Para atender professores, Drable vai deixar de construir 7 creches

Rodrigo Drable diz que melhor da greve foi a abertura do diálogo com a oposição

0
449

Na manhã de quarta, 30, o prefeito Rodrigo Drable, acompanhado do vereador licenciado Luiz Furlani, atual secretário de Governo e pré-candidato à prefeitura de Barra Mansa, esteve na Rádio Cidade do Aço para falar da greve dos professores, da polêmica acusação de super- faturamento na impressão de um livro que está sendo distribuído nas escolas do
município, e, claro, de política. Fez questão até de defender os vereadores, que ‘apanharam muito’ por conta da aprovação da lei que levou os professores a cruzarem os braços durante cinco dias. E deu uma notícia ruim para a população em geral: para atender às reivindicações do Sepe e do professorado, vai ter que cortar investimentos, como a construção de cinco creches, que estavam previstas para 2023.

Veja abaixo os principais pontos da entrevista de Rodrigo Drable à Rádio Cidade do Aço, concedida a Sérgio Mamma e Rafael Moura:

Rafael Moura e Sergio Mama

GREVE
“Com alegria tremenda para trazer a notícia que acabou a greve. Na semana passada, apresentei os números, as limitações que tínhamos,
inclusive com relação à lei de responsabilidade fiscal, e eu disse que iríamos até o limite. Infelizmente, não houve uma compreensão do que estava acontecendo e aí talvez tenha sido nossa falha nossa em não demonstrar isso para os professores. Mas fizemos ao longo das negociações e eles entenderam. Para poder fazer uma proposta melhor, eu teria que cortar investimentos para compensar no pagamento dos salários.
Nós temos, no orçamento da educação, recursos que são carimbados, com destinação específica. Eu não posso gastar em outras coisas. Existe o Fundeb, onde 70% deve ser gasto com a folha e 30% em investimentos. Eu já gasto 91% com folha e complemento com mais R$ 30 milhões. Então quer dizer que eu gasto 100% do Fundeb com a folha.
Este ano eu estou construindo cinco novas creches. Quando assumi a prefeitura, a cidade só tinha cinco creches, eu construí sete, agora mais cinco e eu pretendia fazer mais cinco no ano que vem. Custaria R$ 7 milhões, e é isso que eu vou deixar de fazer ano que vem. Vou aplicar o recurso na valorização do professor, pois vamos aumentar aquele adicional de magistério que existe.
Mas vale a pena cortar o investimento? Eu digo que na vida temos que buscar um equilíbrio. Eu já construí cinco, vou colocar mais 12 no sistema, e gostaria de colocar mais cinco, mas não vai dar porque temos que entender que a outra ponta também tem que ter sua parte. A greve foi um momento de ruptura. Palavras são ditas, existem ofensas, mas temos que superar isso. Eu não vou levar para o coração, mesmo sabendo que foi injusto, porque se comprovou que tudo que eu havia dito era verdade, e isso acalenta meu coração. Eu escutei tanta gente falando ‘mentiroso’, e no final reconheceram que eu estava certo. Eu não podia assumir um compromisso que financeiramente era impossível de ser executado, pois no final você gera atraso no pagamento (dos salários).
Quando eu assumi, os salários estavam atrasados, férias, décimos terceiros, UPAS fechadas, Santa Casa só na emergência. Todas as unidades de saúde estavam fechadas, escolas fechadas. Foi um problema tremendo, pois quiseram dar um passo maior do que a perna. Administrar é você ter a responsabilidade de fazer dentro do que você pode, pois tem consequência. Se você deixa de pagar (salários), afeta não só a vida do indivíduo, mas de toda a coletividade. A economia deixa de girar, o comércio deixa de vender, as pessoas ficam desempregadas, isso gera uma bola de neve morro abaixo, um círculo vicioso contra o desenvolvimento. Então, estabelecemos o fluxo, pagamos tudo em dia, nunca atrasei um salário, conseguimos dar aumentos, não o que eu gostaria, mas conseguimos, eu não podia ser irresponsável. Eu fico feliz pois a greve chega ao fim com a concretização de tudo aquilo que eu tinha dito.
Mas eu acho que tem um saldo positivo (com a greve), que é o retomo do diálogo. Eu criei um grupo de trabalho junto com os sindicalistas do Sepe. Trabalhamos juntos na evolução da receita e na possibilidade de ganhos futuros. Porque, à medida que a cidade cresça financeiramente, e com o condomínio industrial isso vai acontecer, com os novos empregos, a cidade vai ter mais receita. Eu vou poder fazer frente à previdência, que é caríssima. Só de professor aposentado, são 80 milhões de reais, olha só.
Na greve nós tivemos 48% de adesão dos professores concursados, um número muito baixo dos contratados. Na prática, tivemos 22% de aulas que deixaram de ser dadas e serão compensadas, corresponde a um dia e meio de aula efetiva. Então acredito que essa compensação será feita mais para a frente. E, como combinado com o Sindicato, eu abonei as faltas dos grevistas. Faz parte do acordo, e vida que segue. Acho que o momento agora é de comemorar o resultado, porque por mais difícil que ele seja, gera um amadurecimento em uma relação ao que é importante para o desenvolvimento da cidade”.

