Na chuva

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Temporada de chuvas mostra que autoridades não estão preparadas para o pior

Na quarta, 14, o prefeito Neto reuniu seus secretários e representantes de instituições públicas e privadas da cidade para debater o fenômeno El Niño e desenvolver um plano de ação integrado entre as pastas e os órgãos. Coube ao coordenador da Defesa Civil, Rubens Siqueira, apresentar uma análise de cenários climáticos globais e as diretrizes de prevenção para Volta Redonda. Segundo Rubens, a Cidade do Aço deverá ser impactada pelo fenômeno com frequência elevada de ondas de calor extremo e temporais intensos.
“A possibilidade de termos um enfrentamento de proporções de médio para forte é real. Precisamos criar nosso comitê de enfrentamento do El Niño, que agrega todas as áreas, para que elas possam prover os recursos e estratégias necessárias para o momento de antecipação. Estruturas técnicas e operacionais, para podermos criar as câmaras técnicas. O plano de ação em Volta Redonda será diferente de outros municípios, atuando com quem estiver ou for primeiro no local”, detalhou Rubens sem revelar, no entanto, o que será feito a curto prazo, pois existem previsões de fortes temporais para as próximas semanas.
“É importante cada um saber o seu papel na hora de uma necessidade. Hoje é a primeira de outras reuniões que teremos, envolvendo toda a municipalidade. Independentemente do evento esperado, temos que estar preparados também para o dia a dia”, ressaltou Carlos Macedo, da equipe de Neto.
Na teoria, os dois estão certos e otimistas. Só que a secretária de Serviços Públicos, Poliana Moreira, que participou do encontro sobre os riscos do El Nino, não deu um pio a respeito. E, para quem não sabe, a última tempestade que caiu sobre Volta Redonda, no dia 6, a deixou sem ação. Mostra que nem deve ter recebido nenhum alerta (via celular) sobre a chuva que inundou vários trechos de ruas e avenidas de diferentes bairros da Cidade do Aço.
Em mensagem ao editor do aQui, Poliana reclamou da versão de que as inundações ocorrem em Volta Redonda devido, principalmente, à falta de varrição a cargo da pasta que ela comanda. “Foram identificados mais de 9 pontos com entupimentos em diferentes locais, então dizer que todos os bueiros estão cheios de folhas não parece explicar a situação. Qualquer pessoa, mesmo sem conhecimento técnico, consegue entender que é preciso avaliar melhor o problema. Os bueiros precisam ser abertos e limpos, retirando o acúmulo de resíduos e, quando necessário, utilizar caminhão de pressão para desobstruir a rede pluvial. Precisamos buscar a causa de verdade e melhorar a manutenção da drenagem, para evitar alagamentos e o acúmulo de água nas ruas. A população merece informações corretas e baseadas nos fatos”, escreveu. O engraçado é que, no texto, ela mesma reconhece que “foram identificados mais de 9 pontos (bueiros, grifo nosso) com entupimentos em diferentes locais”.
Poliana, irritada, atacou até um colega que ela não revelou o nome. “Então, meu amigo (editor do aQui), vamos ser coerentes: precisamos primeiro verificar de fato a quem pertence a responsabilidade e qual secretaria tem essa competência. Não podemos agir apenas com base no que alguém acha ou no que um colega fala. Precisamos apurar, buscar informações corretas e falar a verdade sobre os fatos. Vamos fazer o certo pelo certo, com responsabilidade e transparência”, escreveu.
Procurada pelo aQui para revelar as suas verdades, Poliana não quis responder às seguintes perguntas: “1- A varrição é realizada em todas as ruas e avenidas de Volta Redonda? Ela é diária, semanal, quinzenal ou mensal? Qual critério adotado pela pasta?  2 – Como explicar as frequentes reclamações dos moradores diante da falta de varrição nas ruas e avenidas da cidade? 3 – Com as chuvas, o serviço de varrição é mantido ou paralisado?  4 – Os resíduos não recolhidos nas varrições provocam o entupimento dos bueiros? O que fazer para que isso não ocorra?” Detalhe: as perguntas foram enviadas a ela no dia 7 de outubro. Há 10 dias… 

Bueiros
Os constantes alagamentos em Volta Redonda – que voltarão a ocorrer com o El Nino, como prevê a Defesa Civil – não são considerados como deveriam por Poliana, secretária de Serviços Públicos. “Uma folha isoladamente em um bueiro não é capaz de justificar um volume dessa proporção de água. Apontar esse fato como causa principal (dos alagamentos) é uma justificativa que precisa ser analisada tecnicamente”, avaliou, indo além: “É necessário considerar as condições de drenagem, a capacidade de escoamento, a limpeza e manutenção dos bueiros e a situação dos córregos. A falta de manutenção adequada desses sistemas pode contribuir significativamente para o agravamento dos alagamentos. Portanto, é fundamental que a responsabilidade seja atribuída com base em critérios técnicos e em informações corretas”, insiste, tentando tirar a responsabilidade da sua pasta. 
“Afirmar uma causa (bueiros cheios, grifo nosso) sem uma avaliação técnica adequada demonstra, no mínimo, falta de conhecimento sobre o funcionamento do sistema de drenagem e pode caracterizar negligência na análise do problema”, avaliou, sem detalhar qual seria o seu papel na solução ‘técnica’ para evitar os alagamentos que ocorrem em Volta Redonda.