual governo e que tem entre suas principais lideranças o vice-presidente, Geraldo Alckmin. Eu vou votar novamente no presidente Lula. Tenho uma relação política e partidária com esse campo e, por isso, meu voto será no Lula.
Munir Neto – Reeleito deputado estadual pelo Solidariedade, com 52.807 votos

aQui: Em algum momento da campanha, o senhor chegou a temer pelo pior, não se eleger? Por quê?
Munir Neto: Tinha muita confiança do reconhecimento do trabalho que fizemos nos últimos quatro anos. Graças a muito empenho e muita articulação, conseguimos unir prefeitos e governo do Estado para trazer muitos benefícios para região. A Estrada Roma x Getulândia, o Batalhão de Cães, o programa ‘Segurança Presente’, equipamentos nas unidades de saúde. Tinha o que mostrar!
aQui: Como foi a votação obtida pelo senhor nas cidades da região? Qual foi surpreendente? Alguma o decepcionou? Onde esperava ter mais votos?
Munir: Na última eleição eu fiz 37 mil votos no geral. Nesta, saí de Volta Redonda praticamente com isso. Fizemos muito bonito em Volta Redonda, onde pela segunda vez fui o parlamentar mais votado em todo o pleito. Aumentamos a votação de 2022 para cá na cidade em geral. Ainda tivemos votos em praticamente todos os municípios do nosso estado. Sou grato por cada voto, mas é lógico que ajustes são feitos ao longo do mandato. No geral, o panorama foi bom. Barra Mansa me deu uma grande votação também.
aQui: Quais são as propostas que o senhor vai apresentar a partir de 2027?
Munir: Quero ajudar a tornar realidade o GAM (Grupamento Aeromóvel) da Polícia Militar, o Batalhão Ambiental, ampliar o ‘Segurança Presente’. Vamos inaugurar o Hospital Veterinário Regional, a expansão do Hospital São João Batista. No campo das leis, queremos implantar o Estatuto dos Motoboys e vamos seguir lutando pelos direitos dos raros, dos idosos, das crianças e adolescentes. Sobretudo, vamos defender aqueles que mais precisam.
aQui: O somatório dos votos indecisos com os dados a forasteiros daria para eleger, pelo menos, uns 3 ou 4 candidatos à Câmara e mais uns 4 ou 5 para a Alerj. Qual seria a saída para evitar esse desperdício nas próximas eleições?
Munir: Esse movimento faz parte da democracia. Acho desperdício quando se vota em alguém que nada fez pela região, mas mesmo isso faz parte da democracia.
aQui: Para o futuro, quais são os seus planos? Candidatar-se a prefeito em 2028? Lançar alguém do seu grupo? Quem?
Munir: Vamos aguardar agora! Temos no prefeito Neto um grande líder, bem avaliado e com a experiência necessária para nos ajudar a tomar as decisões que se seguirão. Pelo posicionamento do governo e pelas votações que tivemos nas últimas eleições, o crescimento, acho difícil não ter um candidato representando esse legado.
aQui: Flávio Bolsonaro ou Lula? Justifique.
Munir: não respondeu
Gustavo Tutuca – Reeleito deputado estadual pelo PP, com 56.334 votos

aQui: Em algum momento da campanha, o senhor chegou a temer pelo pior, não se eleger? Por quê?
Gustavo Tutuca: Claro que toda eleição traz ansiedade. Ninguém pode entrar numa campanha achando que o resultado está garantido, e eu sempre respeitei muito o eleitor. Mas tínhamos confiança no trabalho construído ao longo desses anos e na relação que mantemos com os municípios. Fizemos uma campanha limpa, de muita rua, prestação de contas e conversa com as pessoas. Quando veio o resultado, foi uma alegria enorme receber novamente essa confiança e chegar ao quinto mandato consecutivo.
aQui: Qual foi a votação obtida pelo senhor nas cidades da região? Qual a surpreendeu? Alguma o decepcionou? Onde esperava ter mais votos?
Tutuca: Nós tivemos voto em 91 dos 92 municípios fluminenses. Acho que isso mostra o alcance do nosso trabalho pelo interior do estado. Mas, sem dúvida alguma, o Sul Fluminense mais uma vez teve um peso enorme na nossa eleição. Foram mais de 35 mil votos na região, com destaque para Barra Mansa (5.588), Pinheiral (5.427), Barra do Piraí (5.393), Piraí (4.326) e Volta Redonda (4.206). Também tivemos resultados importantes em Rio Claro, Quatis, Vassouras, onde fui o deputado mais votado entre os eleitos. Não gosto de olhar para um município falando em decepção. Cada voto representa uma pessoa que confiou no nosso trabalho, e isso precisa ser respeitado e valorizado.
aQui: Quais são as propostas que o senhor vai colocar em prática a partir de 2027?
Tutuca: Quero dar continuidade ao trabalho de fortalecimento dos municípios, principalmente nas áreas de turismo, saúde, infraestrutura e desenvolvimento econômico. Entre as prioridades, estão avançar na regionalização da saúde, ampliar a formação profissional de acordo com a vocação econômica de cada região e continuar trabalhando pela atração de empresas e geração de empregos. Também quero avançar em projetos de transparência e acompanhamento do dinheiro público e usar a experiência que acumulei no turismo para continuar desenvolvendo o interior.
aQui: O número de votos indecisos e dados a forasteiros daria para eleger, pelo menos, uns 3 ou 4 candidatos à Câmara e mais uns 4 ou 5 para a Alerj. Qual seria a saída para evitar esse desperdício nas próximas eleições?
Tutuca: Eu não chamaria de desperdício, porque o voto pertence ao eleitor, e toda escolha democrática precisa ser respeitada. Mas é importante que a população conheça quem representa a região, acompanhe o trabalho dos mandatos e entenda a importância de ter representantes próximos aos municípios. Quanto mais deputados comprometidos com o Sul Fluminense, maior é a capacidade da região de defender seus interesses, buscar investimentos e participar das grandes decisões do estado.
aQui: Para o futuro, quais são os seus planos? Candidatar-se a prefeito em 2028? Lançar alguém do seu grupo? Quem?
Tutuca: Acabei de receber a confiança da população para exercer mais quatro anos como deputado estadual e é nisso que estou concentrado. Em 2027, começo meu quinto mandato com muita responsabilidade e ainda há muito trabalho pela frente na Alerj e nos municípios. 2028 será discutido no momento certo, junto com o nosso grupo e com as lideranças de cada cidade. Não acho que seja o momento de antecipar nomes ou candidaturas.
aQui: Jair Bolsonaro ou Lula? Justifique.
Tutuca: Nesta eleição, estou apoiando Flávio Bolsonaro. Acredito que o Brasil precisa de mudanças, e a alternância de poder é uma forma de mudar. Por outro lado, acho que precisamos superar essa lógica de que todo debate político precisa se resumir a dois nomes ou dois lados. A polarização excessiva muitas vezes impede a discussão dos problemas reais do país. O eleitor precisa pesquisar, conhecer trajetórias, comparar propostas e avaliar o que cada candidato efetivamente realizou. Quanto mais informação houver, mais consciente será a escolha.

