Racismo no futebol: buscas por casos como o de Vini Jr disparam no Google

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Por Alcindo Batista

Segundo informações da plataforma Google Trends, que analisa as buscas dos usuários na rede e mostra o que é tendência no momento, nas últimas quatro horas houve um aumento considerável por termos como “casos de racismo no futebol” e “Espanha racista”, que cresceram mais de 250% e 120%, respectivamente. O motivo está no ataque que o jogador Vinícius Júnior, do Real Madrid, sofreu no último domingo em partida contra o Valencia, pelo Campeonato Espanhol.
De acordo com informações do site Ge.globo, o jogador foi chamado de “macaco” por parte de torcida pelos torcedores presentes no estádio Mestalla, casa do time rival. Isso após o atleta, cuja origem é do Flamengo, reclamar do aparecimento de uma segunda bola em campo (a princípio, jogada pela torcida) durante uma jogada que ele realizava. Na ocasião, o Valencia vencia o confronto por 1×0.
A partida foi paralisada por 8 minutos depois que Vini Jr. denunciou o caso e, após com a bola rolando, o goleiro do time adversário partiu pra cima do brasileiro e, no meio do empurra-empurra, o atacante Hugo Duro, também do Valência, deu um mata-leão no jogador do Real Madrid. Na ocasião, para se livrar do ataque, o jogador acabou acertando o rosto do adversário e, minutos depois, o árbitro Burgos Bengoetxea expulsou o jogador brasileiro após uma recomendação do VAR. “O prêmio que os racistas ganharam foi a minha expulsão! Não é futebol, é La Liga”, disse o jogador em um um story no Instagram após o fim da partida, em referência ao slogan da liga espanhola de futebol.

“Não foi a primeira vez, nem a segunda e nem a terceira…”
Após a postagem nos stories, Vinicius Jr. fez uma postagem mais longa na rede social, apontando pela primeira vez a possibilidade de deixar a Espanha por causa dos seguidos casos de racismo. Vale lembrar que, atualmente, o time do Real Madrid conta com outros jogadores negros, mas todas as ofensas até estão tem sido direcionadas para o craque, que teve sua origem nas categorias de base do Flamengo, do Rio de Janeiro.
“Não foi a primeira vez, nem a segunda e nem a terceira. O racismo é o normal na La Liga. O campeonato que já foi de Ronaldinho, Ronaldo, Cristiano e Messi hoje é dos racistas. Uma nação linda, que me acolheu e que amo, mas que aceitou exportar a imagem para o mundo de um país racista. Lamento pelos espanhóis que não concordam, mas hoje, no Brasil, a Espanha é conhecida como um país racista. E, infelizmente, por tudo o que acontece a cada semana, não tenho como defender. Eu concordo. Mas eu sou forte e vou até o fim contra os racistas. Mesmo que longe daqui”, disse o atleta.

Casos semelhantes
1 – Insultos racistas a Marcelo (2011):
Em 2011, o lateral brasileiro Marcelo (hoje no Fluminense, do Rio de Janeiro) foi vítima de racismo na Espanha. De acordo com o jornal “Marca”, a torcida do Barcelona (principal rival no país) pegou no pé do jogador do Real Madrid e imitou barulhos de macaco após o lateral dividir uma bola com Messi (hoje no Paris Saint Germain).
Na época, fazia pouco tempo que Marcelo havia sido vítima de outro episódio de racismo. Desta vez, foi em confronto contra o Atlético de Madrid, pelo Campeonato Espanhol.

2 – Incidente da banana com Dani Alves (2014):
Durante uma partida entre Villarreal e Barcelona, em abril de 2014, um torcedor do Villarreal atirou uma banana em direção ao lateral brasileiro Dani Alves. Em um gesto poderoso, Alves pegou a banana, comeu-a e continuou jogando.
O incidente ganhou ampla cobertura midiática e gerou indignação global. Como consequência, o Villarreal identificou e baniu o torcedor responsável do estádio
por toda a vida, e várias campanhas foram lançadas para combater o racismo no futebol.

3 – Neymar: Pelo Barcelona, jogador ouviu gritou racistas toda vez que pegava na bola (2016) Nessa partida, o atacante brasileiro Neymar, que na época jogava pelo Barcelona, foi alvo de insultos racistas por parte de torcedores do Espanyol. Os gritos racistas foram direcionados a Neymar cada vez que ele tocava na bola, criando um ambiente hostil e ofensivo. Esse incidente provocou indignação tanto dentro quanto fora do campo e recebeu ampla cobertura da mídia. As autoridades esportivas e o Barcelona exigiram uma ação imediata e a aplicação de medidas disciplinares contra os responsáveis.

4 – Brasil x Argentina, no Mineirão, pela Copa América de 2019
Em partida pela semifinal da Copa América de 2019, um torcedor argentino, posteriormente identificado como Anderson Batista, imitou um macaco durante a comemoração do gol do atacante Gabriel Jesus. Como consequência, Anderson foi preso por injúria racial e, visivelmente abalado, chorou bastante e pediu perdão enquanto estava algemado. No entanto, não há informações disponíveis sobre os desdobramentos ou o andamento do caso após a prisão.

5 – Internacional x Corinthians, no Rio Grande do Sul, pelo Campeonato Brasileiro de 2022
Durante o empate em 2 a 2 entre as equipes, em lance próximo à lateral esquerda, o jogador Edenílson, do Internacional, afirmou ter ouvido ofensas racistas por parte do jogador português Rafael Ramos. Que negou o acontecimento.
Depois do confronto, Edenilson registrou boletim de ocorrência na Polícia Civil. No entanto, o laudo pericial do Instituto Geral de Perícias (IGP) do Rio Grande do Sul, não conseguiu identificar a injúria na fala de Rafael.
De acordo com o documento, não foram vistos movimentos compatíveis com a palavra “macaco”. Nas redes sociais – e em campo –, Edenílson protestou contra o resultado da investigação.

Caso Vini Jr: Repercussões
Em entrevista durante entrevista coletiva após o G7, no Japão, o presidente Lula apontou que ‘Não podemos permitir que o fascismo e o racismo tomem conta dentro de um estádio de futebol’, disse. Já Silvio Almeida, ministro dos Direitos Humanos, apontou que “a postura das autoridades espanholas e das entidades que gerem o futebol é criminosa”.
Na Igualdade Racial, a ministra Anielle Franco lamentou esse caso e disse que irá notificar as autoridades espanholas e apontou que “Vamos trabalhar para superar todo o odioso ra-cismo que jogadores brasileiros ainda sofrem dentro e fora dos campos e das quadras”.
Para entender mais sobre esse assunto, confira informações exclusivas sobre o caso Vini Jr. de racismos no futebol no portal Jogo Hoje.

Alcindo Batista é carioca, de 23 anos, jornalista, assessor de imprensa e assessor de SEO. alcindo.batista @searchonedigital.com.br