Por Mateus Gusmão
O leitor deve se lembrar do acidente, ocorrido no último dia 8, que vitimou a jovem Mara da Silva, 33 anos, moradora do Jardim Belmonte. Ela estava utilizando o serviço de um mototáxi quando a moto colidiu com um carro na Avenida Beira- Rio, na altura da Vila Mury. Com a colisão, a moça acabou sendo jogada por cima do veículo e caiu a metros de distância, na entrada de um posto de gasolina. Ela morreu na hora. O piloto da mo- tocicleta se feriu gravemente e foi levado ao Hospital São João Batista. Ele, que não teve o nome revelado, também morreu dias depois.
O acidente acabou gerando – como não poderia deixar de ser – um debate importante na cidade do aço: o da segurança para quem utiliza o serviço dos mototaxistas, que atuam através da Uber e 99 taxi. Como falta uma regulamentação nacional para a atuação dessas plataformas digitais, pouco – ou quase nada – é exigido dos pilotos que atuam transportando passageiros por moto. Nem dos veículos que eles usam. Podem ser novos ou não, e não importa a potência das motos.
O volta-redondense Luiz Eduardo dos Reis, 35, é motoboy e também trabalha, nos momentos livres, transportando passageiros por aplicativos. Segundo ele, pouco foi solicitado pela 99 – o único que utiliza – para se cadastrar e passar a atuar como mototáxi. “O que pediram foi foto dos documentos da moto, minha identidade e a carteira de habilitação. Acho que, por eu ter carteira há muitos anos, me aprovaram na plataforma no mesmo dia em que solicitei”, destacou.
Segundo Luiz Eduardo, não lhe pediram provas de que tenha feito cursos para atuar como mototaxista. “Eu acho que deveria ter mais critério. Tem muita gente trabalhando com mototáxi, e não temos ideia se todos sabem realmente pilotar, se a moto é boa ou não”, pontuou, salientando que muitos acidentes ocorrem por conta de imprudência. “Tem muito piloto por aí acelerando demais para conseguir fazer mais corridas”, pontuou.
Vale lembrar que na cidade do aço, desde 2004, é proibido o uso de veículo de duas rodas na prestação de serviços de transporte de passageiros. A vedação é expressa na Lei Municipal 3.984, de autoria do ex-vereador Maurício Batista (PP). O ‘xis’ da questão é que a mesma lei existe em outras cidades, como Rio e São Paulo, mas não impede a circulação dos ‘motoUbers’, por exemplo. Os aplicativos operam amparados por decisões judiciais até o Congresso Nacional resolver analisar o tema.
Curso de capacitação
O vereador Edson Quinto (PL), presidente da Câmara de Volta Redonda, informou com exclusividade ao aQui que vai propor que os pilotos de mototáxi na cidade do aço passem por um curso de direção. A proposta será feita através de requerimento ao prefeito Neto e ao secretário de Ordem Pública, coronel Luiz Monteiro.
Segundo Quinto, enquanto não há uma regulamentação em nível federal das atividades dos aplicativos como Uber e 99taxi, há de se buscar alternativas para diminuir o número de acidentes envolvendo os profissionais que atuam através dessas plataformas. “A ideia é que a prefeitura de Volta Redonda realize uma campanha voltada a essa categoria, para que eles façam o curso de capacitação para motociclistas, que já é oferecido pela Secretaria de Ordem Pública. Esse curso já capacitou mais de 90 motociclistas e pode ser ampliado para um maior número de pilotos”, destacou.
Edson Quinto vai propor que seja feita uma campanha de divulgação do curso voltado para os mototaxistas e também para os motoboys. “Estimular e incentivar que passem por essa capacitação dará mais segurança a todos: os pilotos e os passageiros. Pensar em medidas que possam diminuir os acidentes, visando preservar vidas”, salientou.
O curso de pilotagem promovido pela Secretaria de Ordem Pública é realizado às segundas-feiras, no Kartódromo de Volta Redonda, no Aero Clube. Nele, os alunos aprendem técnicas que ajudam a prevenir acidentes, além de noções de educação no trânsito. A capacitação conta com conteúdo teórico e prático e é ministrada pela escola do piloto Helder Shad. Ao todo, são oito horas de aulas. Entre os assuntos abordados, estão o uso correto dos freios em pista reta ou curva, aceleração, posicionamento correto da motociclista, uso do equipamento de segurança, manutenção preventiva do veículo, entre outras técnicas.
As inscrições podem ser feitas de segunda a sexta, na Semop, que fica na Ilha São João, ou pelo telefone (24) 3340-2290, nos horários: das 9 às 11h30min, e das 14 às 17h30min. Os interessados precisam ter CNH e moto de qualquer categoria, já que as aulas ocorrem no veículo do próprio aluno. Fica a sugestão a Quinto: que inclua no projeto de lei um item que pode ajudar a reduzir os acidentes: que todo motociclista que seja pego dirigindo irregularmente (em alta velocidade, na contramão, sobre calçadas, estacionado em local proibido etc.) seja obrigado a frequentar o curso de pilotagem da Semop. Quem sabe eles não aprendem, não é?

Uso do capacete
O acidente da Beira-Rio levantou outra questão: o uso obrigatório dos capacetes por parte de quem usa o serviço dos mototaxistas em Volta Redonda. E, pensando nisso, a Secretaria de Ordem Pública já iniciou uma campanha pelo uso do equipamento. A falta do principal item de segurança foi responsável, em 2023, por 246 multas aplicadas a motociclistas, sendo que 41% desse número (101 autuações) se tratava de passageiros sem capacete, de acordo com números da Guarda Municipal. Já neste ano, foram 66 no primeiro trimestre; 73% (28) por ausência de capacete de quem estava na garupa. A infração é considerada gravíssima, e a ausência do capacete pode resultar na apreensão da CNH (Carteira Nacional de Habilitação).
O secretário de Ordem Pública, agora coronel Luiz Henrique, lembrou que, nos últimos anos, principalmente durante a pandemia da Covid-19, o número de motos cresceu, devido às questões socioeconômicas e de mobilidade urbana, o que exige maior atenção das autoridades. “Dirigir é um compromisso com a sua vida e com a vida do outro, então a pessoa que conduz um veículo precisa ser habilitada e cumprir o que prevê o código de trânsito.
É muito comum hoje as pessoas solicitarem o serviço de motociclistas por aplicativos. Lembre-se: use o capa-
cete. Se você faz utilização frequente deste serviço, adquira um capacete, com o tamanho adequado e seguro para o seu uso individual”, alertou.
“Quem utiliza moto, mesmo na garupa, precisa ter o seu capacete próprio. E o ideal é que ele cubra toda a cabeça e o rosto, não sendo seguro o uso de menores, conhecidos como ‘coquinhos’. O capacete é de uso individual, tem tamanho e precisa ser homologado pelo Inmetro. Sabemos quando o capacete realmente está nos protegendo, quando ele fica ajustado, nem apertado e nem folgado, a ponto de ‘mexer’ a maçã do rosto do usuário. O capacete tem que estar afivelado. Isso salva vidas em caso de queda”, pondera o piloto Helder Shad.

