Por Pollyanna Xavier
Conforme o aQui noticiou com exclusividade, o imóvel ocupado pelo Clube Umuarama, localizado no coração da Vila Santa Cecília, foi devolvido à CSN. A reintegração aconteceu às vésperas do aniversário de 83 anos da empresa, na segunda, 8, e pôs fim a uma ação judicial que se arrastava por 10 anos na 3a Vara Cível de Volta Redonda. A devolução não foi com uso de força policial, mas também não foi voluntária – afinal, foi preciso uma decisão da Justiça para que isso ocorresse. Os administradores do clube esvaziaram armários e gavetas e entregaram as chaves dos portões para um oficial de Justiça, que estava acompanhado por representantes da siderúrgica. Desde então, o imóvel está fechado e não há informações do que a CSN fará com ele. Só especulações.
A decisão de reintegração é do juiz Cláudio Gonçalves Alves e foi a terceira sentença desde 2014, quando o processo começou a correr no Fórum de Volta Redonda. A primeira foi em 2018, mas o clube recorreu, e a questão foi parar no TJ- RJ. A pandemia forçou a parada da ação, graças a uma MP federal que proibiu despejos, imissões e reintegrações no período crítico da Covid. Passada a situação, o processo retornou à pauta do TJ e em 2022 os recursos do clube foram todos indeferidos, ratificando a sentença que determinou a devolução do imóvel à CSN.
Ainda em 2022, o presidente do Clube, Fábio Prieto, tentou impedir a reintegração, propondo à Câmara de Vereadores o tombamento do prédio. A proposta foi adiante, e hoje o Umuarama consta no livro de tombos da prefeitura, como patrimônio cultural de Volta Redonda. A medida não impediu, é claro, o retorno do imóvel ao acervo imobiliário da CSN, como Fábio Pietro esperava.
Histórico
O imóvel de mais de mil metros quadrados, localizado ao lado do Colégio Manoel Marinho, na Vila, foi cedido gratuitamente pela CSN ao Umuarama há quase 82 anos, no dia 24 de junho de 1942. Em 1977, foi celebrado um acordo de comodato por prazo indeterminado, entretanto, após a privatização da CSN, a empresa comunicou ao Clube que não tinha mais interesse em continuar com o acordo, solicitando a devolução do imóvel. Como isso não aconteceu de forma voluntária, o caso foi parar na Justiça, sendo encerrado com a reintegração de posse. A CSN não comentou a questão, muito menos os advogados do Clube.

