Lista da discórdia

Nome de aliados e parentes de Paulo Sandro podem ser encontrados na lista da Ceperj

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Mateus Gusmão

A lista secreta dos funcionários contratados pela Fundação Ceperj, mantida pelo governo do Estado, segue rendendo dores de cabeça no Sul Fluminense. Principalmente após o aQui revelar em seu site, com exclusividade, nome a nome de quem recebeu salários, sem nenhuma transparência, nas agências bancárias do Bradesco em Volta Redonda, Barra Mansa, Pinheiral, Piraí e Porto Real. Detalhe: na pequena Rio Claro, vejam só, nenhuma pessoa teria sido contratada para atuar em módulos de esporte e lazer mantidos pela Ceperj.
As nomeações da Ceperj, segundo apurou o Ministério Público, tinham o objetivo de ajudar os políticos aliados ao governador Cláudio Castro, como deputados e vereadores que distribuíam os cargos a cabos eleitorais, presidentes de Associações de Moradores, amigos e parentes. A maioria trabalhava, é claro. Mas muitos só apareciam para receber os salários na boca do caixa. Em Barra Mansa, várias pessoas ligadas ao deputado estadual Marcelo Cabeleireiro apareceram na lista e ganharam as redes sociais. O vereador licenciado Paulo Sandro, hoje, secretário de Esportes da prefeitura e futuro presidente da Câmara, também teria indicado várias pessoas, assim como o ex-vereador Ademir Melo e o capitão Abreu, secretário de Ordem Pública do governo Drable.
A maioria foi procurada pelo aQui para que desse suas versões sobre as indicações políticas. Ademir Melo foi o único que não fugiu da reportagem e garantiu que não teria indicado ninguém para a Ceperj. Tem mais. Disse não ter conhecimento oficial dos nomes e, questionado onde atuavam, disparou: “Pelo que sei, o programa foi amplamente divulgado pela secretaria de Estado e tomei conhecimento que muitos foram contemplados – e outros, não”, completou. “Na minha opinião, nada deveria ser secreto, tudo tem que ser transparente”, acrescentou.
O governador Cláudio Castro, que é candidato à reeleição, por sua vez, ao ser sabatinado por jornalistas de vários meios de comunicação da capital, tentou minimizar o escândalo das contratações feitas pela Ceperj. Admitiu erros, mas disse que foi ele quem pediu investigações. “Há erros no Ceperj? Há. A grande diferença foi a maneira como encarei. Em momento nenhum neguei. Eu fui ao Ministério Público, criei uma comissão. Todos que erraram serão punidos. A resposta para o conselho é que são nossos programas sociais e nós vamos continuar, porque eles são importantíssimos para o estado”, garantiu em sabatina ao Grupo Globo na quarta, 31.
Disse ainda que, caso tenha ocorrido crimes na Fundação Ceperj, a culpa não seria dele, Cláudio Castro. E sim dos gestores dos projetos esportivos alocados no órgão estadual. “É uma coisa que me entristece demais, porque a ideia era os programas sociais acontecerem. A ideia era atender o povo e infelizmente algumas pessoas, sem escrúpulo, utilizaram algo programado para ser uma coisa boa para fazer uma coisa ruim. Não dá para sujar todo um bom trabalho, estamos falando de 25 mil pessoas, porque 100 pessoas erraram. Mesma coisa que um médico errasse e você fechasse o hospital”, disse, defendendo os projetos da Ceperj.
Quem quiser ver a lista completa de funcionários contratados pela Fundação Ceperj pode acessar o link https://jornalaqui.com.br/lista.