VEREADORES
“ Eu gostaria de ressaltar a importância dos vereadores, que apanharam tanto naquele primeiro momento, pois as críticas não foram só a mim, foram também aos
vereadores. Teve vereador que foi agredido verbalmente, a família foi criticada, a mãe e o filho do cara não têm nada a ver com isso, mas alguns se exaltam. E os vereadores tiveram um comprometimento grande em fazer o melhor, por mais que isso não fosse compreendido. Eles fizeram o que tinha que ser feito, e também estão participando da solução, que é a alteração da lei. Eu parabenizo o presidente da Câmara. A todos os vereadores que se envolveram, que mostraram responsabilidade com o futuro, com a consequência dos seus atos. Eles mostraram que não é só politicagem. Politicagem é o que foi feito por um outro vereador para dizer que o livro da história da cidade, que nós fizemos, foi um livro superfaturado”.

LIVRO
O livro foi feito por uma editora com o preço tabelado no Brasil todo; foi feito em Natal, em Florianópolis, foi premiado na Feira Internacional de Livros de Paraty. O preço é tabelado. Ele (o vereador Marcell Castro, grifo nosso) vai a uma gráfica e perguntaquanto custa para imprimir o livro. Ele quer dizer que o custo da impressão é (o custo) o livro. É de uma cretinice sem tamanho. Você tem o trabalho intelectual, tem o direito à propriedade intelectual, tem a arte, a formatação, a diagramação. Não é barato.
Quando você pega um livro que é comercializado pelo Brasil todo, tem ali uma tiragem de milhões de exemplares, porque todo mundo pode comprar. Quem é de Volta Redonda vai comprar um livro da história de Barra Mansa? Acha que vou usar o livro da história de Barra Mansa em uma escola de Volta Redonda? Foi um negócio feito especificamente pra cá, só serve pra cá, e é um negócio fantástico, pois desenvolve nas nossas crianças o interesse pela história da própria cidade. Você passa a valorizar aquilo que você entende e a amar aquilo que você conhece.
E aí o sujeito (o vereador, grifo nosso) quer comparar um livro produzido por diversos autores, por uma grande editora, premiada em feira internacional, com uma impressão de qualquer coisa. Eu estou aqui com um bloco na mão, pois tudo que eu faço eu escrevo, eu registro, e falo de um fichário. Esse bloquinho custa 22 reais, um bloco de folhas de linhas brancas que eu estou escrevendo, e você quer me dizer que esse bloco eu vou comparar com um livro escrito por diversos autores da história de uma cidade? Que foi fruto de pesquisa para uma grande editora? E que tem sido feito pelas maiores cidades do Brasil?”

 

ELEIÇÕES

“Na política, sempre vai ter espaço pra todo mundo, vai ter espaço para o fanfarrão, para o cara que tem vontade e não se preparou, vai ter espaço pro cara que é levado por outros mesmo sem nem ter vocação para isso. A política exige muita coisa. A primeira coisa é você estar preparado para enfrentar as dificuldades. Então, não adianta, quando chover, você pegar o guarda-chuva e o sapato de pelica e ficar olhando de longe, não adianta. Quando você tem uma greve, colocar outra pessoa para negociar na frente. Quando você tem que enfrentar grandes desafios, é você que tem que botar a cara, e para isso tem que estar preparado para poder receber os aplausos e também as críticas. Tem as que são fundamentadas e tem aquelas críticas que são vazias, de pessoas que simplesmente querem crescer nas suas costas, pois esse é o universo da política. Aí, amigo, a família sofre, existem as agressões infundadas que te chateiam, mas você tem que estar preparado para enfrentar isso tudo. Não por você, mas por quem você se propôs.
Eu vejo que o Furlani tem se dedicado nos últimos anos a isso (ser candidato), a entender como é o funcionamento da máquina, a construir as relações necessárias para a máquina poder funcionar. Então, é um conjunto de necessidades que têm que ser atendidas para dar certo, e o ser humano tem que se adaptar o tempo todo.
Com certeza eu não sou o mesmo Rodrigo de anos atrás. Quem trabalha comigo fala que antigamente eu era muito brigão e hoje eu estou muito mais calmo. É porque a vida nos ensina todos os dias e, se você não aprender com a vida, vai aprender com o quê? Então, mesmo aqueles que batem, ofendem e agridem ainda me incomodam quando ofendem a família. Mas a mim, eu já estou cascudo, já estou mais preparado para enfrentar essa dificuldade entendendo que eu tenho 190 mil pessoas para cuidar e que a minha vaidade, os meus anseios, não podem se sobrepor à presença e as decisões para enfrentar os problemas. Isso é um processo complexo, não é simples, não. Falar e criticar quem está de longe é fácil. Quando o raio estoura e o sujeito se esconde debaixo da cama, quando tudo passa, ele sai com o peito estufado, dizendo que tropeçou, mas não, estava escondido debaixo da cama, não pode ser desse jeito”