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Sete em cada dez brasileiros não devolvem dinheiro emprestado por amigos

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No domingo, 20 de julho, comemorou-se o dia do amigo. E alguém deve ter, mais uma vez, pedido algum dinheiro emprestado ao seu melhor amigo. O que pouca gente sabe é que socorrer o amigo pode terminar em dor de cabeça, ou melhor, em prejuízo garantido. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Instituto MindMiners, 71% dos brasileiros que emprestaram dinheiro a amigos afirmam não ter recebido o valor de volta dentro do prazo combinado. A informalidade desses acordos e a ausência de garantias tornam os calotes recorrentes e muitas vezes irreparáveis para a amizade envolvida.

O estudo revela ainda que a maioria dos entrevistados sente dificuldade em cobrar a dívida por receio de constranger o amigo. Essa resistência à cobrança contribui para que o inadimplemento se estenda por meses, ou se torne permanente.

Além disso, mais da metade dos brasileiros que emprestaram dinheiro a conhecidos já cogitou recorrer à Justiça ou a estratégias de cobrança indireta para tentar reaver os valores, segundo dados compilados em plataformas como o Jusbrasil. Em fóruns online, como o Reddit, são comuns os relatos de frustração e arrependimento, com histórias de relações abaladas por conta de promessas não cumpridas.

Segundo Fernando Lamounier, educador financeiro, as conversas francas sobre a quantia emprestadam são necessárias, assim ambos saberão avaliar se o valor cabe no orçamento. É uma situação delicada, mas que deve ser contornada com diálogo e precaução. “Uma comunicação clara ajuda a evitar mal-entendidos e reforça a responsabilidade de ambas as partes. No entanto, é importante lembrar que o credor deve estar preparado para lidar com as possíveis consequências dessa decisão”, reflete.

Em um contexto de instabilidade econômica e alto endividamento, segundo a Confederação Nacional do Comércio, mais de 70% das famílias brasileiras estão endividadas, pedidos de ajuda financeira entre amigos tendem a se intensificar. Para Fernando Lamounier, o segredo está no equilíbrio planejamento.

“Ao capacitar o consumidor com conhecimentos e habilidades financeiras, há a formação de uma geração de poupadores conscientes, capazes de enfrentar os desafios econômicos com confiança e responsabilidade, além de contribuírem para a economia do país. O que contribui para uma sociedade financeiramente mais saudável”, afirma.

O especialista cita 4 dicas para emprestar dinheiro a amigos sem prejuízo, são elas:

1.Reflita antes de dizer sim – Avalie se o valor solicitado compromete seu orçamento. Se houver risco de instabilidade financeira, é melhor recusar. Avalie se ovalor está dentro das suas condições e não faltará noorçamento dos próximos meses.

2. Formalize, mesmo que informalmente – Combine por escrito o valor, prazo de devolução e forma de pagamento. Um simples registro por mensagem já ajuda a evitar mal-entendidos.

3. Estabeleça limites claros – Deixe claro que aquela ajuda é pontual e que você conta com a devolução no prazo acordado. Isso reforça a seriedade do compromisso, evita desgastes na amizade e ainda fortalece o senso de responsabilidade.

4.Cobre com respeito e firmeza – Evite confrontos. Prefira abordagens diretas, como: “Você tem previsão para o pagamento?”. Isso demonstra respeito e responsabilidade mútua.