(In)segurança no trabalho

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Acidentes no interior da UPV podem estar subnotificados

A morte de um funcionário da CBSI, empresa do grupo CSN, vítima de um acidente na área da sinterização, reacendeu questionamentos acerca da notificação obrigatória de acidentes aos sistemas oficiais do governo. Levantamento feito pelo aQui nos registros do Fator Acidentário de Prevenção (FAP), do Ministério do Trabalho e Emprego, revela que a CBSI poderia estar subnotificando os acidentes que ocorrem na UPV. E a explicação é simples: o acidente acontece, a imprensa divulga, o funcionário por vezes morre no local, mas os dados oficiais parecem não chegar ao MTE.

Prova disso foi um acidente ocorrido há um ano (10 de janeiro de 2025), que vitimou uma trabalhadora da limpeza. Ela era funcionária da CBSI, sofreu uma queda de 15 metros no setor da aciaria e teria morrido na hora. Porém, ainda assim, ela teria sido levada para o Hospital Santa Cecília, e sua morte não foi notificada como acidente de trabalho. Tanto é verdade que o FAP da CBSI para o ano de 2025 não registra a morte da operária. No ano passado, houve apenas uma Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT). Os dados mostram também um único registro de auxílio-acidente.

Os dados do FAP de 2025 indicam ainda que 45 trabalhadores da CBSI foram afastados de suas funções e receberam o auxílio por incapacidade temporária – popularmente conhecido como auxilio-doença, pago pelo INSS. No ano anterior – 2024 – os números foram bastante parecidos com 2025, com 44 registros de benefícios por incapacidade temporária e apenas um auxílio-acidente. Já em 2026, nos primeiros 15 dias de janeiro, os dados parecem ser mais reais: 51 auxílios por incapacidade temporária, dois auxílios por acidente de trabalho e uma CAT. A morte do operário ainda não apareceu nas estatísticas do FAP. 

Apuração

A morte de Magno Rodrigo Vieira de Almeida, 45, no dia 10, vítima de acidente de trabalho na CBSI, não provocou, vejam só, nenhuma reação do Sindicato da Construção Civil – que até o fechamento desta edição não havia publicado nenhuma nota sobre o acidente. O aQui tentou falar com o presidente do Sindicato, Zeomar Tessaro, mas ele não respondeu ao contato do repórter.
Mas atraiu a atenção do presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Odair Mariano, que enviou um oficio à CSN solicitando participação da entidade no processo de apuração do acidente. No documento, Odair reforça a importância da transparência e da presença de representantes do sindicato na investigação, “a fim de garantir que todas as circunstâncias sejam devidamente esclarecidas e que medidas preventivas sejam adotadas para evitar novos episódios”.

Segundo Odair, “a atuação sindical nesse tipo de situação é fundamental para assegurar que os direitos dos trabalhadores sejam respeitados e que a segurança no ambiente de trabalho seja tratada como prioridade”. Odair foi além. Afirmou que o acompanhamento direto da apuração permitirá ao sindicato contribuir com informações e experiências práticas relacionadas às condições de trabalho na usina. Sem contar que a participação do Sindicato pode ajudar no acompanhamento das notificações junto aos sistemas do MTE. 

Até o fechamento desta edição, a CSN ainda não havia se manifestado oficialmente sobre o pedido do Sindicato dos Metalúrgicos. O aQui também entrou em contato com a CBSI, para que a empresa explicasse a situação das (sub)notificações, mas ninguém retornou ao contato do jornal. O espaço segue aberto para posterior posicionamento.