CSN garante exclusividade para chinesa adquirir Cimenteira
Pollyanna Xavier
A CSN está perto de vender a sua divisão de cimentos e, dessa vez, vem negociando exclusivamente com a chinesa Huaxin Building Materials Group. A exclusividade é temporária e bastante estratégica: vai durar 10 dias e foi concedida porque a empresa asiática apresentou a proposta mais vantajosa na disputa pelo ativo: R$ 12,7 bilhões. O valor teve um adicional de R$ 700 mil, já que, até a semana passada, o ativo vinha sendo negociado a R$ 12 milhões. A negociação faz parte do processo competitivo iniciado em março deste ano e que também teve como interessados o grupo Votorantim, em parceria com a italiana Cementir. A cimenteira, que chegou a ser avaliada em cerca de R$ 15 bilhões, deve ser negociada por um valor inferior, mas ainda bastante expressivo.
A venda é uma das principais apostas da CSN para reduzir o endividamento, que alcançou R$ 42,1 bilhões no segundo trimestre de 2026. Caso a operação seja concluída, parte dos recursos deverá ser destinada à quitação do empréstimo-ponte de US$ 1,2 bilhão, vinculado aos ativos de cimento. A expectativa é que a transação ajude a reduzir o custo da dívida e a pressão sobre o caixa da companhia. Pelas projeções anteriores, considerando uma venda na faixa de R$ 12 bilhões, a relação entre dívida líquida e Ebitda poderia cair de 3,49 para menos de três vezes.
A negociação também tem um componente regional que merece atenção: com a separação dos negócios, as condições comerciais para o fornecimento de escória siderúrgica – subproduto de aço utilizado na fabricação de cimento – poderão ser renegociadas. E uma mudança nesse fornecimento pode trazer reflexos positivos para a operação industrial da CSN na região. Pelo sim, pelo não, é bom lembrar que o acordo firmado até aqui é de exclusividade, e não de conclusão de venda. O desfecho dos próximos dias deverá mostrar se a companhia conseguirá transformar o negócio em uma das principais medidas de reorganização financeira do grupo, ou não. A conferir.

