Projeções para 2028

0
14

Eleições de 2026 agitam a corrida para 2028; veja quem se saiu bem e quem se saiu mal

Mateus Gusmão 

Quando uma eleição acaba, a próxima já começa, imediatamente. Essa é uma máxima da política brasileira. E é assim mesmo. Com o fim das eleições de 2026 – pelo menos para deputados e senadores –, a cabeça de muita gente já começa a matutar para 2028, quando os eleitores voltarão às urnas para escolher prefeitos e vereadores. Diante dos últimos resultados, o cenário político começa a se desenhar. Quem teve boa votação, é claro, sonha em sair candidato ou em apostar no nome de um aliado. Quem foi mal faz as contas e realinha estratégias.

O aQui fez um levantamento acerca do desempenho de políticos da região nas urnas e dos reflexos que os resultados podem ter para a próxima eleição municipal. Confira:

 

VOLTA REDONDA

Na Cidade do Aço, o cenário está aberto às especulações e boatos. Isso porque o prefeito Neto, que está em seu sexto mandato, não poderá sair candidato à reeleição. O deputado estadual Munir Neto (Solidariedade) – o mais votado em 4 de outubro, com mais de 36 mil votos –, por ser irmão do atual prefeito, enfrenta restrições legais para sair candidato. Com isso, abre-se espaço dentro do grupo de Neto para a escolha de um bom nome. O prefeito diz que é o de Sebastião Faria, seu vice (ver página 10). Mas nem todo mundo parece acreditar nessa possibilidade. Muito pelo contrário. E aí surgem várias alternativas. Algumas boas, outras nem tanto.  

O coronel Luiz Henrique, ex-futuro secretário de Ordem Pública, derrotado na eleição para deputado federal, pode ser um deles. Apesar dos 14 mil votos obtidos no município, o resultado do oficial da PM ficou bem aquém do esperado.  

Outra alternativa – das boas – seria lançar o nome do ex-deputado estadual Edson Albertassi (MDB), que quase voltou a ocupar uma cadeira na Alerj. Faltaram poucos votos e ele acabou na suplência do partido, com grandes chances de ser chamado para a Assembleia. Até lá, Albertassi pode ganhar uma secretaria estadual no governo Ruas, via Flávio Bolsonaro. Ou mesmo voltar a trabalhar com o prefeito Neto, que já o convidou para reassumir o posto que ocupava no Palácio 17 de Julho. Um dos grandes sonhos de Albertassi é ser prefeito da cidade do aço, ele não esconde de ninguém. E ficar os próximos anos ao lado de Neto pode ser uma boa estratégia política pensando em 2028. 

Pela oposição a Neto, quem tem mais cacife para sonhar com 2028 é o deputado reeleito Jari Oliveira, segundo mais votado em Volta Redonda, com cerca de 26 mil votos. Para muitos volta-redondenses, ele seria um candidato natural para as próximas eleições. O parlamentar, porém, desconversa diante do assunto. Garante apenas que quer discutir, como costuma dizer, o futuro da Cidade do Aço.

Outro opositor a Neto, o quase deputado estadual eleito Raone Ferreira (PT), recebeu cerca de 14 mil votos no município. Caso consiga assumir uma cadeira na Alerj, o que depende da definição da Justiça Eleitoral, o hoje petista de carteirinha poderá ampliar seu espaço no cenário político estadual e municipal. A disputa pela Prefeitura, no entanto, ainda está em aberto. E o PT de Lula não se saiu bem nas últimas eleições em Volta Redonda.  

Entre os vereadores, existem ainda aqueles que sonham em suceder o prefeito Neto. É o caso de Sidney Dinho (PRD). Mas sua votação para deputado estadual – apenas 2.826 votos no município – levam a crer que será obrigado a rever seus planos. Renan Cury também sonha acordado, e há quem diga até que tem acordo firmado com Neto e Munir – costurado pelo seu tutor, Dr. Luizinho. Só que o deputado federal, que manda na área da Saúde no Estado, tem tudo para perder espaço junto ao governo Ruas, o que pode enfraquecer as chances de Renan.   

 

BARRA MANSA

Em Barra Mansa, a disputa pela Prefeitura de 2028 ganhou os holofotes já na campanha eleitoral deste ano. Tanto que o ex-prefeito Rodrigo Drable precisou afastar os boatos de que poderia disputar o cargo novamente com o atual prefeito, Luiz Furlani. Drable negou a possibilidade e garantiu que Furlani será o seu candidato na próxima eleição. Contra quem é o problema. Não há nomes fortes na cidade. 

Marcelo Cabeleireiro, ex-deputado, por exemplo, perdeu para Furlani em 2024, voltou às urnas neste ano como candidato à Alerj, e saiu amargando uma nova derrota, obtendo apenas cerca de 6 mil votos na cidade onde nasceu. Com isso, o desafio de se apresentar como opção da oposição contra Furlani ficou maior, muito maior. O mesmo vale para o empresário Bruno Marini, que conquistou apenas 2,5 mil votos em Barra Mansa, embora tenha recebido uma fortuna para investir no seu nome. Outro oposicionista, o ex-vereador Thiago Valério, fez pior. Obteve somente 1.411 votos para deputado estadual no município.

 

RESENDE

Na terra de Tande Vieira, o ex-prefeito Diogo Balieiro mostrou a força do grupo político que comanda a cidade. Só em Resende, Balieiro conquistou cerca de 42 mil votos dos mais de 100 mil no total. Para efeito de comparação, o ex-vereador Renan Marassi, apontado como um dos principais nomes de oposição, só obteve 4.511 votos no município.

Outros dois políticos do grupo de Balieiro também registraram votações relevantes na cidade, embora não tenham conseguido se eleger. O vice-prefeito David do Esporte recebeu 18.772 votos, enquanto o vereador Sandro Ritton conquistou 9.374. Os números ajudam a dimensionar a força eleitoral para 2028 do grupo político Tande & Balieiro.

BARRA DO PIRAÍ

A prefeita de Barra do Piraí, Kátia Miki, adotou uma estratégia arriscada nas eleições: dividiu seu grupo para apoiar candidatos de diferentes municípios. Entre eles, Munir Neto, André Corrêa e Gustavo Tutuca, além dos deputados federais Áureo Ribeiro e Dr. Luizinho. Os cinco se elegeram, mostrando a capacidade de articulação política da prefeita. Kátia também viu seu opositor, o ex-prefeito Mário Esteves, ficar de fora da Câmara dos Deputados. Mas Mário foi o mais votado em Barra do Piraí, recebendo 7.243 votos no município. Em 2028, vão se encontrar nas ruas mais uma vez. 

 

PIRAÍ

Na terra do prefeito Pezão, a disputa eleitoral colocou frente a frente o grupo político do atual chefe do Executivo e o do deputado estadual Gustavo Tutuca. A vantagem na votação para deputado estadual ficou com Betão, vereador e enteado de Pezão, que recebeu 7.723 votos em Piraí e foi o mais votado no município. Apesar do resultado local, ele não conseguiu se eleger.

O segundo mais votado na cidade foi Gustavo Tutuca, com 4.326 votos. Diferentemente de Betão, Tutuca conseguiu renovar seu mandato na Alerj. Ah, os dois grupos vão se encontrar em 2028. Pezão deverá ser candidato à reeleição e Tutuca deverá lançar o irmão como candidato da oposição.