Justiça abre investigação contra Raone por suposto abuso nas redes sociais
O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) determinou a abertura de uma investigação judicial eleitoral contra o vereador Raone (PT), por suspeita de uso indevido das redes sociais nas eleições de 2026. A decisão foi tomada na quarta, 28, pelo desembargador Fernando Cerqueira Chagas, vice-presidente e corregedor regional eleitoral.

A ação foi movida pelo deputado estadual Munir Neto (Solidariedade), que acusa Raone, seu adversário na disputa por uma vaga na Alerj, de utilizar as redes sociais para divulgar, de maneira reiterada, informações falsas (fake news) ou descontextualizadas sobre ele. O caso pode afetar o futuro do vereador, que aguarda decisão judicial para saber se ocupará uma cadeira na Alerj a partir de 2027. Ele foi declarado eleito, mas um parlamentar do PT, tido como inelegível pelo TRE-RJ, recorreu da decisão junto ao TSE. Se ele for declarado elegível, assume a cadeira de Raone. Caso contrário, o petista volta-redondense será diplomado.
Oito anos
Na ação que move contra Raone, Munir Neto pede, por exemplo, a declaração de inelegibilidade do vereador por oito anos, a cassação de eventual registro ou diploma e a anulação dos votos recebidos pelo candidato a deputado nas eleições de outubro. Essas medidas, entretanto, dependem de julgamento favorável à ação movida por Munir.
Ao analisar o caso, o desembargador Fernando Cerqueira Chagas, conforme documento obtido pelo aQui, considerou que a ação apresenta elementos suficientes para justificar a instauração da investigação judicial. O magistrado destacou, inclusive, que a documentação apresentada reúne capturas de publicações, informações sobre perfis utilizados nas redes sociais e decisões judiciais anteriores relacionadas aos episódios denunciados. Há “elementos mínimos que justificam a instauração da investigação judicial”, não sendo caso de rejeição imediata da ação.
Com isso, o TRE-RJ determinou a citação de Raone para apresentar defesa, documentos e testemunhas no prazo legal de cinco dias. O Ministério Público Eleitoral também será comunicado.
Publicações já haviam sido alvo de decisões judiciais
Um dos pontos centrais da investigação envolve publicações feitas por Raone desde dezembro de 2025, nas quais o vereador associava Munir a supostas irregularidades em uma licitação da Secretaria de Educação de Volta Redonda. Conforme relatado no despacho, a Justiça de Volta Redonda já havia determinado, em fevereiro, a retirada das publicações relacionadas ao episódio. A decisão foi mantida pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro em abril.
Outro episódio ocorreu na reta final da campanha eleitoral, quando Raone divulgou um vídeo, editado a partir de declarações do então candidato a governador Anthony Garotinho, com acusações a Munir. Nesse caso, o próprio TRE-RJ determinou, no dia 4 de outubro, a remoção do conteúdo.
A ação ainda questiona a utilização dos perfis @timeraone_ e @sulflumaisfortecomraone, apontados pela defesa de Munir como canais usados para ampliar a divulgação de conteúdos eleitorais. Segundo o deputado, essas páginas não teriam sido informadas à Justiça Eleitoral e teriam atuado de forma coordenada para favorecer a candidatura de Raone e disseminar publicações contra ele nas redes sociais. A eventual irregularidade desses perfis será analisada durante a instrução do processo.
Embora tenha autorizado o prosseguimento da investigação, o corregedor regional eleitoral ressaltou que o recebimento da ação não representa julgamento antecipado sobre a responsabilidade do vereador. E, vale salientar, a Justiça deverá avaliar a gravidade das condutas apontadas, o alcance das publicações e as circunstâncias em que foram divulgadas.
A investigação tramita sob o número 0604978-26.2026.6.19.0000, no Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro. Caso as acusações sejam comprovadas e os pedidos acolhidos, Raone poderá sofrer sanções eleitorais, incluindo a declaração de inelegibilidade por oito anos.
Nota da redação
Procurado na manhã de ontem, sexta, 30, pela reportagem do aQui, Raone não se posicionou. O espaço continua aberto ao pronunciamento do vereador.
